O Tribunal do Júri começou a julgar nesta terça-feira (28), no Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste de São Paulo, dois policiais militares acusados de matar Igor Oliveira de Moraes Santos, de 24 anos, durante uma abordagem em Paraisópolis, na zona sul da capital paulista. O caso ganhou repercussão nacional após imagens das câmeras corporais indicarem que o jovem já estava rendido no momento em que foi baleado.
Os cabos Renato Torquatto da Cruz e Robson Noguchi de Lima respondem por homicídio qualificado, com agravantes de motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima. Ambos estão presos preventivamente.
Já os soldados Hugo Leal de Oliveira Reis e Victor Henrique de Jesus também são réus no processo, mas respondem em liberdade. Segundo a denúncia do Ministério Público, eles teriam prestado apoio aos autores dos disparos durante a ação policial.
Imagens contradisseram versão inicial da PM
Inicialmente, a Polícia Militar informou que houve confronto armado durante uma perseguição a suspeitos de tráfico de drogas. No entanto, a investigação mudou de rumo após a análise das gravações feitas pelas câmeras operacionais portáteis dos próprios agentes.
As imagens mostram Igor rendido, com as mãos para cima, antes de ser atingido pelos disparos, afastando a hipótese de legítima defesa apresentada na versão inicial da corporação. O jovem morreu no local.
Julgamento pode se estender ao longo do dia
O julgamento teve início durante a manhã desta terça-feira (28) e a expectativa é de que se estenda ao longo do dia. A decisão do Tribunal do Júri definirá a responsabilidade criminal dos dois policiais acusados de efetuarem os disparos fatais.
Entenda o caso
O caso aconteceu em 3 de novembro de 2024, durante uma operação da Polícia Militar em Paraisópolis, na zona sul de São Paulo. Na ocasião, policiais perseguiam suspeitos de envolvimento com o tráfico de drogas quando abordaram Igor Oliveira de Moraes Santos, de 24 anos.
A versão inicial da PM afirmava que os agentes haviam reagido a uma troca de tiros. No entanto, as investigações ganharam um novo rumo após a análise das imagens gravadas pelas câmeras corporais dos policiais.
As gravações mostram que Igor estava rendido, com as mãos para cima, quando foi atingido pelos disparos. As imagens passaram a ser consideradas uma das principais provas do processo e levaram o Ministério Público a denunciar quatro policiais militares por homicídio.
Dois dos agentes, apontados como autores dos disparos, foram presos preventivamente e agora são julgados pelo Tribunal do Júri. Os outros dois respondem ao processo em liberdade, acusados de dar apoio à ação.
O caso teve grande repercussão em São Paulo e reacendeu o debate sobre o uso da força em abordagens policiais, a importância das câmeras corporais e a responsabilização de agentes públicos em ocorrências com morte.