Ribeirão Preto: temporal causa 180 dias de emergência e caos

Ventos fortes provocam danos graves e levam à decretação de emergência por seis meses em Ribeirão Preto.
Redação NC News
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Um temporal de apenas 30 minutos devasta Ribeirão Preto na madrugada desta sexta-feira e leva o prefeito Ricardo Silva (PSD) a decretar estado de emergência por 180 dias. A cidade registra queda em massa de árvores, apagões, uma morte confirmada e a instalação de um gabinete de crise para coordenar o socorro.

Cidade sob escombros e sem luz

O cenário em Ribeirão Preto nesta sexta-feira é de destruição espalhada por vários bairros. As rajadas de vento, estimadas em 70 km/h, derrubam árvores inteiras sobre ruas, carros e imóveis. O Corpo de Bombeiros contabiliza cerca de 250 ocorrências de queda de árvores em poucas horas, uma sobrecarga rara até para equipes treinadas para emergências.

O fornecimento de energia elétrica sofre um dos impactos mais graves. Falhas na linha de transmissão deixam 8 das 14 subestações da CPFL desligadas, sem previsão de restabelecimento imediato. Bairros inteiros amanhecem sem luz, com moradores tentando salvar alimentos, buscar sinal de telefone e entender a extensão dos danos.

Na saúde, a preocupação é manter serviços básicos funcionando. A CPFL se organiza para instalar geradores em unidades de saúde e sistemas de abastecimento de água, numa tentativa de evitar o colapso de atendimentos essenciais e da distribuição de água tratada.

Decreto amplia poderes e agiliza resposta

O prefeito Ricardo Silva assina, nesta manhã, o decreto que formaliza o estado de emergência no município. O texto, segundo o g1 Ribeirão e Franca, “vale por 180 dias” e abre caminho para contratações emergenciais, compra rápida de equipamentos e recebimento de recursos sem o trâmite burocrático habitual. “O prefeito Ricardo Silva assinou um decreto de emergência nesta sexta-feira (24) em Ribeirão Preto após temporal na madrugada. O documento vale por 180 dias”, registra o portal.

Um gabinete de crise começa a funcionar para centralizar decisões e concentrar informações de Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, CPFL e demais secretarias municipais. A Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil passa a consolidar dados de danos estruturais, pontos de risco e eventuais desabrigados, que ainda não são confirmados oficialmente.

O município também prepara um relatório detalhado dos prejuízos, que será enviado ao governo do estado e ao governo federal em até 10 dias. O documento é decisivo para destravar verbas adicionais e programas de recuperação urbana, além de orientar ações futuras de prevenção.

Uma morte confirmada e buscas por feridos

A tragédia humana já tem um rosto. Um idoso de 82 anos morre enquanto dorme, depois que a casa onde vivia é atingida por um galpão vizinho que não resiste à força do vento. A Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros confirmam a morte e ainda trabalham no entorno para avaliar o risco de novos desabamentos.

Outra pessoa é resgatada soterrada na Avenida Bandeirantes. Os bombeiros conseguem retirá-la com vida, mas, até o momento, não há confirmação sobre o estado de saúde. Equipes seguem de um ponto a outro da cidade, removendo troncos, interrompendo acessos e tentando liberar vias estratégicas para ambulâncias e serviços de emergência.

A prefeitura coloca a Cava do Bosque e escolas municipais em prontidão para receber possíveis desabrigados. Apesar da ausência de confirmação de famílias sem teto até agora, o poder público trabalha com o cenário de piora, caso novas estruturas cedam ou áreas de risco precisem ser esvaziadas preventivamente.

Apoio do estado e articulação política

A dimensão do estrago em Ribeirão Preto mobiliza o governo paulista e a bancada política da região em Brasília. Equipes da Defesa Civil estadual se deslocam para a cidade, levando apoio técnico e ajuda humanitária. A orientação é reforçar o atendimento imediato, com foco em moradia, alimentação e segurança em áreas vulneráveis.

O deputado federal Baleia Rossi (MDB), que é de Ribeirão Preto e preside o partido, atua nos bastidores para ampliar o suporte. Em rede social, ele afirma que acompanha de perto os impactos e já aciona o Palácio dos Bandeirantes. “Entrei em contato com o governador Tarcisio de Freitas e conversei com o vice-governador Felicio Ramuth para que a Defesa Civil do Estado dê todo o suporte necessário aos municípios, especialmente os mais atingidos, como Ribeirão Preto e Taquaritinga”, diz.

A presença de agentes estaduais e a expectativa de recursos federais mostram que o decreto de emergência não é apenas um ato formal. Ele se torna a base jurídica para um esquema de força-tarefa que inclui máquinas pesadas, remoção de entulho, reparo de redes de energia e água, além de assistência social a famílias atingidas.

Serviços suspensos e rotina interrompida

O impacto sobre o cotidiano aparece nas pequenas e grandes rotinas que deixam de existir neste início de dia. A área azul, sistema de estacionamento rotativo, é suspensa para liberar vias e evitar aglomeração de veículos em regiões já comprometidas por quedas de árvores e postes.

A campanha de vacinação marcada para sábado é cancelada, sem nova data definida. Postos de saúde lidam com falta de energia, dificuldade de acesso e a prioridade absoluta ao atendimento de emergência. A interrupção reforça como eventos climáticos extremos atravessam políticas públicas já fragilizadas, como a imunização.

As telecomunicações também sentem o baque. Moradores relatam instabilidade nas operadoras de telefonia, com sinais intermitentes de celular e internet. Os telefones do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar, porém, seguem operando, o que se torna uma linha vital entre a população e os serviços de urgência.

Vulnerabilidades expostas e o que vem pela frente

O temporal desta madrugada expõe, de forma crua, fragilidades antigas da infraestrutura urbana de Ribeirão Preto. A queda em cadeia de árvores, o desligamento de mais da metade das subestações da cidade e o risco estrutural em imóveis mostram uma rede de serviços pouco preparada para choques climáticos intensos e rápidos.

O balanço de danos que será produzido nos próximos dias tende a ir além da contabilidade de troncos derrubados e postes quebrados. Urbanistas e especialistas em clima já defendem, em situações semelhantes pelo país, que episódios como o de hoje funcionam como alerta para revisar podas de árvores, reforçar linhas de transmissão, atualizar planos de drenagem e investir em obras de contenção.

As próximas horas serão dedicadas a salvar vidas, restabelecer energia e liberar ruas estratégicas. Os próximos dias, a medir prejuízos e reconstruir. A etapa seguinte, mais complexa, será decidir se a cidade volta apenas ao que era ontem ou se aproveita o choque do temporal para redesenhar sua proteção contra eventos extremos, que se tornam cada vez mais frequentes nas grandes e médias cidades brasileiras.

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