A AtlasIntel coloca Lula e Flávio Bolsonaro em confronto direto em nova pesquisa eleitoral no Ceará, que também mede cenários para o governo estadual e o Senado. O levantamento testa ainda a aprovação de lideranças locais e identifica os principais problemas apontados pelos eleitores cearenses.
Disputa nacional espelha polarização no Ceará
A pesquisa, realizada com 1.800 eleitores entre 6 e 11 de agosto por questionário online, mostra como a polarização nacional se projeta no estado. O instituto trabalha com margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%, o que confere peso estatístico ao retrato atual do humor do eleitorado.
No questionário, Lula aparece em um cenário de primeiro turno ao lado de Flávio Bolsonaro, Augusto Cury, Renan Santos, Romeu Zema e Ronaldo Caiado, além das opções de outro candidato, branco, nulo ou indecisão. Em seguida, o instituto testa confrontos diretos entre o presidente e quatro adversários: “A pesquisa apresenta aos eleitores cearenses quatro possibilidades de confronto direto envolvendo Lula”.

Um desses cenários coloca Lula frente a frente com Flávio Bolsonaro, herdeiro político do ex-presidente Jair Bolsonaro. Os demais simulam duelos com o governador mineiro Romeu Zema, com o goiano Ronaldo Caiado e com Renan Santos, ligado ao campo conservador. Os resultados, ainda restritos ao registro da pesquisa, servem como termômetro da força relativa de cada campo ideológico no eleitorado cearense.

Ceará vira laboratório para a eleição de governador
O mesmo levantamento testa uma disputa cheia para o governo do Ceará, com sete nomes na lista de opções: Ciro Gomes, Danilo Soares, Delegado Huggo Leonardo, Elmano de Freitas, Pedro Brito, Serley Leal e Zé Batista. O cenário coloca, lado a lado, forças tradicionais do estado e candidaturas de partidos menores, de direita e de esquerda.
A AtlasIntel também simula um segundo turno entre Ciro Gomes, hoje no PSDB, e o atual governador Elmano de Freitas, do PT. A disputa opõe dois projetos conhecidos do eleitorado: o grupo de Ciro, que já comandou o estado e mantém forte presença regional, e o campo petista, que governa o Ceará em aliança com o ex-governador e hoje senador Camilo Santana.

Em um dos cenários, o instituto explicita os apoios políticos na tela do entrevistado, o que ajuda a medir o peso das lideranças na decisão do voto. “Ciro aparece associado a André Fernandes e Tasso Jereissati, enquanto Elmano é apresentado como apoiado por Lula e Camilo Santana”. A combinação associa Ciro a uma frente de centro e direita moderada, enquanto Elmano se ancora na marca nacional do PT e na força local de Camilo.
Senado em aberto e rejeições em teste
Para o Senado, a pesquisa expõe um quadro igualmente fragmentado. O questionário lista Alcides Fernandes, Capitão Wagner, Catarina Matos, Cid Gomes, General Theophilo, Luizianne Lins e Reginaldo Ferreira. O conjunto reúne representantes de partidos do governo e da oposição, velhos conhecidos do eleitor cearense e nomes que ainda buscam projeção estadual.
O Senado é visto por estrategistas como peça-chave na eleição, porque a vaga única tende a concentrar investimentos de campanha e a forçar alianças cruzadas. Em um ambiente com tantos postulantes, uma pequena variação de intenção de voto pode definir quem ficará com a cadeira em Brasília e, por consequência, qual bloco político ganha mais força na Casa.
Outro bloco do questionário mapeia a chamada rejeição consolidada, perguntando em quais políticos o eleitor não votaria de jeito nenhum. A lista inclui Lula, Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, Ciro Gomes, Elmano de Freitas, Camilo Santana, André Fernandes, Cid Gomes, Capitão Wagner e outros nomes. Esses índices, quando conhecidos pelos partidos, costumam pesar tanto quanto a intenção de voto na hora de confirmar ou descartar candidaturas.
Aprovação de governo e principais problemas do estado
O levantamento também se debruça sobre o desempenho de quem está no poder. Os entrevistados avaliam o governo Lula, a gestão de Elmano de Freitas no Ceará e a atuação dos prefeitos de suas cidades. A combinação desses dados ajuda a estimar o potencial de transferência de votos e o risco de desgaste para aliados.
O questionário pergunta ainda quais são os maiores problemas do estado e se o Brasil e o Ceará seguem um bom ou mau caminho. As respostas indicam quais temas devem dominar o debate eleitoral nos próximos meses, de segurança pública a saúde, passando por emprego, educação e custo de vida. Candidatos que ignorarem essa agenda tendem a perder espaço para adversários mais sintonizados com essas preocupações.
A AtlasIntel também investiga a imagem de diversas lideranças, dentro e fora da disputa direta, medindo percepção de credibilidade, proximidade com o povo e capacidade de governar. Os números vão balizar discursos, construção de narrativas e escolha de aliados, especialmente em um estado em que grupos políticos históricos, como o dos Ferreira Gomes e o campo petista, convivem com uma oposição conservadora em expansão.
Os resultados consolidados da pesquisa ainda alimentam cálculos finos em Brasília e em Fortaleza. O desempenho de Lula e de Flávio Bolsonaro no Ceará, a distância entre Ciro e Elmano, a força relativa de nomes como Camilo Santana, André Fernandes, Cid Gomes e Capitão Wagner e o fôlego de novatos como Renan Santos e Catarina Matos devem orientar o xadrez de coligações para 2026.
As próximas semanas tendem a trazer novas sondagens e movimentos discretos de bastidor, com partidos testando mensagens, reforçando palanques e avaliando se mantêm ou trocam postulantes. O Ceará volta a funcionar como um laboratório político de alcance nacional: o que se desenhar agora pode antecipar o clima da disputa presidencial e o equilíbrio de forças no Nordeste e no Congresso depois das urnas.