Leo Jardim, Carrascal, de La Cruz e mais; veja as notícias que agitam os bastidores do Flamengo

Leonardo Jardim enfrenta críticas e decisões difíceis em meio a negociações importantes no clube carioca.
Redação NC News
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O Flamengo atravessa a semana sob fogo cruzado: enquanto Leonardo Jardim vê sua liderança contestada por analistas, a diretoria trava o mercado com recusas milionárias e negociações ousadas para reformular o ataque.

O clube rejeita ofertas que somam R$ 116 milhões por Emerson Royal e Léo Pereira, avança para vender Gonzalo Plata e tenta investir cerca de R$ 204 milhões em Luiz Henrique, além de costurar a chegada de Thiago Almada.

Jardim sob questionamento e temporada “sob risco”

O desempenho do time de Leonardo Jardim vira tema diário em programas esportivos e faz crescer a sensação de temporada em risco entre torcedores e comentaristas. O colunista Mauro Cezar Pereira descreve o português como “perdido e abatido” e vê um descompasso estrutural entre o que o técnico pede e o que o elenco pode entregar.

“Até agora, há uma clara incompatibilidade entre o que ele quer fazer e o perfil do elenco. O elenco não foi montado pra esse tipo de jogo. Mais reativo, de velocidade, de explosão. (…) Ele tá claramente perdido, muito abatido na coletiva”, afirma Mauro Cezar.

O Flamengo tenta hoje executar um modelo mais direto e físico, distante da equipe que, sob Filipe Luís, apostava em posse de bola, pressão alta e saída organizada desde a defesa. Na prática, o que se vê em campo, segundo o colunista, é “uma bagunça”.

Arnaldo Ribeiro enxerga impacto direto nos resultados e pinta um quadro preocupante no Brasileirão e na Libertadores. “A temporada do Flamengo, que teve a primeira parte com o Filipe e agora a segunda com o Leonardo Jardim, está, de fato, sob risco. A distância para o Palmeiras é considerável. O Palmeiras está nas três frentes, o Flamengo só está em duas, já foi eliminado da Copa do Brasil. E, na Libertadores, ele tem um cruzamento complexo”, analisa.

Vaidade, pressão e o “maior inimigo” rubro-negro

A troca de comando alimenta um debate mais amplo sobre rumo e vaidade no clube. Para Juca Kfouri, a mudança desfez um trabalho vencedor e expôs o Flamengo a turbulências desnecessárias.

“A gente sempre disse que o maior inimigo do Flamengo é o próprio Flamengo. E aí a gente está vendo isso acontecer por uma questão de vaidade. (…) Infelicitando a Nação e todos aqueles que querem ver bom futebol, coisa que o Flamengo está longe de apresentar”, dispara o jornalista.

Jardim ganha agora um intervalo de 10 dias sem jogos para tentar ajustar a equipe, ouvir lideranças do elenco e resgatar comportamentos que marcaram o time recente, como a retomada da pressão na saída de bola adversária e o encaixe defensivo nas jogadas aéreas. A paciência, porém, parece mais curta à medida que a distância para o líder aumenta e os mata-matas se aproximam.

Mercado aquecido: recusas milionárias e aposta em reforços

Enquanto o desempenho em campo desperta críticas, a diretoria tenta preservar a espinha dorsal e, ao mesmo tempo, redesenhar o ataque. O clube rejeita propostas da Inglaterra e da Turquia por dois titulares: Emerson Royal, alvo do Aston Villa, e Léo Pereira, cobiçado pelo Besiktas. Cada oferta gira em torno de 10 milhões de euros, cerca de R$ 58 milhões. Somadas, passam de R$ 116 milhões, mas ficam na gaveta.

O presidente Luiz Eduardo Baptista, o BAP, justifica a linha dura. “A venda de qualquer atleta é possível desde que faça sentido econômico e que a gente consiga repor sem perder dinheiro”, diz. A leitura interna é clara: abrir mão de dois jogadores de confiança de Jardim, em meio a um momento técnico delicado, poderia implodir de vez a temporada.

