A aposta de Larry Ellison para transformar a Oracle em uma das maiores potências mundiais da inteligência artificial atravessa seu momento mais delicado. Em menos de um ano, o fundador da empresa viu sua fortuna encolher mais de US$ 200 bilhões, enquanto as ações da companhia despencaram e a dívida atingiu níveis históricos.
O empresário, que figurava entre os homens mais ricos do planeta, enfrenta agora a maior crise financeira de sua trajetória recente, impulsionada pelos elevados investimentos em data centers voltados à inteligência artificial.
Fortuna despenca após queda da Oracle
Desde o pico registrado em setembro de 2025, as ações da Oracle acumulam forte desvalorização, reduzindo drasticamente o patrimônio de Ellison.
A fortuna do bilionário, que chegou perto de US$ 388 bilhões, caiu para cerca de US$ 170 bilhões, eliminando mais de US$ 200 bilhões em valor patrimonial e fazendo o executivo perder posições entre as maiores fortunas do mundo.
Apesar da queda, Ellison continua entre os empresários mais ricos do planeta.
Aposta bilionária em IA aumenta pressão
A Oracle decidiu acelerar sua expansão no mercado de inteligência artificial por meio da construção de uma gigantesca rede de data centers.
O principal projeto é o Stargate, iniciativa anunciada ao lado da OpenAI e apresentada na Casa Branca como um investimento que pode alcançar US$ 500 bilhões em infraestrutura para IA.
O objetivo é disputar espaço com gigantes como Amazon, Microsoft, Alphabet e Meta, que já investem pesadamente nesse setor há vários anos.
Dívida recorde preocupa investidores
Para financiar essa expansão, a Oracle elevou fortemente seus investimentos. Somente no ano fiscal de 2026, a empresa destinou cerca de US$ 55,7 bilhões para novos projetos de infraestrutura, principalmente data centers.
Ao mesmo tempo, registrou forte consumo de caixa e viu sua dívida ultrapassar US$ 160 bilhões, aumentando a preocupação dos investidores.
Embora a receita da divisão de computação em nuvem continue crescendo, o mercado teme que o retorno financeiro demore mais do que o esperado.
Contrato bilionário ainda não gera receita
Grande parte da estratégia depende de um contrato estimado em aproximadamente US$ 300 bilhões firmado com a OpenAI. O acordo prevê pagamentos ao longo de cinco anos, mas os primeiros repasses relevantes só devem começar em 2027.
Esse intervalo entre os altos investimentos atuais e a entrada das receitas tornou-se um dos principais pontos de preocupação para analistas financeiros.
Mercado liga sinal de alerta
A situação levou agências de classificação de risco a revisar a avaliação de crédito da Oracle. Com uma dívida crescente e necessidade constante de financiamento, investidores acompanham de perto a capacidade da companhia de manter o ritmo de expansão sem comprometer sua saúde financeira.
Especialistas alertam que uma desaceleração dos investimentos pode afetar não apenas a Oracle, mas toda a cadeia global da inteligência artificial, incluindo fabricantes de chips, empresas de energia, construtoras de data centers e provedores de computação em nuvem.
O futuro da Oracle depende dos próximos anos
Apesar do cenário desafiador, a Oracle mantém uma carteira bilionária de contratos e aposta que a demanda por inteligência artificial continuará crescendo nos próximos anos.
Se conseguir transformar esses contratos em receitas e equilibrar seu fluxo de caixa, a empresa poderá consolidar sua posição entre as maiores plataformas globais de infraestrutura para IA.
Caso contrário, o mercado teme que a atual pressão financeira aumente ainda mais, colocando em risco um dos projetos tecnológicos mais ambiciosos da década.
Enquanto investidores aguardam os próximos balanços, Larry Ellison enfrenta o maior teste de sua carreira: provar que a aposta bilionária na inteligência artificial será capaz de compensar as perdas que já ultrapassam US$ 200 bilhões em sua fortuna.