Alfredo Gaspar e a tacada de Flávio: sotaque nordestino, mira em Lulinha e o recado para o PT

A escolha do vice expõe o plano de Flávio Bolsonaro para 2026: avançar sobre o Nordeste, intensificar os ataques ao PT e transformar o caso Lulinha em uma das principais armas da campanha.
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Quando o senador Flávio Bolsonaro (PL) anunciou o ex-promotor Alfredo Gaspar como seu candidato a vice-presidente, nesta quarta-feira (05) muita gente em Brasília considerou que a campanha começaria derrotada: Uma chapa “puro-sangue”, sem amarras formais com os caciques do Centrão e sem uma mulher na vaga? Mas a estratégia de Flávio mostrou um alvo muito claro: o presidente Lula e seu calcanhar de Aquiles, o Lulinha.

O Nordeste é, historicamente, a fortaleza do PT. Nas últimas eleições, a região entregou vitórias esmagadoras a Lula. Flávio sabe que não dá para sonhar com o Palácio do Planalto sem reduzir a diferença de votos na região. É aí que entra Alfredo Gaspar. Com sotaque nordestino, ex-chefe do Ministério Público estadual e com um histórico de “linha-dura” contra facções criminosas, ele é a isca perfeita para o eleitor médio,  aquele que sofre na pele com a violência no bairro e está cansado da impunidade, inclusive nas violentas capitais  nordestinas.

Mas o principal motivo de Gaspar estar na chapa tem nome e sobrenome: Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.

A estratégia de Flávio é bater em Lula exatamente no discurso da moralidade, e Gaspar é a ferramenta para isso. O ex-promotor foi o relator da CPMI do INSS e quem pediu o indiciamento de Lulinha, apontando suspeitas graves de envolvimento em irregularidades. A base governista até conseguiu rejeitar o pedido para blindar o filho do presidente, mas o estrago narrativo está feito.

Flávio Bolsonaro confirma Alfredo Gaspar como vice em chapa puro-PL
Alfredo Gaspar e a tacada de Flávio: sotaque nordestino, mira em Lulinha e o recado para o PT.

Flávio quer colar no atual governo a imagem de “saqueadores de aposentados”. Não à toa, no lançamento da chapa, o senador subiu o tom: afirmou que “o desvio e o roubo dos aposentados do INSS entrou no gabinete do Lula”, citando até o “Marcola do Lula”, se referindo a investigação da Polícia Federal sobre um repasse financeiro feito pela empresária Roberta Luchsinger a Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como “Marcola”, ex-chefe de gabinete do presidente Lula.  Roberta Luchsinger é apontada pelas investigações como amiga pessoal e parceira de negócios de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha (filho do presidente).

E a questão feminina?

Num momento em que tanto se cobra diversidade na política, Flávio optou por dois homens na chapa. Um erro? Na cabeça dos estrategistas, não. A oposição vai tentar fazer barulho, claro, mas o telhado é de vidro: o vice de Lula também não é mulher, nem o do Zema, nem o do Caiado. Na hora do “vamos ver”, apesar dos discursos de valorização feminina, tanto de um lado quanto do outro, a conveniência política e a estratégia de ataque falaram mais alto.

Para compensar e não perder o voto feminino, Flávio tirou da cartola a promessa de um programa massivo de proteção e autonomia financeira para as mulheres, focado na “economia do cuidado”. É um aceno direto às mães de família que cuidam da casa, dos filhos e dos idosos — um trabalho invisível que movimenta bilhões no PIB e que o Estado sempre ignorou.

Minimizou a falta de apoio do centrão

Ao minimizar a falta de alianças formais com siglas pesadas como PP, Republicanos e União Brasil, ele lembrou que, na prática, caminha lado a lado com pesos-pesados como o governador Tarcísio de Freitas, o prefeito Ricardo Nunes e o secretário de Segurança Guilherme Derrite e da própria Tereza Cristina, cotada a vice, mas impedida pelo partido. Ou seja: ele avisa que não precisa da burocracia partidária se já tem os nomes que, segundo ele, entregam resultados práticos na segurança e na gestão.

A escolha de Alfredo Gaspar não é apenas a indicação de um companheiro de chapa. É uma declaração de guerra. Quando Flávio encerra seu discurso dizendo que tem a honra de anunciar um vice que “não volta para a cena do crime e dá a mão para o criminoso”, ele deixa escancarado o roteiro de 2026: sangue no olho, foco obsessivo na segurança pública e nenhuma trégua aos escândalos do PT. Resta saber se o eleitor brasileiro vai comprar essa briga.

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