A suplência que pesa mais do que votos. Alessandro Bronze é apontado nos bastidores como provável suplente de Alberto Neto ao Senado, em meio aos alertas sobre os elos políticos e empresariais que cercam Antônio Rueda, dirigente nacional investigado pela Polícia Federal. Nos bastidores da disputa pelo Senado no Amazonas, o nome de Bronze volta a ganhar força e reabre o debate sobre até onde se estendem, no estado, os reflexos das investigações que envolvem Rueda e pessoas ligadas ao seu círculo de relações.
O tabuleiro do Senado no Amazonas voltou a se mexer com a possível confirmação de Alessandro Bronze como primeiro-suplente na chapa do deputado federal Alberto Neto, do PL. A composição segue em aberto, disputada nos bastidores por versões concorrentes que incluem uma eventual aliança entre Neto e o ex-governador Wilson Lima, e por movimentações paralelas do próprio Bronze junto à pré-candidata ao Governo, Maria do Carmo Seffair. Mas o simples fato de o nome de Bronze circular com força é, por si só, um sinal de alerta que merece leitura fria e detalhada.
Bronze não construiu trajetória política pelo voto. Chegou a Manaus ainda na década de 90 para administrar o porto privatizado da capital e, desde então, ergueu influência real nas áreas de portos, educação e saúde ao longo do Governo Estadual, sem nunca ter passado pelo crivo das urnas. É esse capital de bastidor, e não de mandato, que o credencia hoje como peça central de composições partidárias.
O problema é a companhia. Bronze foi, até recentemente, proprietário de um Cessna Citation hoje sob investigação da Polícia Federal na Operação Tank, que apura suposta infiltração do PCC no setor de combustíveis. A aeronave passou, na sequência, a integrar a frota de uma empresa de táxi aéreo que a PF associa a Rueda, presidente nacional do União Brasil. Bronze nega sociedade com Rueda e diz ter vendido o avião de forma legal. Mas a coincidência de rota, entre empresário e o presidente do União Brasil, já não pode ser tratada como acaso.
Rueda carrega, sozinho, um volume de exposição que nenhum partido deveria querer emprestar a um palanque regional. Mensagens trocadas por aplicativo com os empresários foragidos Beto Louco e Mohamad Mourad, hoje na lista da Interpol, integram a proposta de delação premiada recusada pela Procuradoria-Geral da República, mas seguem sob análise em três frentes de apuração da Polícia Federal, que tratam de fraude fiscal, lavagem de dinheiro e possível ligação com o crime organizado no mercado de combustíveis.
A isso soma-se a proximidade histórica da Federação União Progressista, que reúne União Brasil e PP, com o escândalo do Banco Master: Daniel Vorcaro segue preso, o banco foi liquidado, e nomes como Ciro Nogueira aparecem no radar de investigações que atingem diretamente o círculo político de Rueda.
Para o Amazonas, importar esse tipo de contaminação não é detalhe menor. É colocar sob suspeita um processo eleitoral que já enfrenta fraturas internas no PL e uma transição de governo delicada. E é, sobretudo, um risco direto para a própria candidatura de Alberto Neto, que corre o risco de ver seu discurso conservador e sua credibilidade pessoal atrelados a um nome cuja principal referência política é um dirigente partidário sob o cerco da PF.
Até as convenções, em 4 de agosto, o cuidado deveria e precisa ser redobrado. Órgãos de controle e a própria legenda têm a obrigação de examinar com rigor quem ocupa as vagas de suplência antes de referendar, ainda que indiretamente, um nome que carrega bagagem tão pesada e tóxica. O eleitor amazonense tem o direito de saber exatamente quem estará, de fato, elegendo.