Um incêndio de grandes proporções atinge nesta terça-feira a indústria química Quema Química, em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo, e mobiliza ao menos 30 viaturas do Corpo de Bombeiros. O fogo atinge 24 tanques de solventes altamente inflamáveis, provoca explosões em sequência e forma uma densa nuvem de fumaça preta sobre a região.
O incêndio começa por volta das 15h22, na área de tanques da fábrica, que produz solventes e resinas de poliéster. As chamas se espalham rapidamente, alcançam dois pontos da unidade e avançam para um terreno vizinho. Até o momento, as autoridades não registram vítimas, mas o combate segue em andamento no fim da tarde.
Explosões em série e evacuação às pressas
Os primeiros chamados ao Corpo de Bombeiros levam oito viaturas ao endereço. Com a confirmação de que o fogo envolve tanques de produtos voláteis, o efetivo é ampliado progressivamente até chegar a 30 viaturas, numa operação que envolve dezenas de bombeiros. As equipes trabalham para conter as chamas e resfriar as estruturas que armazenam solventes.
A própria corporação descreve a prioridade da ação. “As equipes seguem no combate às chamas e isolaram a área para garantir a segurança da população”, informam os bombeiros. A Polícia Militar e a Defesa Civil do Estado também acompanham a ocorrência, que mantém moradores e trabalhadores do entorno em alerta.
As explosões se estendem por mais de três horas após o início do incêndio, segundo relatos da operação. A cada detonação, a nuvem de fumaça ganha volume e se espalha por bairros próximos, elevando a preocupação com impactos à saúde e à qualidade do ar. O fogo atinge o pátio da indústria, a área de tanques e um terreno ao lado.
Moradores retirados e energia cortada
O avanço das chamas e o risco de novas explosões levam à retirada de moradores de casas próximas à fábrica. “Cerca de 150 pessoas precisaram ser retiradas de casas no entorno da ocorrência”, informam os bombeiros. Famílias deixam imóveis às pressas levando documentos, roupas e animais de estimação, enquanto o trânsito no entorno é bloqueado.
Em um primeiro momento, a Defesa Civil avalia que não seria necessário evacuar residências, mas a dimensão do incêndio e a persistência das explosões mudam o plano. A partir do fim da tarde, o isolamento da área é ampliado, e ruas de acesso à indústria são fechadas para circulação de carros e pedestres.
A concessionária EDP interrompe o fornecimento de energia em trechos do bairro para reduzir riscos elétricos durante a operação. “Por medida de segurança, o fornecimento de energia foi interrompido no entorno da fábrica”, informa a empresa. A religação depende da liberação da área pelo Corpo de Bombeiros após o controle total das chamas.
Funcionários relatam correria e saída em segurança
Dentro da Quema Química, o início do incêndio pega a equipe de surpresa. Erivan de Souza, operador de empilhadeira e de processos químicos, está na unidade quando o fogo começa. Ele descreve a rapidez da propagação das chamas na área dos tanques. “Foi tudo muito rápido”, afirma.
Segundo o funcionário, a prioridade imediata é retirar todos os trabalhadores. A unidade fabril é esvaziada de forma preventiva enquanto as primeiras explosões são ouvidas. Outros galpões industriais da região também suspendem atividades e esvaziam dependências, em resposta aos alertas das autoridades.
A reportagem tenta contato com a direção da Quema Química para detalhar protocolos de segurança e o impacto na produção, mas a empresa ainda não se manifesta. A fábrica integra a cadeia de fornecimento de solventes e resinas para diferentes segmentos industriais, o que tende a provocar efeito econômico ao menos temporário.
Risco ambiental e investigação em curso
O incêndio envolve 24 tanques de solventes com capacidade de 31 metros cúbicos cada, segundo informações da operação. O volume de produtos inflamáveis e tóxicos em combustão eleva o risco de contaminação do ar e do solo. Órgãos ambientais do Estado e do município são acionados para acompanhar a situação.
Especialistas alertam que a fumaça de solventes e resinas pode conter compostos prejudiciais ao sistema respiratório, principalmente para idosos, crianças e pessoas com doenças pré-existentes. As orientações iniciais às comunidades próximas incluem manter janelas fechadas, evitar exposição prolongada à fumaça e procurar atendimento médico em caso de mal-estar.
As causas do incêndio ainda são desconhecidas. A Polícia Científica deve começar a perícia assim que os bombeiros controlarem totalmente os focos de fogo e os tanques estiverem resfriados. A apuração tende a avaliar desde possíveis falhas em equipamentos e sistemas de prevenção até o cumprimento de normas de segurança e armazenamento de produtos perigosos.
O episódio pressiona o poder público a revisar planos de emergência para áreas industriais densas na Grande São Paulo, onde depósitos de químicos convivem com bairros residenciais. A Prefeitura de Itaquaquecetuba informa que apoia o combate com caminhão-pipa e caminhão de abastecimento de água e promete acompanhar as investigações e os eventuais pedidos de reparação de danos.
Com o fogo ainda em combate nesta noite, o foco das autoridades é impedir o colapso de estruturas, evitar novas explosões e reduzir o impacto da fumaça tóxica sobre a população. Na sequência, o município e os órgãos ambientais devem medir o alcance da poluição, definir ações de limpeza e, se necessário, propor mudanças nas regras de segurança para indústrias químicas na região.
O que se sabe até agora sobre o incêndio em Itaquaquecetuba?
O incêndio na indústria Quema Química, em Itaquaquecetuba, atinge 24 tanques de solventes de 31 metros cúbicos, mobiliza 30 viaturas dos bombeiros, provoca explosões por horas e força a evacuação de cerca de 150 moradores; não há registro de vítimas até o momento, e as causas ainda serão investigadas pela perícia.
A fumaça do incêndio pode causar problemas de saúde?
A fumaça liberada pelo incêndio na Quema Química, que envolve grandes volumes de solventes e resinas inflamáveis, pode causar irritação nos olhos, nariz e garganta, crises respiratórias em pessoas vulneráveis e mal-estar geral; moradores próximos são orientados a evitar exposição, manter janelas fechadas e procurar atendimento em caso de sintomas.
Quando a energia será restabelecida na região afetada?
A religação de energia na área em torno da Quema Química, em Itaquaquecetuba, depende da liberação do local pelo Corpo de Bombeiros, que ainda combate o incêndio; a EDP mantém o fornecimento suspenso por segurança e só retomará o serviço após garantia de que não há mais risco de explosões ou curtos-circuitos.