Soja, boi gordo e café iniciam a semana em direções diferentes; entenda os motivos

Enquanto soja e boi gordo encerraram a última semana em alta, o café canéfora registrou queda com o avanço da colheita. Já o arábica segue mais sustentado pela oferta restrita.
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Oferta, demanda e ritmo da colheita estão movimentando de forma diferente os principais mercados do agronegócio brasileiro neste início de semana. Enquanto a soja segue sustentada pelas exportações e o boi gordo continua firme diante da oferta restrita de animais para abate, o café canéfora enfrenta pressão com o avanço da colheita. Já o arábica mantém maior equilíbrio nas cotações devido à menor disponibilidade do grão.

Os dados são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP) e mostram que, embora façam parte do mesmo setor, as principais commodities do agro brasileiro respondem a fatores distintos de oferta, demanda e comércio internacional.

Exportações continuam sustentando a soja

A soja iniciou a semana em alta, impulsionada principalmente pela demanda internacional e pelo bom ritmo das exportações brasileiras. O movimento beneficia produtores de Mato Grosso, Paraná, Goiás e Rio Grande do Sul, estados que concentram grande parte da produção nacional.

Além da procura externa aquecida, a menor disponibilidade do grão em algumas regiões continua dando sustentação às cotações.

Oferta reduzida mantém firmeza no mercado do boi

Na pecuária, o principal fator de sustentação continua sendo a oferta mais limitada de animais prontos para o abate. Esse cenário mantém a arroba valorizada em importantes polos produtores, como Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e São Paulo, enquanto frigoríficos acompanham de perto a formação das escalas.

Duas variedades, comportamentos distintos

O mercado do café voltou a mostrar que cada variedade reage de forma diferente às condições de oferta.

O canéfora, cultivado principalmente em Espírito Santo, Rondônia e sul da Bahia, acumulou queda próxima de 4% na última semana, pressionado pelo avanço da colheita e pelo aumento da oferta.

Já o arábica, produzido majoritariamente em Minas Gerais e São Paulo, apresentou maior estabilidade. A menor disponibilidade do grão no mercado contribuiu para sustentar as cotações, mesmo em um cenário de colheita.

Raio-X do mercado

Soja – Indicador Cepea/Esalq (Paranaguá)
A saca de 60 quilos encerrou a sexta-feira cotada a R$ 148,37, com valorização de 4,01% na semana e de 11,07% no acumulado de julho. A demanda internacional, o câmbio e a menor oferta no mercado físico continuam sustentando as cotações.

Boi gordo – Indicador Cepea/Esalq (São Paulo)
A arroba fechou a R$ 344,20, acumulando alta de 2,11% na semana e 2,32% em julho. A oferta restrita de animais terminados e a necessidade dos frigoríficos de completar as escalas seguem dando suporte aos preços.

Café canéfora – Indicador Cepea/Esalq
A saca terminou a semana cotada a R$ 1.066,24, com queda de 4,01% em relação ao período anterior. O avanço da colheita em estados como Espírito Santo e Rondônia ampliou a oferta e pressionou o mercado.

Café arábica – Indicador Cepea/Esalq
A saca encerrou o período em R$ 1.692,59, com recuo de 1,15% na semana. Apesar da leve queda, o mercado segue relativamente mais sustentado que o do canéfora devido à menor disponibilidade do grão.

Impacto para o agro

O comportamento distinto entre soja, pecuária e café reforça que cada cadeia produtiva possui fundamentos próprios. Para o produtor, acompanhar esses movimentos é essencial para definir estratégias de comercialização, planejamento e gestão de risco.

Leitura do mercado

A tendência, segundo os especialistas, para esta semana é de manutenção da firmeza na soja e no boi gordo, desde que a demanda permaneça aquecida e a oferta siga controlada. No café, o avanço da colheita deve continuar pressionando o canéfora, enquanto o arábica tende a permanecer mais sustentado. O ritmo das exportações e o comportamento do mercado internacional seguirão sendo determinantes para a formação dos preços.

Fontes: Cepea/Esalq-USP.

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