Uma servidora da Receita Federal negou ter consultado informações fiscais da esposa do ministro Alexandre de Moraes, integrante do STF. A manifestação ocorre após ela ser alvo de operação da Polícia Federal que investiga possível quebra indevida de sigilo de autoridades da Corte.
A notícia foi divulgada pela CNN Brasil.
Defesa ressalta histórico funcional
Em nota assinada pelo advogado Diego Soares de Oliveira Scarpa, a defesa de Ruth Machado dos Santos destacou a trajetória profissional da servidora, que soma mais de três décadas de atuação no serviço público.
Segundo o documento, ela nunca respondeu a procedimentos disciplinares ou investigações administrativas, mantendo reputação considerada íntegra por colegas e superiores.
Os advogados também sustentam que não há qualquer vínculo político-partidário ou engajamento ideológico que indique motivação irregular.
Operação investiga possível quebra de sigilo
A ofensiva da PF busca esclarecer se houve motivação política ou financeira no suposto acesso a dados fiscais protegidos de ministros do Supremo e familiares.
A medida foi autorizada por Moraes após solicitação do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Entre os nomes citados na apuração está Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.
Mandados em três estados
Durante a operação, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.
De acordo com os investigadores, os alvos são servidores da Receita suspeitos de consultar e repassar informações fiscais sigilosas de integrantes da Suprema Corte.
Investigação deriva do inquérito das fake news
O caso está vinculado ao inquérito das fake news, aberto em 2019 pelo então presidente do STF, Dias Toffoli, que designou Moraes como relator.
Mais recentemente, o ministro determinou nova apuração para verificar se houve quebra ilegal de sigilo por parte do Coaf e da Receita Federal contra membros do tribunal e seus familiares.
Entidades da categoria reagem
Após a operação, entidades representativas dos auditores fiscais — como o Sindifisco e a Unafisco — divulgaram manifestações demonstrando preocupação com os desdobramentos da investigação.
Por fim, a defesa afirmou confiar que a apuração ocorrerá de forma técnica e serena, reiterando que a servidora não praticou qualquer crime.
O caso segue sob investigação.