Produção de leite avança no Ceará, mas custos e falta de mão de obra desafiam produtores

Levantamentos em três regiões mostram aumento da produção, ganhos de produtividade e dificuldades com custos e falta de mão de obra especializada
Redação NC News
ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x

A produção de leite vem ganhando força em diferentes regiões do Ceará, mas os produtores ainda enfrentam obstáculos para manter o crescimento da atividade. Levantamentos realizados pelo Projeto Campo Futuro, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), apontaram aumento da produção em propriedades de Milhã, Quixeramobim e Morada Nova.

Os dados foram coletados entre os dias 4 e 6 de agosto e mostram que, apesar dos avanços no campo, fatores como clima, custo de alimentação e falta de trabalhadores especializados continuam pesando sobre a pecuária de leite no Semiárido.

Produção aumentou em diferentes regiões

Em Milhã, a produção das propriedades consideradas como referência no levantamento chegou a aproximadamente 350 litros de leite por dia. No levantamento anterior, o volume registrado era de 200 litros diários.

O crescimento está relacionado principalmente ao aumento do rebanho e à melhora da produtividade. Segundo o levantamento, o sistema produtivo passou a apresentar condições para remunerar não apenas os gastos da atividade, mas também o pró-labore e a depreciação.

Já em Quixeramobim, as propriedades analisadas apresentam produção média de 100 litros por dia. Mesmo com um volume menor, a atividade mostrou competitividade na região.

Um dos dados que chama atenção é a margem bruta por hectare da pecuária leiteira, que ficou 84% acima do valor obtido com o arrendamento da área para pecuária de corte.

Em Morada Nova, produção dobrou

Outro resultado expressivo apareceu em Morada Nova.

A produção das propriedades analisadas passou de 100 para 200 litros de leite por dia em três anos, um crescimento de 100%.

O avanço foi associado principalmente aos investimentos em melhoramento genético do rebanho e planejamento forrageiro, estratégia que ajuda o produtor a organizar a oferta de alimentação para os animais ao longo do ano.

Na prática, o planejamento da alimentação é especialmente importante em regiões onde a disponibilidade natural de pastagem pode variar bastante ao longo das estações.

Clima também aumenta os custos

Apesar dos resultados positivos, os produtores relataram dificuldades provocadas pelas condições climáticas enfrentadas em 2025.

Com menor disponibilidade de alimentos dentro das propriedades, foi necessário comprar volumosos — materiais utilizados na alimentação dos animais, como silagem e outros alimentos ricos em fibra — de outras regiões.

Essa necessidade elevou os custos da produção e aumentou a pressão sobre a rentabilidade da atividade.

Tecnologia ajuda a enfrentar períodos de dificuldade

Os levantamentos também destacaram estratégias adotadas pelos produtores para lidar com os períodos de menor oferta de alimentos.

Entre elas estão o planejamento forrageiro, o cultivo de pastagens, a produção de silagem de sorgo e o uso da palma forrageira.

Essas alternativas ajudam a garantir alimentação para o rebanho mesmo quando a disponibilidade natural de pastagem diminui.

O resultado dos levantamentos aponta para uma pecuária de leite mais adaptada às condições do Semiárido, com aumento da produção e maior utilização de tecnologias de manejo.

Falta de mão de obra é um dos principais desafios

Mesmo com os avanços, existe um problema que aparece nas três regiões analisadas: a dificuldade para encontrar mão de obra especializada.

A falta de profissionais preparados para atuar na atividade foi apontada como o principal desafio pelos produtores de Milhã, Quixeramobim e Morada Nova.

O problema pode limitar o crescimento das propriedades justamente em um momento em que os produtores buscam aumentar a produtividade e incorporar novas técnicas ao sistema de produção.

O que os dados mostram sobre o leite no Ceará?

Os resultados indicam que a pecuária leiteira no Semiárido cearense tem conseguido avançar mesmo diante das dificuldades climáticas e dos custos de produção.

Em algumas regiões, o crescimento veio acompanhado de investimentos no rebanho, melhoria da produtividade e adoção de tecnologias para garantir alimentação aos animais.

Ao mesmo tempo, o produtor ainda precisa lidar com despesas maiores em períodos de dificuldade climática e com a falta de profissionais especializados.

ENTENDA O CONTEXTO

O Projeto Campo Futuro acompanha os custos de produção de diferentes atividades agropecuárias para ajudar a identificar os fatores que influenciam a rentabilidade no campo.

No Ceará, o levantamento passou por Milhã, Quixeramobim e Morada Nova, três regiões produtoras de leite. Os resultados de 2026 mostram uma atividade que conseguiu ampliar a produção, mas que ainda enfrenta desafios para manter esse ritmo.

Com os dados coletados no Ceará, o projeto encerrou neste ano a etapa de levantamento da pecuária de leite, depois de passar também por Mato Grosso, São Paulo, Goiás e Bahia.

Carregar Comentários