O candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad afirmou que um comandante da Polícia Militar indicado pelo governador Tarcísio de Freitas foi afastado do cargo sob suspeita de ligação com o Primeiro Comando da Capital, o PCC.
A declaração foi feita nesta sexta-feira (31) durante uma agenda de campanha no Vale do Paraíba. O tema ganhou repercussão em meio a investigações que apuram possíveis relações entre integrantes da Polícia Militar e pessoas ligadas à facção criminosa.
O que Haddad afirmou?
Durante entrevista à Rádio Nova Brasil Vale, Haddad afirmou que o ex-comandante-geral da Polícia Militar de São Paulo, coronel José Augusto Coutinho, indicado pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) para o comando da corporação, foi afastado após ser citado em uma investigação que apura a atuação de policiais em um esquema ligado ao PCC.
“Eu nunca ouvi alguém de São Paulo falar que a corporação, sobretudo a cúpula da corporação, que é uma corporação honrada do ponto de vista moral, estivesse envolvida com o crime organizado. Pode acontecer numa corporação de um membro da corporação trair os compromissos assumidos com a sua corporação, trair o seu juramento. Isso acontece numa igreja, pode acontecer num exército, pode acontecer num partido, pode acontecer em qualquer lugar, mas eu estou falando do comandante geral da Polícia Militar. Coronel Coutinho hoje é uma pessoa investigada pelo Ministério Público por envolvimento com o PCC”, afirmou o político.
A declaração foi feita pelo candidato no contexto da disputa pelo governo de São Paulo e coloca a segurança pública no centro do debate eleitoral.
O caso também ocorre em meio a investigações que levantaram suspeitas sobre possíveis relações entre integrantes da cúpula da PM e operadores financeiros ligados à facção.
Quem é o comandante citado?
A declaração de Haddad se refere ao coronel José Augusto Coutinho, que comandou a Polícia Militar de São Paulo e deixou o posto em abril de 2026.
O nome do oficial apareceu em investigações que analisam possíveis relações entre integrantes da PM e operadores financeiros apontados como ligados ao PCC.
É importante destacar, porém, que aparecer citado em uma investigação não significa, por si só, que uma pessoa tenha sido condenada ou que sua participação em crimes tenha sido comprovada.
Informações divulgadas sobre a Operação Janus apontam que Coutinho e outros coronéis foram mencionados em documentos da investigação, mas não foram alvos dos mandados de prisão ou de busca e apreensão cumpridos na operação.
O que as investigações apuram?
Uma das investigações que trouxe os nomes de oficiais da PM à tona é conduzida pelo Ministério Público de São Paulo e envolve suspeitas de lavagem de dinheiro e movimentação de recursos para integrantes do PCC.
Segundo informações divulgadas sobre a Operação Janus, investigadores identificaram indícios de proximidade entre operadores financeiros da facção e coronéis da Polícia Militar.
Em documentos analisados pelo Ministério Público, também aparecem referências a possíveis pagamentos e contatos entre operadores investigados e integrantes da corporação. As apurações, no entanto, não significam que todos os policiais citados sejam formalmente acusados de participação no esquema.
Qual é a relação com Tarcísio?
A discussão ganhou dimensão política porque Haddad relacionou o caso à gestão do governador Tarcísio de Freitas.
O petista afirmou que o comandante havia sido indicado pelo governador e usou o episódio para fazer críticas à administração estadual na área da segurança pública.
A declaração ocorre em meio à disputa eleitoral pelo governo de São Paulo, na qual a segurança pública é um dos principais temas de debate entre os candidatos.
O comandante foi acusado de ligação com o PCC?
O caso exige cuidado na interpretação. O nome do coronel José Augusto Coutinho apareceu em documentos de investigações que analisam relações entre policiais e operadores financeiros ligados ao PCC.
Segundo informações divulgadas sobre a Operação Janus, o oficial não foi alvo direto da operação e não havia sido denunciado formalmente no âmbito daquela ação. A defesa de Coutinho afirmou que ele não possui envolvimento com os fatos investigados.
Por isso, a informação deve ser tratada como suspeita e objeto de apuração, e não como uma ligação criminosa comprovada.