Celtic e Milan se enfrentam neste sábado (25), às 11h (horário de Brasília), em Glasgow, num amistoso que mistura estreia de técnico e último teste antes da temporada.
O jogo em Celtic Park fecha a preparação do campeão escocês para a liga nacional e abre a pré-temporada do clube italiano, agora sob comando de Rubén Amorim.
Estádio lotado, TV e YouTube de olho no duelo
A bola rola no Celtic Park com casa cheia e atenção ampliada pela transmissão ao vivo do SportyNet, tanto na TV fechada quanto no YouTube, de forma gratuita.
O interesse vai além do rótulo de amistoso. De um lado, o Celtic defende o status de força dominante no país após conquistar o 56º título nacional, o quinto consecutivo. Do outro, o Milan tenta virar a página de uma temporada em que termina fora da zona de classificação para o principal torneio europeu de clubes.
O confronto reúne dois campeões tradicionais do continente, em fases distintas. O Celtic busca confirmação e ajustes finos. O Milan procura identidade, soluções baratas e respostas rápidas para um elenco em reformulação.
Celtic chega pressionado por desempenho, não por troféus
O time de Glasgow entra em campo com algo raro para quem não perde hegemonia doméstica: dúvidas sobre a forma exibida nos últimos testes.
Nos três amistosos anteriores da pré-temporada, o Celtic registra dois empates por 1 a 1, contra Shelbourne e Middlesbrough, e uma derrota por 4 a 1 para o Sporting. A série não abala o currículo recente, mas acende o alerta a pouco mais de uma semana da estreia na Premiership Escocesa, marcada para o dia 3 de agosto diante do Dundee United.
Martin O’Neill, técnico experiente e identificado com o clube, resiste a mudanças bruscas. Mantém a base dos jogos anteriores, com Sinisalo no gol e uma linha defensiva formada por Donovan, Carter-Vickers, Scales e Murray. No meio, Callum McGregor assume de novo a função de organizador, ladeado por Alex Oxlade-Chamberlain e McCardle.
No ataque, James Forrest segue como referência ofensiva e liderança em campo, acompanhado por Durán e McCowan. O treinador privilegia entrosamento e sequência, mesmo após atuações irregulares. O amistoso contra o Milan vira, na prática, o exame final antes da estreia oficial.
Estreia de Amorim redesenha o Milan em meio a ausências
Rubén Amorim chega ao Milan com a missão de modernizar o jogo da equipe em meio a um cenário menos generoso no orçamento para contratações. Ele substitui Massimiliano Allegri, que deixa o clube para assumir o Napoli, e estreia justamente contra um campeão nacional consolidado.
O técnico português aposta numa formação com três defensores para sustentar sua ideia de time agressivo, compacto e forte na pressão. A provável escalação tem Torriani no gol e um trio de zaga com Mario Gila, Gabbia e Pavlovic. Gila, recém-contratado da Lazio, pode fazer seu primeiro jogo com a camisa rossonera.
Os alas devem ser Samuel Chukwueze, pela direita, e Davide Bartesaghi, pela esquerda. No meio, Ricci e Fofana formam a dupla responsável por dar equilíbrio e ligar defesa e ataque. À frente, Amorim desenha um setor móvel com Ossola, Loftus-Cheek e Kostic.
O desafio inicial é lidar com uma série de desfalques. O Milan não conta com Gonçalo Ramos, que segue de férias após disputar o Mundial de Seleções por Portugal. Luka Modric também não retorna ainda do período de descanso. Christopher Nkunku sofre um problema físico e igualmente desfalca a equipe.
Outros nomes importantes da lista de baixas incluem o atacante Christian Pulisic, lesionado, além de Pietro Terracciano e Estupiñán. Rafael Leão, principal estrela ofensiva do elenco, tem presença incerta devido à possibilidade de deixar o clube na atual janela.
Último ensaio do Celtic, laboratório total para o Milan
O amistoso expõe objetivos bem distintos. Para o Celtic, a prioridade é medir se o time titular está pronto para repetir a superioridade doméstica. A atuação, mais do que o resultado, deve pesar nas decisões finais de O’Neill sobre escalação e pequenos ajustes táticos antes do Campeonato Escocês.
O setor defensivo, vazado em todos os amistosos até aqui, entra em observação. A forma física dos veteranos e o entrosamento entre McGregor e Oxlade-Chamberlain no meio de campo também aparecem como pontos centrais para a comissão técnica.
Para o Milan, o jogo tem função ainda mais estruturante. Amorim precisa testar na prática o esquema com três zagueiros, entender o nível de adaptação de reforços como Mario Gila e avaliar se jogadores de frente conseguem cumprir exigências de pressão alta e recomposição sem a ajuda de nomes pesados como Ramos, Modric e Nkunku.
O desempenho em Glasgow tende a influenciar também o mercado. Uma boa apresentação com elenco enfraquecido pode reduzir a pressão imediata por contratações e fortalecer o discurso de projeto coletivo. Uma atuação frágil, por outro lado, deve alimentar cobranças de torcedores e analistas por investimentos adicionais.
Olhar da imprensa e pressão antecipada
A estreia de Amorim é acompanhada de perto pela imprensa italiana e portuguesa. O técnico chega com reputação de montar equipes organizadas e competitivas, mas agora lida com a vitrine e a cobrança de um gigante europeu que convive com frustração recente.
Na análise pré-jogo, o jornalista Maurício Louro, que cobre esportes no portal ND Mais, projeta vantagem italiana. “Palpite: Celtic 1 x 2 Milan”, registra o repórter, que assina guias de transmissão, horários e análises para torcedores. A previsão reforça a percepção de que, mesmo em reconstrução, o Milan carrega expectativa de desempenho superior.
A repercussão do amistoso tende a ir além do placar. A forma como Amorim distribui funções, reage às dificuldades e usa o banco de reservas vira insumo para debates sobre o futuro do clube na temporada. O mesmo vale para a leitura de Martin O’Neill sobre possíveis fragilidades expostas às vésperas da liga doméstica.
A transmissão multiplataforma do SportyNet, com TV e YouTube, amplia o alcance do evento e reforça uma tendência recente: amistosos de pré-temporada deixam de ser assunto restrito ao torcedor mais fanático e ganham consumo massivo, com impacto direto na narrativa que acompanha os clubes desde o primeiro chute.
Quando a bola parar em Glasgow, Celtic e Milan terão mais do que um simples resultado para analisar. O campeão escocês saberá se está pronto para defender o pentacampeonato. O clube italiano terá os primeiros sinais concretos sobre até onde a era Rubén Amorim pode ir, num cenário de limitações financeiras, ausências importantes e expectativas sempre altas.