O governo federal iniciou nesta segunda-feira (9) uma estratégia nacional de imunização contra a dengue voltada, neste primeiro momento, aos profissionais da atenção primária do Sistema Único de Saúde (SUS).
A medida marca a incorporação da vacina Butantan-DV à rede pública. O imunizante, desenvolvido integralmente no Brasil, é o primeiro no mundo em dose única com proteção contra os quatro sorotipos do vírus e foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no fim de 2025.
Para viabilizar a campanha, o Ministério da Saúde adquiriu 3,9 milhões de doses. Destas, 1,3 milhão já foram encaminhadas ao Programa Nacional de Imunizações (PNI).
A vacinação contempla cerca de 1,2 milhão de trabalhadores das unidades básicas em todo o país.
A indicação da vacina é para pessoas de 12 a 59 anos, e a aplicação em dose única é considerada um diferencial para ampliar a cobertura e facilitar a logística de distribuição.
O anúncio foi feito durante visita oficial do presidente Lula ao Instituto Butantan, em São Paulo, onde também foi apresentado um pacote de investimentos voltado à ampliação da produção de vacinas e soros.

Ao todo, serão destinados R$ 1,4 bilhão para modernização da estrutura fabril. Desse montante, R$ 1 bilhão virão do Novo PAC e cerca de R$ 400 milhões serão aportados pela Fundação Butantan.
“Hoje estive no Instituto Butantan para anunciar um investimento em infraestrutura, vacinação e insumos imunobiológicos. Investir no Butantan é investir em ciência, saúde pública e proteção da vida. É fortalecer a indústria da saúde para responder às necessidades reais do povo brasileiro. Agora e no futuro”, disse.
Os recursos serão aplicados em quatro frentes principais: construção de uma fábrica para produção anual de 20 milhões de doses da vacina contra o HPV; implantação de tecnologia de RNA mensageiro (mRNA) para vacinas sintéticas; criação de unidade para fabricar 6 milhões de doses anuais da vacina tríplice bacteriana (difteria, tétano e coqueluche); e ampliação da capacidade de produção de soros, que passará de 600 mil para 1,2 milhão de frascos por ano.
A expectativa do governo é expandir a vacinação contra a dengue para outras faixas etárias no segundo semestre, conforme o aumento da capacidade produtiva.
O evento também marcou os 125 anos do Instituto Butantan e reforçou a estratégia de fortalecer a autonomia nacional na produção de imunizantes e reduzir a dependência de insumos importados.