Últimas notícias de Eduardo Bolsonaro: choro, recuo e aposta EUA

Eduardo Bolsonaro enfrenta reviravoltas e consolida afastamento político durante visita aos EUA.
Redação NC News
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Eduardo Bolsonaro vive uma semana de exposição máxima nos Estados Unidos. O ex-deputado, condenado pelo Supremo Tribunal Federal e inelegível por oito anos, chora em público, ataca o Judiciário brasileiro, encontra o primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu e, ao mesmo tempo, recua da disputa eleitoral ao Senado em 2026.

Entre a Flórida e Washington, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro tenta se afirmar como articulador internacional do bolsonarismo enquanto consolida seu autoexílio em solo americano, agora amparado por um green card obtido em 20 de julho de 2026.

Choro na Flórida e ataques ao STF

Na Flórida, durante o lançamento da TLTV, canal fundado pelo blogueiro Allan dos Santos, Eduardo sobe ao palco visivelmente abalado. Diante de uma plateia de apoiadores, ele volta a falar em “perseguição” e expõe o temor constante de ser preso ao circular fora dos Estados Unidos.

“Por acompanhar essa perseguição, a gente começa a perceber que vale a pena aprender com o exemplo dos outros. Vi o Allan ficar três anos sem ver os filhos. Eu não consigo imaginar ficar tanto tempo assim”, afirma, com a voz embargada, antes de começar a chorar e ser abraçado pelo anfitrião.

Ele descreve a rotina de viagens sob o risco de mandados internacionais. “Você vai para uma viagem, você chega em um local e sei lá se vai ser preso. E aí você se pergunta: caralh*, por que que eu estou fazendo isso tudo, podendo deixar os meus moleques em casa ser poder ver o pai?”, diz, ainda chorando, ao relatar o medo de ser detido fora dos EUA e afastado da família.

No mesmo evento, Eduardo eleva o tom contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Após a inauguração, compartilha uma postagem de Allan dos Santos que chama o magistrado de “psicopata de merda”. Em suas redes, reforça o ataque: “Chamei Alexandre de Moraes de ‘psicopata de merda’”, afirma, exibindo orgulho da ofensa.

O ato na TLTV também reúne personagens centrais do universo bolsonarista investigado pela Justiça, como o ex-deputado Alexandre Ramagem, considerado foragido após deixar o Brasil para evitar prisão relacionada aos atos golpistas. Eduardo afirma que há “um monte de gente ferrada pelo 8 de janeiro” e cita a situação de Jair Bolsonaro, a quem se refere como “meu pai fudid*”.

Defesa de Flávio e ameaça a desafetos

Eduardo usa o palco para defender o irmão Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PL, e atacar críticos à campanha. Ele demonstra irritação com especulações sobre supostos vídeos íntimos envolvendo o senador e estrangeiras, e reserva menções diretas ao deputado Kim Kataguiri, que já havia comentado o tema em um podcast.

Na fala, reclama da exposição da família de Flávio. “E ninguém parou para olhar para a Fernanda, esposa do Flávio. Estão destruindo uma família, e os caras nem aí, falando como se fosse a coisa mais natural do mundo, dando risada”, afirma. Em seguida, ameaça fisicamente adversários políticos ao projetar um eventual retorno ao país. “Quando voltar para o Brasil, dá vontade de pegar de porrada esses moleques”, diz, sem citar nomes, mas num recado evidente à ala liberal da direita que se distancia do bolsonarismo.

A cena ajuda a cristalizar a estratégia do ex-deputado: reforçar a narrativa de perseguição, galvanizar a base mais radical, blindar a imagem de Flávio e manter Jair Bolsonaro como mártir político, agora descrito por ele como “incomunicável”.

Blair House, Netanyahu e a campanha de Flávio

Em Washington, o roteiro muda de cenário, mas não de objetivo. Eduardo é recebido na Blair House, residência oficial para líderes estrangeiros, onde Netanyahu está hospedado. O encontro ocorre em meio a uma reunião com líderes evangélicos americanos, ambiente em que o bolsonarismo tenta fincar raízes desde o governo Jair Bolsonaro.

Eduardo relata ter conversado com Netanyahu e Sara Netanyahu sobre “desafios atuais”, a saúde do ex-presidente e as eleições brasileiras, com foco na campanha de Flávio. Ele lembra que Jair Bolsonaro já usou a mesma residência em visita oficial aos EUA e cita interlocuções anteriores com Matt Schalpp, CEO da conferência conservadora CPAC, e com Filipe Martins, ex-assessor de Bolsonaro preso no Brasil por descumprir medidas judiciais.

