Fuga de 11 presos no RN revela falhas graves no presídio de Natal

Escaparam 11 detentos por túnel no presídio de Natal; governo inicia apuração rigorosa para evitar novas fugas.
Redação NC News
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

Onze presos fogem por um túnel aberto a partir do vaso sanitário de uma cela da Penitenciária Rogério Coutinho Madruga, na Grande Natal. Três já são recapturados; oito seguem foragidos enquanto forças de segurança fazem uma caçada em várias cidades do Rio Grande do Norte.

Fuga pela tubulação, areia sob o colchão e muro vencido

A fuga acontece na madrugada de sexta-feira, quando treze detentos deixam a mesma cela por um buraco aberto após a retirada de um vaso sanitário de alumínio e concreto. Dois são interceptados ainda na área interna do presídio. Os outros onze conseguem pular o muro e escapar.

As câmeras de monitoramento registram a movimentação em tempo real e alertam os policiais penais. Quando a equipe entra na cela, encontra uma grande quantidade de areia espalhada pelo chão e escondida sob os colchões, sinais de que o túnel vinha sendo cavado há dias sem ser percebido.

O secretário de Administração Penitenciária, Helton Edi Xavier, admite que a escavação é planejada. “Não foi um trabalho que foi feito do dia para a noite”, afirma. Em outra declaração, ele detalha a engenharia improvisada dos presos: “Eles tiraram o vaso sanitário, que é uma estrutura que a gente tem lá de alumínio e concreto. Eles arrancaram o vaso, obviamente tem um buraco no vaso, por onde saem os dejetos, cavaram, fizeram uma espécie de túnel para empreender fuga”.

Caçada em curso e presos baleado, recapturado e internado

A reação policial começa ainda na sexta-feira, com a recaptura de Julianderson Francisco Nogueira. Entre a noite e a madrugada, outros dois fugitivos são detidos em áreas rurais de Nísia Floresta: Isaac Deodato Rodrigues e Diogo da Luz Silva.

Diogo é localizado em uma área de mata após cerco da Polícia Militar. Ele resiste à prisão, é baleado, recebe atendimento emergencial e é levado para o Hospital Regional Deoclécio Marques, em Parnamirim. O estado de saúde é estável, segundo a Secretaria de Administração Penitenciária.

Com as três recapturas, oito dos 11 fugitivos continuam soltos. As buscas envolvem Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal, Guarda Municipal de Parnamirim e Polícia Rodoviária Federal. Barreiras são montadas em estradas e equipes vasculham zonas rurais e áreas de mata na região metropolitana de Natal, aumentando a sensação de tensão em cidades próximas.

Pressão política, disputa de versões e sistema em xeque

O caso cai no colo do governo estadual e reacende o debate sobre a fragilidade do sistema prisional potiguar, já marcado por rebeliões e fugas em massa. A governadora Fátima Bezerra acompanha a crise desde as primeiras horas e declara que não aceita a repetição de episódios traumáticos.

“É inadmissível o que aconteceu hoje. Tenho total confiança e respeito pelos bons profissionais, mas eventuais erros devem ser apurados e os responsáveis levados à Justiça”, afirma a governadora. Ela determina investigação rigorosa para identificar se houve negligência ou facilitação dentro da unidade.

Do lado dos servidores, o tom é de desgaste. A presidente do Sindicato dos Policiais Penais do Rio Grande do Norte, Vilma Batista, responsabiliza decisões de gestão que, segundo ela, enfraquecem a rotina de segurança. “Para os policiais penais é muito triste e muito frustrante, tendo em vista que toda responsabilidade só cai em cima de quem está na ponta, na linha de frente”, diz.

O sindicato sustenta que há falta de investimentos e flexibilização de procedimentos que deveriam ser rígidos, como vistorias estruturais frequentes nas celas e na base de vasos sanitários, além de efetivo suficiente para rondas internas. A categoria afirma ter alertado a secretaria para riscos como o que agora se confirma.

Histórico de fugas amplia temor e cobra resposta estrutural

A Penitenciária Rogério Coutinho Madruga fica em Nísia Floresta, ao lado do maior complexo prisional do estado, na Grande Natal. O local, conhecido por anos como Pavilhão 5 de Alcaçuz, carrega o peso de rebeliões e mortes em série, além de fugas por túneis na região metropolitana.

A memória recente inclui episódios extremos: 26 presos mortos em uma rebelião em Alcaçuz e 91 detentos que escapam por um túnel na Penitenciária Estadual de Parnamirim, em outra unidade da Grande Natal. Esses números voltam ao debate agora como prova de que o problema é crônico e não pontual.

Para moradores de cidades como Nísia Floresta, Parnamirim e Natal, o impacto é imediato. A circulação de oito foragidos aumenta o medo, pressiona o policiamento e interfere na rotina de bairros periféricos e comunidades rurais. Comerciantes fecham mais cedo, escolas reforçam protocolos e grupos de mensagens se enchem de relatos e boatos sobre supostos avistamentos.

Dentro do sistema prisional, a fuga abala a credibilidade de uma política que vinha sendo vendida como mais rígida e tecnológica, com câmeras, controle eletrônico e protocolos padronizados. O fato de os presos conseguirem remover um vaso sanitário, cavar um túnel e acumular areia em grande volume sem que isso fosse barrado levanta dúvidas sobre o funcionamento real dessas barreiras.

O governo promete mudanças. A Secretaria de Administração Penitenciária abre procedimento administrativo para apurar a cadeia de responsabilidades e revisar rotinas de fiscalização estrutural nas unidades. A tendência é de aumento de recursos para monitoramento eletrônico, revisão de estruturas físicas das celas e possível mudança de comando na penitenciária.

As próximas semanas devem ser decisivas para definir o alcance político e administrativo do episódio. Tudo depende da rapidez nas recapturas restantes e da profundidade da investigação interna. A cada hora com oito fugitivos nas ruas, cresce a pressão para que o Rio Grande do Norte, com capital em Natal e fronteiras com Paraíba, Ceará e Pernambuco, prove que é capaz de controlar seus presídios e evitar que o passado se repita.

O que aconteceu na fuga dos onze presos no Rio Grande do Norte?

Onze presos fugiram da Penitenciária Rogério Coutinho Madruga, em Nísia Floresta, na Grande Natal, após arrancarem o vaso sanitário de uma cela, cavarem um túnel e pularem o muro do presídio; treze detentos passaram pela abertura, dois foram recapturados ainda na unidade e oito continuam foragidos.

Quantos presos ainda estão foragidos após a fuga na penitenciária do RN?

Oito presos seguem foragidos após a fuga na Penitenciária Rogério Coutinho Madruga, em Nísia Floresta, na região metropolitana de Natal; dos 11 fugitivos que conseguiram deixar o presídio, três já foram recapturados pelas forças de segurança estaduais em operações realizadas entre a tarde de sexta-feira e a madrugada deste sábado.

Quais medidas o governo do RN está tomando após a fuga dos presos?

A governadora Fátima Bezerra determinou investigação rigorosa sobre a fuga, com abertura de procedimento administrativo pela Secretaria de Administração Penitenciária, reforço do policiamento externo, uso integrado de Polícia Militar, Civil, Penal e Rodoviária Federal nas buscas e promessa de responsabilizar judicialmente servidores ou gestores que tenham cometido negligência ou facilitação.


Carregar Comentários