Rio pede falência do Refit e cria lei para punir devedores

Medida do governo do Rio visa combater inadimplência de grandes empresas com nova legislação rigorosa.
Redação NC News
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O governo do Rio de Janeiro pede a falência do Grupo Manguinhos, atual Refit, e, um dia depois, envia à Assembleia Legislativa (Alerj) o projeto da chamada Lei do Devedor Contumaz. O alvo imediato é uma das maiores devedoras de impostos do país, mas o recado vale para todo o grande empresariado inadimplente.

A ofensiva marca uma virada na forma como o estado lida com dívidas tributárias bilionárias. Em vez de prolongar disputas administrativas e judiciais, o governo sinaliza que está disposto a levar empresas à insolvência para recuperar créditos e impor disciplina fiscal.

Pedido de falência abre nova frente contra Refit

O Grupo Manguinhos controla a refinaria de mesmo nome, na zona norte do Rio, e opera hoje sob a marca Refit. A empresa acumula passivos fiscais robustos e se torna símbolo da chamada inadimplência reiterada, quando o devedor deixa de pagar tributos de forma sistemática e prolongada.

O governo estadual enquadra a companhia nesse perfil e decide acionar o remédio mais duro da legislação empresarial: o pedido de falência. Na prática, abre-se um processo que pode levar à liquidação dos ativos da empresa, com venda judicial de bens para pagar, na ordem da lei, credores trabalhistas, fiscais e fornecedores privados.

Em nota citada em publicação especializada, a avaliação é direta: “O pedido de falência do Grupo Manguinhos, atual Refit, feito pelo governo do Estado do Rio, se insere em um conjunto maior de medidas para fechar o cerco contra a empresa, considerada uma das maiores devedoras de impostos do Brasil”. O movimento rompe o padrão de tolerância que costuma cercar grandes devedores.

Lei do Devedor Contumaz mira grandes inadimplentes

Um dia após protocolar o pedido de falência, o governo envia à Alerj o projeto que cria a Lei do Devedor Contumaz. O texto não cita apenas a Refit, mas estabelece regras gerais para enquadrar empresas que, de forma reiterada, deixam de recolher tributos e usam brechas legais para adiar ou evitar a cobrança.

A figura do “devedor contumaz” entra no vocabulário jurídico fluminense como categoria própria, distinta do contribuinte que enfrenta crise pontual de caixa ou litiga de boa-fé. O alvo são estruturas empresariais que incorporam a inadimplência ao modelo de negócios, competindo com vantagem indevida sobre concorrentes que pagam em dia.

Se aprovada, a lei abre espaço para medidas mais duras de fiscalização e punição, como restrições a regimes especiais de tributação, cancelamento de incentivos, bloqueio de inscrições estaduais e, em situações extremas, pedidos de falência semelhantes ao apresentado contra a dona da refinaria de Manguinhos.

Impacto na refinaria, empregos e mercado de combustíveis

A ofensiva jurídica contra o Grupo Manguinhos ocorre em um setor sensível: o refino de petróleo e a distribuição de combustíveis. A refinaria de Manguinhos tem papel relevante no abastecimento regional, e qualquer interrupção prolongada pode pressionar preços, redesenhar rotas logísticas e favorecer concorrentes com maior capacidade financeira.

Funcionários da Refit e empresas fornecedoras acompanham o caso com apreensão. Um processo de falência pode resultar em demissões, atrasos de pagamentos e renegociação forçada de contratos. Se a justiça aceitar o pedido e decretar a quebra, um administrador judicial passa a gerir o dia a dia da empresa, com foco na preservação de valor para pagamento dos credores.

Para o governo, porém, o cálculo é outro: deixar de agir significaria consolidar um modelo em que grandes grupos operam por anos com dívidas gigantescas, enquanto pequenos e médios empresários sofrem sanções rápidas por débitos muito menores. A aposta é que o endurecimento traga maior justiça fiscal e aumente a segurança jurídica no ambiente de negócios.

Rigor fiscal e efeito pedagógico sobre outras empresas

O encaminhamento simultâneo do pedido de falência e do projeto de lei desenha uma estratégia de longo prazo. O Executivo quer transformar o caso Refit em um marco, com potencial de influenciar o comportamento de outras companhias devedoras que atuam no Rio de Janeiro.

A mensagem é de que a inadimplência recorrente deixa de ser um problema apenas administrativo para se tornar risco real à continuidade da empresa. Ao elevar a possibilidade de falência do plano teórico ao concreto, o governo pretende dar caráter pedagógico à medida, desestimulando práticas que driblam o fisco.

Se a Alerj aprovar a Lei do Devedor Contumaz, o estado ganha um instrumento permanente de reação rápida a grandes devedores. Outras empresas com passivos expressivos podem se ver obrigadas a renegociar débitos com mais seriedade, reforçar programas de conformidade fiscal e rever estratégias agressivas de planejamento tributário.

O desfecho, porém, ainda depende de uma série de capítulos: o julgamento do pedido de falência pela Justiça, a tramitação do projeto na Alerj e eventuais negociações de última hora entre governo e Refit. Enquanto isso, o mercado de combustíveis e a cadeia de refino operam sob a sombra de um processo que pode redesenhar o mapa da concorrência no estado.

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