Carne pode ficar mais cara no Brasil após veto da União Europeia

Restrição à carne brasileira começa em setembro e, segundo o setor, pode reduzir a produção e pressionar os preços no mercado interno
Redação NC News
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A carne bovina pode ficar mais cara no Brasil nos próximos meses. A preocupação aumentou após a decisão da União Europeia de restringir a entrada de produtos de origem animal brasileiros. A medida começa a valer em 3 de setembro e pode provocar mudanças no mercado, com reflexos no preço pago pelo consumidor.

A União Europeia representa cerca de 3,7% das exportações brasileiras de carne bovina. Em 2025, os países do bloco compraram aproximadamente 128,9 mil toneladas do produto brasileiro, principalmente cortes de maior valor.

A justificativa apresentada pelas autoridades europeias envolve supostas falhas nos controles relacionados ao uso de determinados antimicrobianos na produção animal. O governo brasileiro contesta a decisão e afirma que o sistema de fiscalização e controle sanitário do país segue padrões internacionais.

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) também defende a qualidade da produção nacional. Segundo a entidade, o Brasil possui sistemas de rastreabilidade, fiscalização e defesa agropecuária reconhecidos internacionalmente e exporta carne para mais de 170 países.

Menos mercados, mais pressão sobre a produção

Com a redução do acesso ao mercado europeu, frigoríficos brasileiros terão de buscar outros compradores ou direcionar parte da produção para o mercado interno.

Em um primeiro momento, isso pode até provocar uma queda nos preços, já que haveria mais carne disponível no Brasil. O problema pode aparecer depois.

Se as exportações caírem de forma significativa, frigoríficos podem reduzir o ritmo de abates e produtores podem diminuir os investimentos na criação de gado. Com uma oferta menor no futuro, os preços podem voltar a subir.

O presidente da Abiec, Roberto Perosa, avalia que esse movimento pode levar a uma alta da carne nos próximos meses.

China também impõe limite

A situação é ainda mais delicada porque o setor brasileiro enfrenta outra barreira importante no principal mercado externo: a China.

O país asiático criou uma cota anual para a importação de carne bovina. Em 2026, o limite destinado ao Brasil é de 1,106 milhão de toneladas. O volume que ultrapassar a cota fica sujeito a uma tarifa adicional de 55%.

De acordo com o Ministério da Agricultura, cerca de 80% da cota brasileira já havia sido utilizada na última atualização divulgada pela pasta.

A China é um dos principais compradores da carne bovina brasileira. Por isso, a combinação de uma restrição europeia com uma limitação no mercado chinês reduz o espaço para o crescimento das exportações.

O que pode acontecer com o preço da carne?

O impacto para o consumidor depende de como frigoríficos e produtores vão reagir às novas barreiras comerciais.

No curto prazo, uma eventual sobra de carne no mercado brasileiro pode ajudar a segurar ou até reduzir os preços.

No médio e longo prazo, porém, uma redução da produção pode diminuir a oferta e provocar uma nova alta nas cotações.

O cenário preocupa porque ocorre justamente em um momento de atenção do governo federal com a inflação dos alimentos. Em junho, o grupo de alimentação registrou alta de 1,33%.

A carne bovina tem forte peso no orçamento e no consumo das famílias brasileiras. Por isso, uma alta significativa pode aumentar a pressão sobre a inflação e se transformar também em um problema político para o governo em um ano de eleição presidencial.

Além das barreiras comerciais, fatores como clima, custos de produção, preço do boi e o próprio ciclo da pecuária continuam influenciando o valor da carne nos açougues e supermercados.

Agora, produtores e frigoríficos acompanham as negociações com a União Europeia e o comportamento das compras chinesas para definir os próximos passos.

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