Pesquisa Eleitoral: Lula lidera em 12 Estados e amplia vantagem

Pesquisa do TSE mostra Lula na liderança em 12 Estados, ampliando sua vantagem sobre adversários em regiões-chave do país.
Redação NC News
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Um levantamento das pesquisas eleitorais mais recentes indica que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera a corrida presidencial em 12 Estados, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) aparece à frente em 7. Em Goiás, o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) mantém vantagem isolada.

Mapa da disputa e peso de cada lado

Os números, a partir de levantamento de dados do TSE, realizado nesta quarta feira (29), mostram que Lula está à frente em Estados que reúnem 67,13 milhões de eleitores. Esse contingente responde por 42,29% do eleitorado brasileiro.

Flávio Bolsonaro lidera em Estados que somam 29,42 milhões de votantes, o equivalente a 18,53% do total. Goiás, onde Caiado desponta como terceira via competitiva, concentra 5,08 milhões de eleitores, ou 3,2% do eleitorado nacional.

O levantamento considera apenas as unidades da Federação sem empate técnico entre o primeiro colocado e o segundo nome numericamente à frente no cenário estimulado. O resultado considera só as UFs em que não há empate técnico entre o 1º colocado e 2º candidato numericamente à frente no cenário estimulado do embate presidencial.

Alagoas e Roraima ficam fora do quadro porque não há pesquisas recentes com íntegra disponível no TSE. Nos demais Estados, a disputa está tecnicamente empatada ou indefinida.

Nordeste e Norte garantem vantagem ao PT

A força de Lula se concentra no Nordeste e no Norte, regiões em que o PT constrói vantagem desde o início dos anos 2000. O presidente lidera em Amazonas, Amapá, Bahia, Ceará, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe.

Embora Lula esteja a frente em mais de uma região, sua vantagem política se concentra no Nordeste. A região é o principal reduto do PT desde 2002. Pelas pesquisas mais recentes, o petista pode vencer no primeiro turno em 8 dos 9 Estados nordestinos.

O dado é central para o cálculo eleitoral. Em 10 Estados, um dos presidenciáveis já supera 50% dos votos válidos, patamar que indica possibilidade de vitória em primeiro turno nesses locais. O desempenho de Lula no Nordeste tende a produzir um colchão de votos difícil de ser compensado em outras regiões.

No Norte, o petista também vai bem em colégios com crescimento demográfico acelerado, como Amazonas e Pará. O avanço nesse eixo reforça a base histórica do partido e amplia o raio de mobilização de prefeitos e governadores aliados.

Flávio Bolsonaro consolida reduto no Sul e Centro-Oeste

Flávio Bolsonaro lidera em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rondônia e Acre. O mapa desenha um cinturão de direita no Sul e no Centro-Oeste, com forte presença do agronegócio e de segmentos conservadores.

O senador vence no primeiro turno em Rondônia e Acre, mas esses dois Estados somam apenas 1,19% do eleitorado nacional, cerca de 1,88 milhão de pessoas. O desempenho expressivo em áreas pouco populosas dá visibilidade política, mas rende poucos votos na contagem final.

Na pré-campanha, Flávio tenta se firmar como representante do agro, estratégico em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, onde as pesquisas o colocam à frente. A aposta é reproduzir a fórmula que sustentou o bolsonarismo em disputas recentes, com forte discurso em defesa do setor rural e agenda liberal na economia.

Para reverter o cenário atual, há duas condições principais:

1) Flávio teria de ultrapassar Lula colégios relevantes, como o de Minas Gerais

ou

2) o candidato do PL também teria de melhorar seu desempenho em São Paulo, onde a direita teve vitórias em eleições recentes, mas agora está patinando.

Minas em aberto e a guerra dos palanques

Minas Gerais aparece como ponto mais sensível da disputa. Segundo maior colégio eleitoral do país, o Estado é tratado como fiel da balança nas campanhas presidenciais. “O Estado é o 2º maior colégio eleitoral do país e é um dos principais termômetros do resultado nacional. O presidente eleito venceu em Minas em 12 das 13 disputas realizadas de 1945 a 2022”, lembra o levantamento.

As pesquisas atuais colocam Lula à frente em Minas, mas o cenário político permanece em construção. O PT lançou Patrus Ananias como pré-candidato ao governo mineiro. O PL oficializou o deputado Domingos Sávio na corrida ao Senado. Nenhuma das duas chapas está fechada.

As siglas negociam alianças com partidos médios e prefeitos de cidades-polo, em busca de palanques competitivos que ampliem a exposição de Lula e Flávio no território mineiro. A engenharia passa por acordos para governo, Senado, Câmara e Assembleia Legislativa, com trocas de apoio e divisão de tempo de TV.

Minas também é termômetro da polarização nacional. Nos bastidores, dirigentes do PT veem o desempenho no Estado como indicador da chance de vitória ainda no primeiro turno. No PL, a leitura é inversa: reduzir a vantagem petista em Minas e crescer em São Paulo seriam condições mínimas para levar a eleição ao segundo turno.

São Paulo trava avanço petista

Em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, o quadro é mais áspero para Lula. Pesquisas apontam cenário embolado, com a direita ainda forte no interior e nas periferias urbanas.

Flávio Bolsonaro conta com o apoio do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do prefeito paulistano Ricardo Nunes (MDB). A dupla oferece estrutura, acesso a lideranças locais e narrativa de continuidade de políticas alinhadas ao bolsonarismo.

Para o PT, a dificuldade em ampliar a base paulista limita a capacidade de compensar eventuais perdas no Centro-Oeste e no Sul. A campanha presidencial deve intensificar agendas na região metropolitana, com foco em temas como emprego, tarifa de transporte e segurança pública.

Estratégias e próximos movimentos

A vantagem territorial de Lula obriga o PL a uma estratégia mais defensiva em parte do mapa e agressiva em Estados-chave. No curto prazo, a tendência é de concentração de recursos em Minas Gerais e São Paulo, enquanto o PT tenta consolidar o domínio no Nordeste e frear o avanço de Flávio em redutos de agronegócio.

O prazo de confirmação das candidaturas no TSE termina em meados de agosto, o que mantém alguma margem de manobra para rearranjos de palanques regionais. Novas pesquisas nos principais colégios eleitorais devem orientar a distribuição de tempo de TV, viagens e estrutura de campanha nas próximas semanas.

Com pouco mais de dois meses até a votação de outubro, o retrato atual mostra um presidente com base territorial robusta, um adversário competitivo em regiões decisivas e um Estado-chave, Minas Gerais, ainda em aberto. O desenho final desse mapa eleitoral tende a definir se o país vai a um segundo turno ou se uma das candidaturas consegue sacramentar a vitória já na primeira rodada.

 

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