Temporal com ventos de até 121 km/h deixa um morto, provoca desabamentos e espalha destruição em Ribeirão Preto e região

Vendaval derrubou árvores, destelhou imóveis, interditou rodovias, deixou cidades sem energia e mobilizou centenas de bombeiros durante a madrugada desta sexta-feira
Redação NC News
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A madrugada desta sexta-feira (24) foi marcada por um dos temporais mais intensos do ano no interior de São Paulo. Ventos que chegaram a 121 km/h, acompanhados por chuva forte, provocaram uma sequência de ocorrências em Ribeirão Preto e cidades vizinhas, deixando uma pessoa morta, imóveis destruídos, rodovias interditadas, milhares de moradores sem energia elétrica e um rastro de destruição.

O cenário mais crítico foi registrado em Pradópolis, onde a Defesa Civil mediu rajadas de 121 km/h por volta das 6h da manhã. Em Ribeirão Preto, os ventos chegaram a cerca de 70 km/h, acompanhados por aproximadamente 30 milímetros de chuva, suficientes para derrubar árvores, arrancar telhados e provocar desabamentos em diferentes bairros.

O que aconteceu durante o temporal?

A frente fria que avança pelo estado encontrou o calor intenso sobre a região e favoreceu a formação de tempestades severas ainda durante a madrugada.

Pouco depois das 5h30, a Defesa Civil disparou um alerta para celulares dos moradores informando sobre o risco de ventos fortes e chuva intensa. Em poucos minutos, equipes de emergência começaram a receber dezenas de chamados.

Ao longo da manhã, o Corpo de Bombeiros contabilizou 259 ocorrências, a maioria envolvendo queda de árvores, destelhamentos, desabamentos e situações de risco causadas pelos ventos extremos.

O temporal mudou completamente a rotina da região. Ruas ficaram bloqueadas, bairros registraram falta de energia, escolas sofreram danos estruturais e diversas famílias tiveram as casas atingidas.

Desabamentos deixam um morto em Ribeirão Preto

Os casos mais graves aconteceram em Ribeirão Preto. Na Vila Amélia, parte da estrutura de uma academia desabou durante a tempestade. Já nos bairros Jardim Salgado Filho e Vila Virgínia, duas residências vieram abaixo por causa da força dos ventos.

Segundo a Defesa Civil, uma pessoa morreu após o desabamento de uma das casas. Outra vítima foi retirada dos escombros com ferimentos leves e encaminhada para atendimento médico.

Desde as primeiras horas do dia, equipes do Corpo de Bombeiros trabalham em operações de resgate, remoção de árvores, isolamento de áreas de risco e vistorias em imóveis que podem sofrer novos desabamentos.

Rodovias foram interditadas

O temporal também provocou reflexos no trânsito. Na ligação entre Ribeirão Preto e Sertãozinho, uma árvore caiu sobre a pista da SPA-325/322 (Avenida Bandeirantes), obrigando a interdição da rodovia e causando congestionamentos.

Outra ocorrência foi registrada na Rodovia Washington Luís (SP-310), onde árvores também caíram sobre a pista, provocando bloqueios parciais e exigindo a atuação das equipes de manutenção. Motoristas enfrentaram lentidão e precisaram buscar rotas alternativas durante toda a manhã.

Cidades da região também registram prejuízos

Os impactos do temporal foram sentidos em diversos municípios. Em Taquaritinga, o telhado de um imóvel desabou no Jardim dos Ipês. A estrutura da EMEB Estevam Schlobach Salvagni também sofreu danos, levando à interdição da unidade escolar para avaliação técnica.

Em Dumont, a força dos ventos interrompeu o fornecimento de energia elétrica em praticamente todo o município. Além das residências, empresas também registraram prejuízos após parte de suas estruturas ser danificada.

Já em Guariba e Barrinha, moradores relataram queda de árvores, postes danificados, destelhamentos e interrupções no fornecimento de energia.

Defesa Civil reforça atendimento

Com o aumento das ocorrências, a Defesa Civil do Estado enviou equipes extras para Ribeirão Preto, Guariba e Taquaritinga. Além dos agentes especializados, foram encaminhadas lonas para atender famílias que tiveram os telhados destruídos, permitindo uma proteção temporária até que os imóveis possam ser reparados.

Enquanto isso, o Centro de Gerenciamento de Emergências monitora a evolução das condições meteorológicas em todo o estado.

Segundo o órgão, o núcleo mais intenso da tempestade já se deslocou em direção ao sul de Minas Gerais, mas novas áreas de instabilidade continuam avançando pelo oeste paulista.

Por que os temporais estão ficando mais frequentes?

Eventos como o registrado nesta sexta-feira têm se tornado cada vez mais comuns durante a passagem de frentes frias pelo interior paulista.

A combinação entre temperaturas elevadas, grande quantidade de umidade na atmosfera e a chegada de massas de ar frio favorece a formação de nuvens de tempestade capazes de produzir ventos extremamente fortes, chuva intensa e descargas elétricas.

Especialistas alertam que cidades com grande quantidade de árvores antigas, redes elétricas aéreas e áreas urbanizadas acabam sendo mais vulneráveis aos efeitos desse tipo de fenômeno.

O que acontece agora?

Mesmo com a redução da intensidade da chuva, o trabalho das equipes de emergência continua ao longo desta sexta-feira.

A prioridade é liberar vias interditadas, restabelecer o fornecimento de energia elétrica, vistoriar imóveis atingidos e prestar assistência às famílias afetadas.

As autoridades também deverão fazer um levantamento completo dos prejuízos provocados pelo temporal, além de avaliar a necessidade de novas ações de apoio aos municípios atingidos.

Serviço: orientações da Defesa Civil
Durante temporais com ventos fortes, a recomendação é:

Evitar permanecer sob árvores;
Não atravessar áreas alagadas;
Manter distância de postes e fios caídos;
Não estacionar veículos próximos a árvores ou estruturas metálicas;
Acompanhar os alertas emitidos pela Defesa Civil e pelas prefeituras.

Entenda o contexto

O temporal desta sexta-feira reforça um cenário que tem se repetido com frequência no interior de São Paulo: eventos climáticos cada vez mais intensos provocando impactos severos em curto espaço de tempo. Além dos prejuízos materiais, a ocorrência reacende o debate sobre prevenção, manutenção da arborização urbana, modernização da rede elétrica e preparação das cidades para enfrentar fenômenos extremos. Com novas áreas de instabilidade previstas para os próximos dias, a Defesa Civil mantém o monitoramento e orienta que a população permaneça atenta aos alertas oficiais.

 

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