O mercado do boi gordo encerra julho em recuperação. Depois de um início de mês marcado por maior pressão sobre os preços, a arroba voltou a ganhar força nas principais regiões produtoras do país, impulsionada pela oferta restrita de animais prontos para o abate e pela necessidade de frigoríficos recomporem suas escalas.
O Indicador Cepea/Esalq voltou a operar acima dos R$ 340 por arroba, enquanto negociações em São Paulo já alcançam entre R$ 350 e R$ 355, refletindo um ambiente de maior competição entre as indústrias pelos lotes disponíveis.
Na avaliação de analistas do setor, o mercado entra na reta final de julho mais firme do que no início do mês, quando o aumento pontual da oferta e o consumo doméstico mais lento limitaram novas valorizações.
Oferta menor muda o comportamento do mercado
O principal fator de sustentação continua sendo a baixa disponibilidade de animais terminados.
Com escalas de abate mais curtas em diversas regiões, frigoríficos voltaram a disputar lotes para garantir a programação das plantas industriais. Esse movimento alterou o equilíbrio entre oferta e demanda e permitiu a recuperação das cotações ao longo da segunda quinzena de julho.
Embora o consumo interno siga em ritmo moderado, a menor oferta de bovinos prontos para o abate tem sido suficiente para manter o mercado firme.
Como estão as principais praças pecuárias?
Levantamentos das consultorias mostram valorização praticamente generalizada nas principais regiões produtoras.
Praça – Arroba (R$/@)*
São Paulo R$ 350 R$ 355
Mato Grosso do Sul R$ 335
Mato Grosso R$ 322
Goiás R$ 320
Minas Gerais R$ 324
Pará R$ 330
Roraima R$ 338
Rondônia R$ 320
*Valores de referência para pagamento em 30 dias, conforme levantamento da Scot Consultoria.
Comparativo com junho
Em relação ao mês anterior, o mercado mostra uma recuperação consistente.
Depois de um junho com maior pressão sobre as negociações e de um início de julho mais lento, a redução da oferta de animais terminados permitiu a retomada das cotações na segunda quinzena do mês.
Segundo análises do Cepea, julho caminha para registrar um dos maiores valores nominais já observados para o período, reforçando a mudança de tendência nas últimas semanas.
E na comparação com julho de 2025?
Em termos nominais, a arroba segue acima dos níveis registrados no mesmo período do ano passado.
No entanto, especialistas alertam que o custo de reposição do rebanho continua elevado. Dados do Cepea mostram que a relação de troca entre boi gordo e bezerro atingiu um dos piores níveis da série histórica, exigindo mais arrobas para a compra de um único animal de reposição.
Por outro lado, a relação de troca com milho e soja melhorou em relação a 2025, reduzindo parte do custo de produção para pecuaristas que utilizam sistemas intensivos ou confinamento.
O que projeta a Safras & Mercado?
Na avaliação da Safras & Mercado, o principal suporte para os preços continua sendo a restrição na oferta de animais terminados.
Segundo o analista Fernando Henrique Iglesias, as escalas de abate permanecem relativamente curtas em boa parte do país, obrigando frigoríficos a disputar animais para manter o ritmo das plantas industriais.
A consultoria ressalta, entretanto, que o desempenho das exportações continuará sendo decisivo nas próximas semanas. Os embarques seguem relevantes, mas o ritmo diário desacelerou em julho na comparação com o mesmo período de 2025. Caso essa tendência permaneça, poderá limitar movimentos mais intensos de valorização da arroba.
Ainda assim, a expectativa da consultoria para o segundo semestre permanece positiva, sustentada pela menor disponibilidade de animais terminados e pela perspectiva de fortalecimento da demanda à medida que o mercado avança para a entressafra.
O que o pecuarista deve acompanhar?
O comportamento da arroba em agosto dependerá principalmente da evolução das escalas de abate, da oferta de animais terminados e do desempenho das exportações brasileiras de carne bovina.
Caso a disponibilidade continue restrita, a tendência é de manutenção da firmeza dos preços. Por outro lado, uma eventual recuperação da oferta ou uma desaceleração mais intensa das exportações poderá limitar novas altas.
Além do mercado físico, especialistas recomendam acompanhar os contratos futuros negociados na B3, que continuam refletindo uma expectativa mais otimista para os meses finais de 2026, e monitorar diariamente os indicadores de referência antes de definir o melhor momento para comercialização dos lotes.
Fontes: Cepea/Esalq-USP, Scot Consultoria, Safras & Mercado, Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC).