Com vantagem larga e pressão alta, o Santos recebe hoje a Universidad Central de Venezuela, às 21h30, na Vila Belmiro, pelo jogo de volta dos playoffs da Copa Sul-Americana. O time de Cuca joga por derrota de até dois gols para avançar às oitavas, enquanto os venezuelanos precisam de uma virada histórica.
Jogo decisivo em meio à turbulência
A noite no litoral paulista tem peso que vai além da classificação. Internamente, a partida é tratada como ponto de virada em uma temporada irregular, marcada por oscilações no Brasileirão e cobranças da torcida. Depois do empate por 2 a 2 com a Chapecoense, em casa, o Santos estaciona nos 22 pontos e ocupa a 14ª colocação na tabela nacional.
A Sul-Americana surge como chance concreta de resgatar confiança, receita e protagonismo internacional. O clube já garante prêmio relevante ao avançar de fase e mantém o calendário cheio em cenário de disputa simultânea com Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro.
Vinícius Teixeira, analista do RTI Esporte, resume o clima no clube: “A partida é vista internamente como divisor de águas para dar início a uma sequência positiva na temporada”.
Vantagem confortável, time forte e Neymar preservado
O 4 a 1 construído na ida, na Venezuela, oferece margem rara em mata-mata continental. O Santos pode perder por até dois gols de diferença e mesmo assim se classificar. Derrota por três leva a decisão para os pênaltis. A Universidad Central só avança direto se vencer por quatro ou mais gols.
Mesmo com o placar agregado favorável, Cuca não abre mão de força máxima. A ideia é controlar o jogo desde o início, responder à torcida e, ao mesmo tempo, administrar o desgaste físico do elenco às vésperas do confronto decisivo da Copa do Brasil contra o Remo, no fim de semana.
Neymar está relacionado, mas deve começar no banco, preservado justamente por essa maratona. “Neymar deve iniciar a partida no banco de reservas, ficando como opção para a etapa final”, afirma Vinícius Teixeira. A presença do camisa 10, ainda que entre os suplentes, muda o ambiente na Vila Belmiro e amplia a pressão sobre o rival venezuelano.
A base do Santos que vai a campo tem Gabriel Brazão no gol; Gabriel Menino ou Igor Vinicius, Lucas Veríssimo, Luan Peres e Escobar na defesa; Arão, Gabriel Bontempo, Rollheiser e Miguelito no meio; Barreal e Rony no ataque. Vinícius Lira, Gustavo Henrique e Pepê Fermino, todos com problemas musculares ou no joelho, estão fora.
“O Santos tem poder de fogo para impor um ritmo forte diante de sua torcida”, avalia Teixeira. Com velocidade pelos lados e jogadores de boa finalização de média distância, o time tende a explorar os espaços que a necessidade do adversário vai gerar.
Universidad Central precisa atacar e se expõe
Do outro lado, a Universidad Central chega descansada e pressionada. Sem calendário no Campeonato Venezuelano neste momento, a equipe de Daniel Sasso passa a semana inteira focada na partida na Vila. Tempo que, em tese, ajuda na preparação tática, mas não resolve o tamanho da missão.
O time precisa vencer por três gols para levar o duelo aos pênaltis ou por quatro para eliminar o Santos no tempo normal. Essa matemática obriga uma postura ofensiva desde o primeiro minuto. “A Universidad Central aposta no ataque formado por Zapata, Mosquera e Sosa para buscar a virada”, lembra Douglas Oliveira, do Estadão.
Edwin Mosquera e Juan Camilo Zapata, colombianos, já mostram no jogo de ida que podem incomodar a defesa santista. Samuel Sosa reforça o setor ofensivo, oferecendo chute de fora da área e bom aproveitamento em bolas paradas. Se a UCV repetir a vulnerabilidade defensiva da semana passada, porém, corre risco de sofrer novamente nas costas dos laterais e nas transições rápidas.
