Faltando quatro dias para a convenção nacional do Partido Liberal (PL), a legenda intensificou as articulações para ampliar sua base de apoio e garantir alianças estratégicas para a disputa presidencial. O principal objetivo é atrair o Republicanos para a coligação encabeçada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL).
Nos bastidores, lideranças do partido acreditam que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), pode desempenhar papel decisivo nas negociações. A avaliação é que a boa relação entre as duas siglas no estado paulista pode facilitar um entendimento nacional, embora ainda existam resistências dentro do Republicanos.
Republicanos mantém cautela
Recentemente, o presidente nacional do Republicanos, deputado Marcos Pereira, negou que exista um acordo fechado para apoiar Flávio Bolsonaro na disputa presidencial. Ele também criticou rumores de que teria condicionado o apoio do partido à indicação de um ministro para o Supremo Tribunal Federal (STF) em um eventual governo do senador.
Outro obstáculo é o cenário interno da legenda. Integrantes do Republicanos afirmam que a maioria dos filiados não vê com bons olhos uma aliança nacional com o PL.
Além disso, o partido ainda mantém espaço no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), onde ocupa ministérios, fator que também influencia as negociações.
Disputas estaduais dificultam acordo
As conversas entre PL e Republicanos enfrentam entraves em diversos estados.
No Mato Grosso, o PL mantém a pré-candidatura do senador Wellington Fagundes ao governo estadual, enquanto o Republicanos pretende apoiar a reeleição do governador Otaviano Pivetta.
Em Roraima, a relação entre as legendas ficou desgastada após a disputa eleitoral entre Arthur Henrique (PL) e Soldado Sampaio (Republicanos), vencida pelo candidato liberal.
Por outro lado, alguns estados caminham para um entendimento. Em Minas Gerais, o PL deve apoiar o senador Cleitinho (Republicanos) na disputa pelo governo estadual.
No Espírito Santo, a tendência também é de aproximação. O Republicanos deverá apoiar a candidatura de Maguinha Malta (PL), filha do senador Magno Malta, enquanto o PL deve retribuir o apoio ao ex-prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), pré-candidato ao governo capixaba.
Tempo de TV é prioridade
A aliança com o Republicanos é considerada estratégica principalmente pelo impacto na propaganda eleitoral gratuita.
Caso o acordo seja confirmado, Flávio Bolsonaro passaria a contar com 5 minutos e 16 segundos diários de propaganda em rádio e televisão. Sem o Republicanos, esse tempo cairia para 4 minutos e 20 segundos.
Segundo cálculos do PL, Lula teria 4 minutos e 51 segundos caso a aliança seja fechada. Sem o Republicanos ao lado de Flávio, o presidente alcançaria 5 minutos e 32 segundos de exposição.
Dirigentes do partido avaliam que o horário eleitoral pode ser determinante para reduzir a vantagem do presidente nas pesquisas, repetindo uma estratégia semelhante à adotada na eleição de 2022.
Federação União-PP ainda é incógnita
Se as negociações com o Republicanos avançam, a aproximação com a federação União Progressista — formada por União Brasil e Progressistas (PP) — é considerada mais complexa.
Embora haja alianças regionais, como em São Paulo, onde Flávio Bolsonaro apoia a candidatura de Guilherme Derrite (PP) ao Senado, a maior parte das lideranças da federação defende neutralidade na disputa presidencial.
A preocupação é evitar impactos negativos sobre as campanhas de deputados e senadores, especialmente na Região Nordeste, onde Lula mantém desempenho mais favorável nas pesquisas eleitorais.