O Dia dos Pais deste ano coloca o comércio de Fortaleza em clima de otimismo cauteloso. Levantamento da Fecomércio Ceará, em parceria com o Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento do Ceará (IPDC), projeta que a data movimente R$ 292 milhões no varejo da capital, um avanço nominal de 7% em relação ao ano passado.
Fortaleza mira uma das maiores datas do calendário
Os números divulgados nesta semana confirmam o Dia dos Pais como uma das principais engrenagens do calendário de vendas na cidade. O faturamento estimado supera o potencial do Dia dos Namorados, calculado em R$ 282 milhões, e só fica atrás de gigantes como Natal (R$ 540 milhões), Dia das Mães (R$ 470 milhões), Black Friday (R$ 426 milhões) e Dia das Crianças (R$ 308 milhões).
A pesquisa indica que cerca de 846 mil consumidores devem ir às compras para marcar a data. O resultado consolida um cenário de consumo mais favorável, embalado pela recuperação gradual da renda, pela melhora da confiança e pela ofensiva de campanhas promocionais nas vitrines físicas e digitais.
O presidente da Fecomércio Ceará, Luiz Fernando Bittencourt, resume o momento como uma combinação de apelo emocional e cálculo financeiro. “As datas comemorativas continuam desempenhando um papel importante para o comércio e para a economia local. No caso do Dia dos Pais, vemos um consumidor que mantém o desejo de presentear e celebrar em família, mas que também está mais atento ao orçamento e às condições de compra. Para o varejo, esse cenário reforça a importância de estratégias que combinem preços competitivos, promoções, qualidade e uma boa experiência para o consumidor”, afirma.
Menos impulso, mais planejamento no presente
O levantamento revela um consumidor dividido. Entre os entrevistados, 45,3% declaram que pretendem comprar presentes, 48% dizem que não vão gastar na data e 6,7% ainda não se decidiram. Entre os que vão às compras, prevalece a ideia de um gesto pontual: 68,4% planejam adquirir um único presente, 24,9% dois itens e apenas 6,7% pretendem comprar três.
O ticket médio estimado chega a R$ 268 por presente. A maior parte dos consumidores pretende gastar entre R$ 51 e R$ 200, enquanto 7,7% se dizem dispostos a desembolsar acima de R$ 500, o que abre espaço para artigos de maior valor agregado, como eletrônicos, relógios e peças de marca.
Por trás dos números, aparece um padrão já percebido em outras datas: o fortalezense quer manter a tradição de celebrar, mas calcula com cuidado cada real. A emotividade do abraço no pai precisa caber no orçamento do fim do mês.
Vestuário e cuidados pessoais puxam a fila
As escolhas de presente reforçam o protagonismo da moda e dos cuidados pessoais. Vestuário e acessórios lideram as intenções de compra, com 44,9% das respostas. Em seguida vêm sapatos, carteiras, cintos e bolsas, com 25%, e perfumaria e cosméticos, com 21,9%.
Relógios aparecem em 7,6% das intenções, ferramentas em 6,4%, celulares, smartphones e tablets em 4,6%, material esportivo em 4% e bebidas em 3,7%. O desenho da cesta aponta para estratégias de venda casada, kits promocionais e opções de personalização, sobretudo para quem aposta em lembrancinhas e decoração temática em lojas e shoppings.
Com esse perfil, lojistas de vestuário, calçados, perfumaria e acessórios tendem a concentrar boa parte da alta de faturamento. A disputa, porém, não se limita ao produto: pesam na decisão aparência da vitrine, ambientação especial de Dia dos Pais, atendimento atencioso e possibilidade de montar combinações de presentes em faixa de preço controlada.
Crédito sustenta consumo, mas acende alerta
A pesquisa mostra que metade das compras deve ser feita a prazo, com forte peso do cartão de crédito, citado por 47,3% dos entrevistados. Para o comércio, o parcelamento ajuda a destravar vendas e a elevar o tíquete. Para as famílias, representa maior exposição ao risco de endividamento, especialmente em um mês em que outras contas se acumulam.
As promoções surgem como principal gatilho de compra para 64,4% dos consumidores. Em seguida aparecem os preços, citados por 54,7%, a qualidade dos produtos, lembrada por 35,2%, a variedade de estabelecimentos, com 29,1%, e o atendimento, com 26,5%. O recado ao varejo é direto: sem oferta agressiva e condição facilitada de pagamento, o presente tende a encolher ou simplesmente sumir da lista.
Especialistas ouvidos pelo setor alertam que o uso intenso do crédito pode ter efeito colateral nas próximas datas comemorativas. Se a fatura do cartão pesar demais, há risco de consumidores reduzirem compras em períodos como Dia das Crianças e Natal, esfriando o ritmo que hoje anima os lojistas.
Serviços surfam na onda das celebrações em família
O impacto do Dia dos Pais não se restringe às sacolas de presente. Segundo o IPDC, 44,4% dos entrevistados pretendem comemorar a data de alguma forma. A maioria, 71,1%, opta por encontros em casa ou na residência de parentes, o que movimenta supermercados, atacarejos, padarias, lojas de bebidas e serviços de delivery.
Restaurantes aparecem como escolha para 16,9% dos consumidores, e praias ou clubes somam 6,5% das preferências. O cenário anima negócios de gastronomia e lazer, que apostam em menus especiais, reservas antecipadas e programação temática para atrair famílias. Buffets, serviços de decoração, música ao vivo e até espaços infantis também sentem o reflexo da data.
A combinação de compras de presentes, confraternizações em casa e saídas para bares e restaurantes amplia o alcance econômico do Dia dos Pais na cidade. Além do varejo tradicional, uma cadeia de serviços se beneficia, do motorista de aplicativo ao pequeno empreendimento de lembrancinhas personalizadas e decoração temática.
O que vem pela frente para o varejo de Fortaleza
Entidades do comércio leem o momento como oportunidade de testar estratégias que unam preço, experiência e conveniência. A expectativa é de intensificação das campanhas nos próximos dias, com reforço nas ações digitais, divulgação de combos promocionais e flexibilização das condições de crédito.
Para os lojistas, o desafio é transformar o impulso pontual do Dia dos Pais em relacionamento duradouro. Quem conseguir entregar boa experiência agora aumenta a chance de fidelizar o consumidor para datas futuras. Quem exagerar no estímulo ao crédito sem responsabilidade pode ver o cliente sumir mais à frente, estrangulado por dívidas.
No médio prazo, o comportamento que se desenha em Fortaleza é de um consumidor mais seletivo e bem informado, disposto a gastar em ocasiões especiais, mas pronto para cortar supérfluos se a fatura apertar. O Dia dos Pais deste ano funciona como termômetro dessa disposição e ajuda a calibrar o ânimo do varejo para o restante do calendário.