Kiko, do grupo KLB, se despede em público do lutador de MMA Allan Puro Osso Nascimento, morto aos 34 anos após um ataque cardíaco enquanto dormia. O cantor chama o atleta de “irmão de alma” e relata que um “pedaço” dele se desliga com a perda.
Homenagem emocionada nas redes e laço de família escolhida
A notícia da morte de Allan Puro chega na noite de segunda-feira e abala o círculo de amigos e familiares do lutador. Nas redes sociais, Kiko publica um álbum de fotos e um longo texto em que tenta organizar o luto e explicar a dimensão do vínculo entre os dois.
O cantor lembra que Allan foi criado junto com ele e os irmãos Leandro e Bruno, como se fosse mais um filho de Franco Scornavacca, morto aos 70 anos em 2018. Na mensagem, Kiko descreve o lutador como parte inseparável da rotina da família.
“Hoje um pedaço de mim se desliga desse plano…. Meu caçula, meu irmão mais novo, não consigo entender os planos de Deus”, escreve o músico. Ele conta que não consegue escolher apenas algumas fotos, porque Allan está em praticamente todos os momentos importantes: festas, shows, viagens, reuniões em casa.
Na homenagem, Kiko define o amigo como “o irmão que nós escolhemos, o filho que meus pais não geraram, mas dividia o mesmo amor”. Para o cantor, essa convivência transforma o lutador em parte oficial da família, mesmo sem laço de sangue.
Parceria criativa entre o octógono e o palco
A relação ultrapassa a intimidade doméstica e chega à vida profissional dos dois. Kiko lembra que ajudou Allan a criar o tema musical usado em suas entradas nas lutas do UFC, um trabalho que mistura o universo do pop romântico do KLB com a energia do MMA.
O músico descreve o lutador como um parceiro de planos, alguém com quem traçava objetivos para o futuro. “Fazer seu tema de entrada nas lutas, planejar passos, sonhar, acreditar, realizar…. Você tinha muitoooooooo ainda para deixar a gente viver do teu lado”, afirma.
Ele destaca que, para ele e os irmãos, o KLB nunca foi apenas um trio. “Eu, Leandro, Bruno, temos um orgulho sem fim de contar ao mundo que o KLB sempre foram quatro”, escreve, reforçando a ideia de que Allan completava a formação, mesmo fora dos palcos.
Essa interseção entre palco e octógono ajuda a explicar a comoção que se espalha entre fãs de música e do MMA. A imagem de Allan não é só a de um atleta, mas também a de um personagem presente na trajetória do grupo, dos bastidores aos encontros com o público.
Dor, legado afetivo e alerta sobre a fragilidade
No texto, Kiko admite não saber como será a rotina a partir de agora. “Eu não sei como serão os dias, como serão os planos, eu não sei como será acordar nesse mundo sabendo que você não está mais aqui, irmão”, desabafa.
Ele chama Allan de “elo, sorriso, piada, alegria” e diz que escolher tê-lo como irmão de alma foi “uma das melhores escolhas” de sua vida. Em tom religioso, afirma acreditar que pessoas com a aura do lutador não permanecem muito tempo por aqui: “Os anjos Deus recolhe primeiro”.
Kiko também descreve o amigo como “filho impecável, irmão exemplar, tio indescritível, amigo insubstituível”. A sequência de elogios ajuda a desenhar um perfil de alguém central na rede de afetos em volta do KLB, mesmo longe dos holofotes principais.
A morte repentina de Allan, ainda jovem e vinculado a um esporte que exige alto preparo físico, também joga luz sobre a vulnerabilidade de atletas de alto rendimento. Em paralelo à comoção, o episódio ecoa debates sobre acompanhamento médico, exames preventivos e a pressão permanente do desempenho.
Promessa de reencontro e futuro das homenagens
No fim da homenagem, Kiko mira no passado e no céu para tentar se consolar. Pede que Allan abrace Ayrtão, pai do lutador, e Franco, seu próprio pai. Em tom carinhoso, fala em dar um “cascudo” nos dois por terem partido tão cedo e promete repetir o gesto com o amigo quando, segundo ele, se reencontrarem.
“Te amo, meu irmãozinho, para todo sempre. Lágrimas na Terra, festa nos céus: o Allan Puro Anjo chegou”, encerra o cantor. A frase resume o conflito entre a fé que sustenta o luto e o choque de perder alguém aos 34 anos.
A partir de agora, Kiko, Leandro e Bruno precisam reorganizar o cotidiano sem a presença do quarto irmão que sempre apresentaram ao público. A tendência é que novos shows e projetos do KLB tragam referências à memória de Allan, seja em menções no palco, seja em possíveis homenagens musicais.
Entre fãs do grupo e do MMA, a notícia ainda se espalha e desperta manifestações de solidariedade nas redes. A despedida pública feita por Kiko indica que o legado de Allan Puro deve seguir vivo na interseção entre música, esporte e laços de família escolhida, enquanto amigos e admiradores buscam formas de transformar a dor em tributo.