A carne de jacaré produzida na Reserva Extrativista (Resex) Lago do Cuniã, em Porto Velho (RO), está mais perto de conquistar um dos principais reconhecimentos para produtos de origem no Brasil: a Indicação Geográfica (IG). O processo entra em uma nova etapa técnica entre os dias 1º e 6 de setembro, considerada decisiva para comprovar que o alimento possui características únicas ligadas ao território onde é produzido.
Caso a certificação seja aprovada futuramente pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), a carne poderá integrar o grupo de produtos brasileiros reconhecidos por sua origem e qualidade, ao lado de cafés, queijos, vinhos, mel e outras especialidades regionais.
O que é a Indicação Geográfica?
A Indicação Geográfica é um selo concedido a produtos que possuem características diretamente relacionadas ao local onde são produzidos. Na prática, o reconhecimento agrega valor, fortalece a identidade regional e aumenta a confiança do consumidor.
Para a carne de jacaré da Amazônia, a certificação pode representar um diferencial competitivo importante, abrindo espaço para novos mercados e impulsionando a cadeia produtiva sustentável da região.
Produção une preservação ambiental e geração de renda
Ao contrário da caça ilegal, a produção realizada na Resex Lago do Cuniã ocorre por meio de um sistema de manejo sustentável autorizado e fiscalizado pelos órgãos ambientais.
O modelo busca manter o equilíbrio das populações de jacarés na região, ao mesmo tempo em que cria uma fonte de renda para as comunidades tradicionais que vivem na unidade de conservação. O manejo segue critérios técnicos de monitoramento, controle sanitário e rastreabilidade da produção. Além da carne, o couro também pode ser aproveitado, aumentando o valor da cadeia produtiva.
O que pode mudar com o selo?
Entre os principais impactos esperados estão:
- valorização comercial da carne de jacaré;
- fortalecimento da identidade amazônica do produto;
- abertura de novos mercados;
- aumento da competitividade nacional;
- incentivo ao turismo gastronômico;
- geração de renda para comunidades extrativistas.
- Produto desperta interesse no mercado
Embora ainda seja um produto de nicho, a carne de jacaré vem conquistando espaço em restaurantes especializados e entre consumidores que buscam proteínas alternativas.
Ela é conhecida pelo baixo teor de gordura, alto teor de proteínas, textura macia e sabor suave, frequentemente comparado ao de peixes de carne firme ou aves.
Bioeconomia ganha força no Brasil
O avanço do processo acontece em um momento de fortalecimento das políticas voltadas à bioeconomia brasileira, modelo que busca gerar desenvolvimento econômico por meio do uso sustentável da biodiversidade, mantendo a floresta em pé e valorizando as comunidades tradicionais. A Estratégia Nacional de Bioeconomia estabelece diretrizes para ampliar esse tipo de produção sustentável em todo o país.
Entenda o contexto
A Reserva Extrativista Lago do Cuniã, em Rondônia, desenvolve há anos um modelo de manejo sustentável do jacaré autorizado pelos órgãos ambientais. Agora, o produto avança no processo para conquistar a Indicação Geográfica, certificação que reconhece a relação entre um alimento e seu território de origem. Se aprovado pelo INPI, o selo poderá ampliar a visibilidade da carne de jacaré, fortalecer a bioeconomia amazônica e gerar novas oportunidades para as comunidades locais, mantendo a conservação ambiental como parte do processo produtivo.