Ao deixar a Blair House, o ex-deputado resgata uma imagem idealizada do período em que o pai ocupava o Planalto. “Foram tempos em que o Brasil caminhava ao lado das grandes democracias ocidentais, fortalecendo sua parceria com os Estados Unidos e Israel. Tenho convicção de que esses dias voltarão. E não falta muito”, afirma.

Netanyahu também entra diretamente na disputa eleitoral brasileira. Em vídeo exibido na convenção nacional do PL que oficializa Flávio como candidato, o premiê israelense elogia o senador. “Você é um campeão da amizade entre nossos povos (…) Eu sei que você conduzirá o Brasil a patamares cada vez mais elevados”, diz, reforçando a aproximação entre a direita israelense e o bolsonarismo.

Inelegível por oito anos, Eduardo recua do Senado

Enquanto circula por palcos nos EUA, Eduardo enfrenta um cerco judicial no Brasil. Condenado pelo Supremo Tribunal Federal por coação no curso do processo, ele recebe pena de 4 anos e 2 meses de reclusão em regime semiaberto, além de 8 anos de inelegibilidade. A decisão atinge em cheio seus planos eleitorais.

Até poucos dias atrás, o ex-deputado articulava disputar as eleições de 2026 como suplente de André do Prado ao Senado. Desiste após aconselhamento jurídico e avalia o risco de ver a chapa questionada. No X, faz o anúncio em tom calculado. “Decidi não concorrer como suplente de André do Prado após ouvir advogados e refletir profundamente sobre o atual cenário brasileiro”, escreve.

A vaga na suplência fica para Fernando Fiori de Godoy e Rute Costa, nomes alinhados ao grupo, mas sem o peso simbólico do filho do ex-presidente. A saída de cena eleitoral de Eduardo, ao menos formalmente, obriga o bolsonarismo a concentrar suas fichas na candidatura de Flávio e na sobrevivência política de Jair Bolsonaro, ainda envolto em inquéritos e restrições judiciais.

O green card emitido em 20 de julho oferece ao ex-deputado uma retaguarda concreta: direito de residir, trabalhar e acessar serviços de saúde nos EUA, sem depender de vistos temporários. Na prática, amplia o fôlego de seu autoexílio iniciado em fevereiro de 2025 e lhe dá tempo para apostar em redes internacionais e em veículos como a própria TLTV para falar ao público brasileiro à distância.

Bolsonarismo sob pressão e efeito externo nas eleições

A combinação de condenação judicial, autoexílio e articulação internacional coloca Eduardo no centro de uma disputa que extrapola fronteiras. A decisão do Supremo projeta o tribunal como ator decisivo no combate à coação e ao assédio a instituições, ao mesmo tempo em que alimenta, no campo bolsonarista, a narrativa de que “figuras de direita” são alvos preferenciais da Justiça.

No Brasil, aliados do governo Lula leem o encontro com Netanyahu e o uso de lideranças estrangeiras em peças de campanha como tentativa de influenciar o eleitorado com apoio externo. A presença de Eduardo em ambientes como a CPAC e eventos evangélicos nos EUA reforça a construção de uma rede transnacional conservadora, interessada em disputar narrativas sobre democracia, liberdade de expressão e sistema eleitoral brasileiro.

Para o bolsonarismo, a ausência de Eduardo nas urnas em 2026 é um golpe prático. Sem ele na linha de frente, a família concentra capital político em Flávio e em candidaturas de aliados, enquanto busca manter Jair Bolsonaro como referência moral e vítima de “injustiça”. A base mais radical se mobiliza nas redes e na diáspora, mas enfrenta um Judiciário disposto a aplicar penas a líderes políticos.

Os próximos meses tendem a ser marcados por novos recursos da defesa de Eduardo, ações de bastidor em Brasília e mais aparições dele em palcos estrangeiros. A incógnita é se essa estratégia, ancorada em solo americano e em mídia alternativa, conseguirá manter vivo o seu projeto político até que, em algum momento, se torne possível testar novamente sua força nas urnas brasileiras.

Eduardo Bolsonaro pode disputar eleições hoje?

Não. Ele está inelegível por 8 anos devido à condenação do Supremo Tribunal Federal por coação no curso do processo, o que bloqueia sua participação em disputas eleitorais.

Eduardo Bolsonaro está preso?

Não. Ele vive em autoexílio nos Estados Unidos desde 2025, com green card obtido em julho de 2026, e não cumpre a pena no Brasil porque permanece fora do país.

O que é a TLTV e por que Eduardo esteve lá?

A TLTV é um canal de TV lançado na Flórida pelo blogueiro Allan dos Santos. Eduardo participou da inauguração para reforçar laços com a mídia bolsonarista no exterior.


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