Flamengo: Pressão aumenta para fechamento de elenco em semana de Libertadores

Flamengo corre contra o tempo para inscrever reforços nas oitavas da Libertadores e acompanha movimentações do mercado.
Redação NC News
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O Flamengo entra na reta final da semana sob forte pressão: precisa inscrever reforços até as 18h desta sexta-feira para as oitavas da Libertadores e ainda não fechou nenhuma chegada.

No centro da estratégia está o meia argentino Thiago Almada, alvo prioritário da diretoria e peça tratada como essencial para qualificar o meio-campo antes do duelo com o Cruzeiro.

Negociação por Almada domina a pauta

O clube carioca concentra energia e tempo na tentativa de tirar Almada do Atlético de Madrid. O jogador quer mudar de ares e também tem proposta do River Plate, o que acirra a disputa e eleva a tensão nos bastidores rubro-negros.

O diretor de futebol José Boto viaja à Argentina para tratar do negócio cara a cara com o estafe do meia. Sai da reunião com uma mensagem firme e pública sobre os limites do Flamengo. “Fui lá deixar claro para eles que nós não entraríamos em leilões. Aquilo que nós combinamos é aquilo que vai ser se ele quiser vir para o Flamengo”, afirma.

A postura revela a encruzilhada atual do clube. De um lado, a urgência esportiva de reforçar o elenco em um momento decisivo da temporada. De outro, a necessidade de respeitar um orçamento já pressionado pelos cerca de R$ 495 milhões gastos em aquisições nesta temporada, incluindo operações de alto impacto como a volta de Lucas Paquetá.

Meio-campo é o ponto mais sensível

Leonardo Jardim identifica o meio-campo como setor mais carente. Hoje, a criação passa basicamente pelos pés de Arrascaeta e, em menor escala, de Carrascal. A comissão técnica não vê ali, ainda, a variedade de recursos necessária para encarar uma maratona de mata-mata continental.

O treinador cobra reforços, mas também defende cautela. “Uma medida importante é saber quanto teremos para investir. Temos necessidades, mas vamos ver o que o dinheiro será suficiente para buscar. Não vamos trocar por trocar. Vamos trazer jogadores que consigam acrescentar”, diz. Ele cita diretamente a lacuna no setor criativo: “Nesse momento, a meia está um pouco no Arrascaeta e, às vezes, o Carrascal. Poderíamos ter um jogador ali diferente”.

Almada, versátil, capaz de atuar centralizado ou partindo de lado para dentro, encaixa na radiografia feita por Jardim. O problema é o tempo. A negociação se arrasta há semanas, o relógio da inscrição corre e nenhuma assinatura aparece à vista.

Ponta, centroavante e o efeito dominó

O planejamento inicial prevê mais dois reforços para o ataque: um ponta-direita e um centroavante. São posições listadas como carentes pela comissão técnica, mas o clube ainda não abre frentes concretas por nomes nessas funções. A ordem é esperar a definição de Almada para só então acelerar em outros alvos.

Essa estratégia cria um efeito dominó perigoso. Enquanto o Flamengo se concentra em um negócio complexo, o prazo da Conmebol se aproxima e o espaço para manobra diminui. Se Almada não vier a tempo, é provável que ponta e centroavante também fiquem para depois, pelo menos em relação às oitavas.

Jardim sabe que pode ter de encarar o Cruzeiro com o grupo atual, repetindo cenários de temporadas recentes em que o Flamengo atravessa fases de mata-mata sem grandes novidades. A diferença é que, desta vez, o rival direto se arma agressivamente no mercado.

Cruzeiro se reforça, pressão aumenta

O Cruzeiro soma seis contratações para o confronto, entre elas o lateral-esquerdo Rojas, o volante Zé Lucas, o meia Gabriel Pec e os atacantes Lucho Rodríguez, Wesley e João Costa. O pacote reforça a sensação de desequilíbrio momentâneo entre os elencos para o duelo que abre no dia 12, no Mineirão.

O Flamengo aposta na base consolidada e na experiência recente em mata-mata continental, mas internamente se reconhece o risco de entrar em desvantagem competitiva. Em confrontos desse nível, um meia capaz de mudar ritmo de jogo, como Almada, e um centroavante com poder de definição costumam fazer diferença.

A diretoria trabalha com dois cenários. No mais otimista, consegue fechar e inscrever pelo menos um reforço até sexta, o que aliviaria parte da pressão e daria opção extra a Jardim já na ida. No mais realista, a janela para as oitavas fecha sem novidades, e o clube passa a mirar as quartas de final — desde que o time confirme a classificação em campo.

Histórico recente e o peso da decisão

As últimas campanhas mostram que o Flamengo já navega tanto com quanto sem reforços em fases eliminatórias. Em uma temporada recente, inscreve cinco contratações logo nas oitavas e termina campeão continental. Em outra, prioriza apenas um centroavante e garotos da base, reforçando elenco só nas quartas.

O histórico, porém, não diminui a cobrança atual. O investimento recorde de R$ 495 milhões nesta temporada eleva a régua de exigência da torcida e da própria direção. A percepção é de que, com tantos recursos aplicados, o time não pode chegar ao jogo grande contra o Cruzeiro sem pelo menos um reforço pontual no setor mais frágil.

O desfecho da novela Almada, portanto, extrapola o mercado e entra diretamente no planejamento esportivo imediato. Se o meia desembarcar no Rio, mesmo na última hora, Jardim ganha uma peça capaz de alterar hierarquia de forças nas oitavas. Se não vier, o clube precisará encontrar soluções internas e segurar a ansiedade até uma eventual abertura de vagas nas quartas.

Nos próximos dias, o Flamengo vive uma equação delicada: manter firme a disciplina financeira anunciada por Boto, atender à demanda técnica de Jardim e não ficar para trás em relação a um Cruzeiro que já se arma para surpreender. A resposta começa a aparecer às 18h de sexta-feira, quando a lista de inscritos se fecha — com ou sem Almada.

 

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