A formação provável dos venezuelanos tem Giancarlo Schiavone no gol; Kendrys Silva, Gonzalo Mottes, Edwin Peraza e Yohan Cumana na linha de quatro; Francisco Solé, Alexander González, Alexander Granko e Williams Lugo no meio; Mosquera e Zapata na frente. As substituições devem mirar ainda mais força de ataque conforme o placar da noite.
Arbitragem, transmissão e impacto esportivo
A arbitragem é paraguaia, com Carlos Benitez no apito, auxiliado por Roberto Cañete e Jose Villagra nas bandeiras. O VAR também fica a cargo de um trio do Paraguai, liderado por Ulises Mereles. A escala internacional reforça o peso do confronto nos bastidores da Confederação Sul-Americana.
O jogo tem ampla cobertura de TV e streaming: transmissão ao vivo em TV aberta pelo SBT, na TV fechada pela ESPN e via Disney+. A oferta múltipla de plataformas amplia a audiência potencial e atrai anunciantes, em especial pela presença de Neymar no elenco e pelo caráter decisivo do duelo.
Para o Santos, a classificação mantém o clube na rota das competições internacionais. Nas oitavas, o adversário será o Macará, do Equador, compromisso que envolve novas viagens, premiação em dólar e vitrine maior para jogadores como Barreal, Rollheiser e Rony, alvos constantes do mercado.
Para a Universidad Central, uma eliminação dentro do esperado preserva o planejamento modesto no cenário continental. Uma virada histórica, por outro lado, reposiciona o clube no mapa do futebol sul-americano e pode render novos patrocínios e valorização do elenco.
Quem ganha, quem perde e o dia seguinte
A noite na Vila Belmiro mexe com mais do que o placar agregado. Uma classificação tranquila reduz o ruído político no Santos, dá fôlego a Cuca e oferece ambiente menos tóxico para a sequência do Brasileirão. Também fortalece o discurso de Neymar, que tenta blindar os atletas mais jovens em meio às críticas públicas recentes.
Um eventual desastre, com eliminação em casa após 4 a 1 na ida, teria efeito devastador. Reacenderia debates sobre comando técnico, montagem de elenco e prioridades na temporada. Também colocaria ainda mais peso no duelo da Copa do Brasil, transformando cada partida decisiva em teste de sobrevivência.
O apito inicial às 21h30 abre um jogo que, no papel, parece encaminhado. A realidade do futebol sul-americano, no entanto, vive de noites improváveis. Hoje, a Vila Belmiro descobre se o Santos confirma o favoritismo ou entra para a lista de viradas que marcam a história da competição.
Onde assistir Santos x Universidad Central pela Sul-Americana?
O jogo passa ao vivo no SBT (TV aberta), na ESPN (TV fechada) e no streaming Disney+, com bola rolando às 21h30, horário de Brasília.
Qual o horário do jogo entre Santos e Universidad Central na Vila Belmiro?
A partida começa às 21h30, no horário de Brasília, hoje, na Vila Belmiro, em Santos.
Quais são as prováveis escalações de Santos e Universidad Central para o jogo da Sul-Americana?
O Santos deve jogar com Gabriel Brazão; Gabriel Menino (ou Igor Vinicius), Lucas Veríssimo, Luan Peres e Escobar; Arão, Bontempo, Rollheiser e Miguelito; Barreal e Rony. A Universidad Central tende a atuar com Schiavone; Kendrys Silva, Peraza, Mottes e Cumana; Solé, Alexander González, Granko e Lugo; Mosquera e Zapata.
O Santos tem vantagem no confronto contra a Universidad Central na Sul-Americana?
Sim. Depois de vencer a ida por 4 a 1 na Venezuela, o Santos pode perder por até dois gols que ainda assim avança. Derrota por três leva aos pênaltis.
Neymar vai jogar no jogo entre Santos e Universidad Central pela Sul-Americana?
Neymar está relacionado e deve começar no banco. A tendência é que fique como opção para entrar no segundo tempo, dependendo do andamento da partida.