Ao mesmo tempo, o Flamengo se mexe para dar novas armas ao treinador. O clube prepara um investimento pesado para trazer Luiz Henrique, atacante do Zenit. A oferta já apresentada gira em torno de 35 milhões de euros, aproximadamente R$ 204 milhões. O jogador tem autorização para deixar o futebol russo, vê com bons olhos o retorno ao Brasil e desperta interesse de outros clubes, como o Botafogo, que hoje encontra mais obstáculos financeiros para viabilizar a volta.

Em outra frente, Thiago Almada aparece como alvo prioritário para o meio-campo ofensivo. As tratativas com o Atlético de Madrid avançam sob a sombra da perda de espaço do argentino no elenco espanhol, após a chegada do sul-coreano Lee Kang-In. A boa relação recente entre os clubes ajuda a alimentar o otimismo na Gávea.

Saída de Plata, caso De la Cruz e volta de Carrascal

O movimento de entradas e saídas também passa por Gonzalo Plata. O equatoriano negocia sua transferência para o Zenit, e as conversas avançam nas últimas horas, ainda sem acordo final. Em recuperação de uma tendinite no joelho, o atacante não viaja com a delegação e permanece no Rio de Janeiro, afastado dos jogos, enquanto seus representantes tratam da mudança.

O envolvimento russo nos dois lados do balcão — possível compra de Plata e saída de Luiz Henrique — pode redesenhar por completo o setor ofensivo rubro-negro, hoje questionado pela irregularidade e pela falta de profundidade no elenco.

No meio-campo, o Flamengo lida com dois casos distintos. Nicolás De la Cruz sinaliza positivamente para um empréstimo ao Peñarol, que intensifica conversas para levá-lo de volta ao futebol uruguaio. A operação, se concretizada, ajudaria o clube a aliviar a folha salarial e abrir espaço para os novos reforços.

Jorge Carrascal, por sua vez, recebe sinal verde para voltar. O Superior Tribunal de Justiça Desportiva libera o meia após suspensão por expulsão, e o colombiano vira opção imediata para Jardim em uma fase em que o técnico precisa de alternativas criativas e fisicamente inteiras.

Flamengo diz “não” ao CT na Copa feminina e mira miniestádio

Fora das quatro linhas, o clube decide enfrentar a organização do Mundial de Seleções Feminino de 2027. A diretoria recusa o pedido para que o Ninho do Urubu sirva como centro de treinamento de seleções durante o torneio, alegando impacto direto no planejamento esportivo e no caixa.

BAP cita a experiência com o último Mundial de seleções masculino para justificar a posição. Segundo ele, o clube fica cerca de 70 dias sem receitas quando o calendário nacional para. “Não é uma obrigação. A gente não entende que deva parar. Trouxemos todas as atividades que nós tínhamos das categorias de base para dentro do CT. (…) Agora, nós temos feito um planejamento entre os campos que temos”, afirma.

O Flamengo planeja ainda concluir, até meados do próximo ano, um miniestádio para aproximadamente 4.500 pessoas dentro do Ninho. A arena serve para jogos de base, futebol feminino e elenco principal em treinos abertos, reforçando a decisão de blindar a estrutura de eventuais interdições em datas de grandes torneios.

A estratégia, porém, tende a alimentar o debate público sobre o papel dos clubes em grandes eventos internacionais e a imagem da instituição perante o futebol feminino. A diretoria sustenta que o foco está na sustentabilidade do calendário e no uso integral de uma infraestrutura que custou caro para ser construída.

Os próximos capítulos passam por três frentes: a capacidade de Leonardo Jardim de virar o jogo técnico em um elenco em xeque, a conclusão das negociações por Plata, Luiz Henrique e Thiago Almada, e o avanço das obras no CT. A combinação de resultados em campo e decisões de bastidor definirá se o Flamengo atravessa a instabilidade atual como um tropeço de meio de temporada ou como o início de uma crise mais profunda.

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