Tiago Piquilo passa por constrangimento após comentário de Ratinho no SBT

O cantor Tiago Piquilo, da dupla Hugo & Tiago, viveu um momento de constrangimento durante participação no Programa do Ratinho, exibido pelo SBT na noite de quarta-feira (5). Ao comentar o novo visual do sertanejo, que apareceu com os cabelos platinados, o apresentador fez uma declaração que gerou forte repercussão nas redes sociais.
Redação NC News
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Ratinho volta ao centro de uma polêmica após comentar, ao vivo, o cabelo platinado de Tiago Piquilo com a frase: “Você tá com uma cara de ‘viado’…”. O cantor reage em tom leve, mas o trecho viraliza nas redes e rende acusações de preconceito contra o apresentador.

Brincadeira ao vivo vira acusação de preconceito

O episódio acontece na edição do programa exibida na televisão aberta na última quarta-feira (5). Tiago, da dupla sertaneja Hugo & Tiago, aparece no palco com os cabelos loiros platinados, visual que ele já exibe em fotos recentes em seu perfil no Instagram.

Ao notar a mudança, Ratinho interrompe a conversa e dispara: “Você pintou o cabelo? Você tá com uma cara de ‘viado’…”. Parte da plateia reage com risadas. Nas redes, o clima é outro. Trechos do vídeo circulam em alta velocidade e inflamam críticas ao apresentador por reforçar estereótipos sobre aparência e masculinidade.

Tiago Piquilo tenta manter o clima amistoso no estúdio. Com sorriso, devolve: “É um tal de inventar moda, né?”. Em seguida, Ratinho pergunta se o sertanejo também está maquiado. O cantor emenda nova resposta em tom de brincadeira: “O seu programa maquia! Todo mundo que vem no seu programa passa pelo camarim”.

Enquanto o bate-bola segue leve no palco, a repercussão fora dali cresce. Perfis de fãs de sertanejo, páginas de entretenimento e influenciadores postam o vídeo com críticas ao uso da expressão, considerada ofensiva por reduzir a orientação sexual a um xingamento.

Redes cobram responsabilidade e recordam histórico

Comentários de internautas apontam que a fala de Ratinho reforça um ambiente de TV ainda pouco aberto à diversidade. Usuários lembram que piadas com traços físicos, gênero e sexualidade seguem comuns em programas populares, apesar do avanço das discussões sobre respeito e inclusão.

Grupos e ativistas de direitos humanos também se manifestam. As publicações cobram que grandes emissoras e apresentadores evitem reproduzir termos pejorativos que historicamente servem para atacar homens gays e qualquer pessoa que fuja de um padrão considerado “masculino” tradicional.

Até o momento, Ratinho não se pronuncia publicamente sobre o caso. A estratégia de silêncio alimenta a especulação de que o apresentador e a emissora avaliam o tamanho da repercussão antes de decidir se haverá pedido de desculpas ou apenas um recuo discreto em futuras abordagens.

O episódio se soma a outras controvérsias recentes. Em março de 2026, Ratinho questiona, em seu programa, a escolha da deputada Erika Hilton para comandar a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara. A fala vira alvo de ações na Justiça e reforça a imagem de um apresentador em rota de colisão com parte do público mais jovem e progressista.

Questões sobre silicone ampliam desconforto

Na mesma edição, outro momento chama atenção e alimenta o debate sobre limites na TV aberta. Durante uma conversa com um cirurgião plástico sobre próteses de silicone, Ratinho se volta para a assistente de palco Rhenata Schmidt e pergunta, diante das câmeras, qual tipo de implante ela usa.

A cena rapidamente entra no pacote de vídeos compartilhados pelos telespectadores. Muitos apontam constrangimento e sexualização do corpo da assistente em horário de grande audiência. Outros veem ali mais um sinal de que o programa aposta em comentários sobre aparência feminina como recurso de entretenimento.

O acúmulo de situações reacende a discussão sobre a responsabilidade de comunicadores com grande alcance. Especialistas em mídia e direitos humanos, ouvidos por veículos ao longo de outras polêmicas envolvendo programas de auditório, costumam lembrar que expressões naturalizadas, quando ditas em rede nacional, ajudam a manter padrões de preconceito no cotidiano.

Impacto na imagem e mudança de clima na TV

Na prática, a fala de Ratinho sobre Tiago Piquilo afeta mais do que a relação entre apresentador e convidado. O episódio toca diretamente a imagem de artistas que ousam no visual, como o próprio sertanejo, alvo imediato de comentários e rótulos pela aparência.

No universo do entretenimento, a construção de uma persona pública depende cada vez mais de redes sociais, engajamento e identificação com diferentes públicos. Comentários que usam a estética como motivo de chacota podem afastar parte da audiência e gerar pressão sobre marcas associadas ao programa.

Entre espectadores que defendem pautas de diversidade, o caso vira combustível para mobilização no X, no Instagram e em outras plataformas. Muitos prometem boicotar o programa, outros pedem medidas formais da emissora e órgãos reguladores. Há também quem relativize e classifique a fala como “brincadeira”, o que mostra a divisão de percepções sobre o que é aceitável hoje na televisão.

Para Ratinho, o risco é o desgaste cumulativo. Cada nova polêmica tende a ser lida à luz das anteriores, encurtando a margem para erros e piadas consideradas fora de época. A permanência em alta na grade exige, além de audiência, capacidade de dialogar com sensibilidades em mudança acelerada.

O caso deve seguir em pauta nos próximos dias, enquanto se espera uma eventual manifestação do apresentador ou da emissora. A forma como o programa vai lidar com o episódio pode indicar se a casa aposta em pedido de desculpas explícito, em ajustes silenciosos no conteúdo ou na manutenção da linha atual, mesmo sob pressão crescente.

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