Chuva de meteoros ilumina o céu nesta madrugada; veja o melhor horário para assistir

Descubra os melhores horários e locais para observar as chuvas de meteoros Delta-Aquárida do Sul e Alpha-Capricornídea no Brasil.
Redação NC News
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Duas chuvas de meteoros cruzam o céu do Brasil na madrugada desta sexta-feira, a partir das 1h30, e podem ser vistas a olho nu em áreas escuras do país. O fenômeno, formado pela Delta-Aquárida do Sul e pela Alpha-Capricornídea, deve produzir até 25 meteoros por hora, segundo estimativa da Agência Espacial Brasileira (AEB), mas a lua cheia atrapalha parte do espetáculo.

Fenômeno duplo em noite de lua cheia

A combinação de duas chuvas ativas ao mesmo tempo transforma a madrugada em uma espécie de maratona astronômica. Cada risco de luz é um grão de poeira cósmica queimando na atmosfera terrestre, o que popularmente se chama de estrela cadente.

O brilho natural do céu, porém, não ajuda. Com a lua cheia dominando o horizonte, apenas os meteoros mais intensos tendem a se destacar, sobretudo para quem observa de dentro das cidades. Na prática, a estimativa de 25 meteoros por hora vale para céus bem escuros, como áreas rurais ou praias afastadas, e não para regiões com forte iluminação urbana.

“Para ver esses meteoros, precisamos estar em um lugar muito escuro, porque essas partículas são muito pequenas, então o brilho é fraco. Se estivermos dentro da cidade ou em fase de lua cheia, não vamos conseguir enxergar; talvez só vai ver os mais brilhantes, que são mais raros”, afirma o professor Rodolfo Langhi, coordenador do Observatório Didático de Astronomia da Unesp.

Por que duas chuvas aparecem ao mesmo tempo

As chuvas de meteoros acontecem quando a Terra atravessa trilhas de partículas deixadas por cometas e asteroides em suas órbitas ao redor do Sol. Esses rastros são feitos de pequenas rochas e grãos de poeira, que viajam pelo espaço até serem capturados pela gravidade do planeta.

“Um cometa que vem lá de Netuno, por exemplo, atravessa as órbitas de todos os planetas, até dar uma volta no Sol. Quando se aproxima do Sol, ele vai esquentando a ponto de começar a soltar partículas. Essas partículas começam a girar na mesma órbita do cometa, e quando o planeta Terra passa por esse ‘rastro’ deixado acontece a chuva de meteoros”, explica Langhi.

Alguns desses cometas são famosos. O Halley, por exemplo, leva 76 anos para completar uma volta ao redor do Sol e também deixa trilhas capazes de gerar chuvas de meteoros periódicas. O princípio físico é o mesmo para diferentes chuvas: a Terra avança pela órbita e encontra, como se fosse uma nuvem de poeira, os destroços desses corpos gelados.

Os nomes das chuvas vêm da constelação da região do céu de onde os meteoros parecem surgir. Na madrugada desta sexta, as partículas associadas à Delta-Aquárida do Sul partem da constelação de Aquário, enquanto as da Alpha-Capricornídea se alinham com Capricórnio. Para o observador, porém, os riscos podem cruzar o céu inteiro, sem um ponto fixo.

Como, onde e quem deve observar

A recomendação dos astrônomos é simples: escolher um local escuro, afastado de postes e fachadas iluminadas, deitar no chão e olhar para cima com o campo de visão mais amplo possível. Não há necessidade de telescópios, binóculos ou câmeras especiais; na verdade, esses equipamentos limitam o ângulo de visão, o que prejudica a experiência.

Regiões rurais, praias distantes de centros urbanos e pequenas cidades com pouca iluminação pública são os cenários ideais. Mesmo capitais e áreas metropolitanas podem ter bons pontos, desde que o observador se afaste alguns quilômetros da mancha de luz principal. Para quem está no litoral ou em cidades históricas cercadas por mata preservada, a combinação de céu aberto e pouca luz artificial costuma render as melhores imagens ao vivo.

No Rio de Janeiro, por exemplo, a observação é possível, mas a qualidade vai depender do afastamento das áreas mais iluminadas. Morros, mirantes e trechos de praia longe de quiosques podem ajudar, desde que se evite luz direta no rosto ou nos olhos. Em qualquer região do país, quanto mais escuro, maior a chance de ver os meteoros mais discretos.

Do ponto de vista da segurança, especialistas sugerem planejamento básico: ir em grupo, levar agasalho, água, lanterna de luz fraca (de preferência com filtro vermelho) e avisar alguém sobre o local escolhido. O ideal é chegar com antecedência para que os olhos se acostumem à escuridão, processo que leva cerca de 20 a 30 minutos.

Impacto cultural, turismo astronômico e o que vem depois

Apesar dos limites impostos pela lua cheia, a dupla chuva desta madrugada mobiliza clubes de astronomia, escolas e observatórios didáticos em várias regiões. Instituições como a AEB e o observatório da Unesp veem no fenômeno uma chance concreta de aproximar o público da ciência, em uma experiência gratuita e ao ar livre.

Atividades de observação coletiva costumam atrair famílias, estudantes e curiosos. Para pousadas em áreas rurais e cidades com tradição em céu estrelado, o calendário de chuvas de meteoros também vira ferramenta de divulgação e ajuda a consolidar o chamado turismo astronômico. A busca por “chuva hoje” nas redes e nos aplicativos de clima dá lugar, por algumas horas, a mapas de estrelas e aplicativos de céu noturno.

Enquanto a maioria dos fragmentos se desfaz antes de tocar o solo, o fluxo de matéria é constante. “Quando vemos o meteoro riscando o céu e sumindo, é porque ele já virou poeira. Então essas partículas ficam em suspensão na atmosfera e vão caindo bem lentamente. Quando chove, a água da chuva traz essas partículas para o solo; por dia, estima-se que a Terra receba cerca de 40 toneladas de meteoros”, diz Langhi.

Quem perder a chuva dupla desta madrugada ganha uma segunda chance em breve. Em 12 de agosto, a chuva de meteoros Perseídeos entra em seu auge, com projeção de cerca de 100 meteoros por hora nas melhores condições. A visibilidade máxima ocorre no hemisfério norte, mas parte do fenômeno também pode ser vista do Brasil, sobretudo nas regiões Norte e Nordeste.

Dessa vez, a lua estará na fase nova, iluminando pouco o céu e favorecendo o contraste dos riscos luminosos. Astrônomos apostam que essa combinação, somada ao interesse despertado pela observação desta madrugada, pode ampliar o público e fortalecer iniciativas de educação ambiental e combate à poluição luminosa, hoje um dos principais inimigos do céu estrelado.

 

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