Morre Franco Baresi: veja reação à morte do ídolo italiano

Franco Baresi, lendário zagueiro do Milan e da seleção italiana, falece aos 66 anos, deixando um legado inesquecível no futebol.
Redação NC News
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Franco Baresi, um dos maiores zagueiros da história do futebol, morre aos 66 anos em Milão. Ídolo absoluto do Milan e símbolo da seleção italiana, ele deixa um legado que atravessa gerações.

O clube rossonero anuncia o falecimento nesta sexta-feira e confirma a comoção que toma conta da Itália. A causa da morte não é informada pelas fontes oficiais.

Milan em luto por seu eterno capitão

O Milan trata a partida de Baresi como um golpe em sua própria identidade. Em nota, o clube afirma que “a história do Milan está em lágrimas pela morte de Franco Baresi” e descreve o ex-zagueiro como parte inseparável de sua essência.

“Seu exemplo e sua profundidade serão, para sempre como sua camisa número 6, parte integrante e fundamental do DNA e do caminho de todo o clube”, diz o texto divulgado nesta sexta. A mensagem estende condolências à família e à torcida: “As condolências que o AC Milan estende à família de Franco Baresi em um momento tão difícil são compartilhadas por todo rossonero, que sente essa perda como sua própria”.

A comoção não se limita a San Siro. O luto se espalha por torcedores de rivais, ex-companheiros e adversários que enfrentaram o capitão de um dos times mais dominantes do futebol europeu. A morte atinge um personagem que, para muitos, sintetiza o que significa ser “jogador de um clube só”.

Da base rossonera ao topo do mundo

Baresi chega ao Milan ainda adolescente, em 1974, para as categorias de base. Estreia na Serie A em 23 de abril de 1978 e, poucos anos depois, já comanda o time em campo. Aos 22 anos, assume a braçadeira de capitão. Nunca mais a devolve.

Defende apenas o Milan em toda a carreira profissional. Disputa 719 partidas com a camisa rossonera e atravessa fases opostas: sofre com rebaixamentos, lidera reconstruções e se torna referência técnica e moral do clube. É peça central da defesa que marca época na Europa sob comando de treinadores como Arrigo Sacchi e Fabio Capello.

Os números ajudam a dimensionar seu impacto. Pelo Milan, conquista 6 Campeonatos Italianos, 3 Copas dos Campeões da Europa (atual Liga dos Campeões), 2 Copas Intercontinentais, 3 Supercopas da Europa e 4 Supercopas da Itália, além de títulos em divisões inferiores que simbolizam a reconstrução do clube.

Quando pendura as chuteiras, em 1997, o Milan toma uma decisão rara: aposenta a camisa 6. O gesto cristaliza a ideia de que, no imaginário do torcedor, aquele número é sinônimo de Baresi.

Figura central da Azzurra e dos Mundiais

Pela seleção italiana, Baresi também se torna nome incontornável. Veste a camisa da Azzurra em 81 partidas e marca 1 gol, mas é na liderança defensiva que se firma como referência.

Integra o elenco campeão mundial em 1982, ainda jovem, sem entrar em campo, e depois assume papel de protagonista em outras campanhas da Itália em grandes torneios. Atua em três edições do Mundial de Seleções: 1982, 1990 e 1994.

Na decisão de 1994, contra o Brasil, joga lesionado, após artroscopia no joelho durante o torneio, e volta a tempo da final em Los Angeles. Faz partida memorável, mas erra uma das cobranças na disputa de pênaltis que dá o título à seleção brasileira. A imagem do capitão italiano chorando após a derrota se torna uma das cenas mais marcantes da história recente do futebol.

A morte de Baresi reacende essas memórias. Também reforça o peso de sua figura como ponte entre gerações de torcedores, tanto do Milan quanto da Itália.

Cirurgia no pulmão e símbolo olímpico em Milão

Nos bastidores, a saúde de Baresi já preocupava há algum tempo. Em 2025, ele passa por cirurgia para retirada de um nódulo pulmonar. A intervenção é bem-sucedida e, em público, o ex-zagueiro retoma a agenda de aparições institucionais.

Este ano, participa da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina como um dos condutores da chama olímpica. A presença, ao lado de outras lendas do esporte italiano, reforça seu status de embaixador permanente do país e da cidade.

O anúncio da morte, meses depois, surpreende torcedores que ainda guardavam a imagem recente do ídolo sorridente no estádio olímpico. A ausência de informações sobre a causa amplia o espaço para especulações e para a preocupação em torno da saúde de ex-atletas de alto rendimento.

Reação da federação e impacto no futebol italiano

O presidente da Federação Italiana de Futebol, Giovanni Malagò, resume o sentimento nacional em comunicado oficial. “O futebol italiano perdeu uma de suas lendas. Um campeão extraordinário que vestiu apenas duas camisas ao longo de sua carreira: a do Milan e a da Azzurra”, afirma.

Malagò destaca a escolha de lealdade do zagueiro: “Uma escolha romântica, que lhe garantiu um lugar no coração dos torcedores e de milhões de italianos”. O dirigente promete homenagens nos próximos compromissos da seleção. “Vamos nos lembrar dele como ele merece durante as próximas partidas da seleção, equipe pela qual ele sempre demonstrou dedicação excepcional, tornando-se um de seus símbolos mais gloriosos”.

Na prática, a morte de Baresi cria um vácuo simbólico. O Milan perde um embaixador que participava de eventos, lançamentos e ações de marketing. A Azzurra perde um rosto reconhecido globalmente, presente em cerimônias, sorteios e celebrações ligadas à história do futebol italiano em competições europeias e no Mundial.

Empresas, organizadores de eventos e gestores esportivos também sentem o impacto. Baresi era presença constante em campanhas que usavam nostalgia e tradição para vender produtos e fortalecer marcas. Sem ele, clubes e federação precisarão reposicionar sua estratégia de culto a ídolos.

Legado de lealdade em um futebol em transformação

A morte de Baresi ganha peso adicional em um momento em que o futebol se torna cada vez mais marcado por transferências recordes, trocas frequentes de camisa e identidades fluidas. A trajetória de quem veste apenas o mesmo clube por mais de duas décadas parece, hoje, quase uma anomalia.

Para torcedores do Milan, o antigo capitão personifica a ideia de pertencimento. Sua imagem, constantemente usada pelo clube para se apresentar ao mundo, ajuda a fixar uma narrativa de tradição e conquistas que transcende resultados recentes. A perda mexe com a autoestima rossonera e reforça a necessidade de preservar memória e história.

No plano mais amplo, o desaparecimento de uma figura que brilhou em grandes campanhas da Azzurra em torneios continentais e no Mundial alimenta o debate sobre como o futebol italiano cuida de suas lendas após a aposentadoria, inclusive na dimensão da saúde. A cirurgia no pulmão, a participação recente em grande evento olímpico e o silêncio sobre a causa da morte formam um pano de fundo que tende a mobilizar médicos, dirigentes e ex-jogadores.

Enquanto o país se prepara para minutos de silêncio, faixas nas arquibancadas e camisas erguidas ao céu, o legado de Franco Baresi começa a mudar de lugar: deixa o campo da idolatria presente e entra definitivamente no território da memória histórica. Nos próximos meses, Milan e federação devem anunciar tributos permanentes, de estátuas a centros de treinamento e programas de base batizados com seu nome. O debate sobre lealdade, identidade e pertencimento no futebol, mais uma vez, passa pelo número 6 que não volta a ser usado em San Siro.

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