Farinha de trigo sobe até 15% e aumenta a pressão sobre o preço do pão francês

Padarias tentam absorver parte do aumento dos custos para evitar repasses ao consumidor, enquanto o ingrediente representa cerca de 70% da receita do pão francês
Redação NC News
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O preço da farinha de trigo subiu acima do ritmo considerado normal neste ano e já pressiona as padarias brasileiras. O setor tenta absorver parte do aumento dos custos para evitar que toda a alta seja repassada aos consumidores — e um dos produtos mais afetados é justamente o pão francês, um dos itens mais presentes na rotina dos brasileiros.

Segundo Alex Martins, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (Abip), o preço do trigo acumula alta entre 12% e 15% neste ano. Em períodos considerados normais, os reajustes costumam ficar próximos de 5%.

A diferença pesa diretamente sobre as contas das padarias porque a farinha é um dos principais componentes dos custos de produção.

Por que a farinha pesa tanto no preço do pão?

O pão francês depende diretamente da farinha de trigo, que representa cerca de 70% da receita do produto.

Nas padarias, a farinha responde por aproximadamente 20% a 30% dos custos totais, dependendo do perfil dos produtos vendidos por cada estabelecimento.

Isso significa que uma alta expressiva no preço do trigo não fica restrita ao fornecedor. Ela chega à cadeia de produção e aumenta a pressão sobre os estabelecimentos que precisam decidir entre reajustar os preços ou absorver parte do impacto.

No caso do pão francês, a decisão é ainda mais delicada porque o produto tem forte presença no consumo diário e costuma ser considerado um item básico.

Por que as padarias não repassam todo o aumento?

A estratégia adotada por parte do setor é segurar uma parcela dos custos para evitar que o consumidor sinta imediatamente todo o impacto da alta.

Alex Martins explica que o pão francês tem um peso diferente de outros produtos vendidos nas padarias justamente por ser um alimento popular.

“O pão francês é um produto popular. Se for repassar tudo, a gente perde cliente.”
Segundo o presidente da Abip, o consumidor também tem mudado seus hábitos diante da pressão sobre os preços.

“O cliente geralmente está trocando um produto mais caro por outro produto mais barato, e a gente tem visto uma evolução na venda do pão francês”, afirma Martins.
A avaliação ajuda a explicar por que as padarias vêm evitando repassar integralmente os aumentos para o preço final.

O que acontece quando o trigo sobe?

O trigo é transformado em farinha, que entra diretamente na produção de pães, bolos, massas e diversos outros produtos comercializados pelas padarias.

Quando o custo do ingrediente aumenta, o estabelecimento passa a ter algumas alternativas: aumentar o preço dos produtos, reduzir margens de lucro, buscar fornecedores ou tentar compensar o aumento em outros itens.

O problema é que nenhuma dessas opções é simples.

Se o preço sobe demais, existe o risco de o consumidor reduzir o consumo ou procurar alternativas mais baratas. Se a padaria absorve todo o aumento, a margem de lucro diminui e o negócio passa a operar sob maior pressão.

Por isso, a alta da farinha acaba criando uma espécie de equilíbrio delicado entre os custos da produção e o preço que o consumidor está disposto a pagar.

Pão francês ganha importância para o setor

Mesmo diante da pressão nos custos, Martins afirma que as vendas do pão francês têm apresentado evolução.

A explicação está justamente no comportamento do consumidor diante da alta dos preços.

Com produtos mais caros pesando no orçamento, itens considerados básicos podem ganhar espaço na preferência das famílias, enquanto produtos de maior valor acabam sendo substituídos.

Isso faz com que o pão francês tenha uma posição estratégica para as padarias: ele é importante para o faturamento e, ao mesmo tempo, precisa manter um preço competitivo para não afastar o consumidor.

O preço do pão vai subir?

A alta do trigo aumenta a pressão para novos reajustes, mas isso não significa que todo o aumento será automaticamente transferido para o preço do pão francês.

A decisão depende dos custos de cada estabelecimento, da composição dos produtos vendidos, das margens de lucro e do comportamento dos consumidores.

No momento, segundo a avaliação apresentada pela Abip, o setor tenta encontrar um equilíbrio para evitar que o aumento da farinha provoque uma alta muito maior no preço final.

Para o consumidor, isso significa que o comportamento das padarias continuará sendo influenciado pela evolução do preço do trigo e pela capacidade dos estabelecimentos de absorver parte dos custos.

O que pode acontecer agora?

Se o preço da farinha continuar subindo, a pressão sobre as padarias tende a aumentar.

O setor terá de decidir quanto do custo adicional consegue absorver e quanto precisará ser repassado aos consumidores.

Enquanto isso, o pão francês permanece como um dos produtos mais sensíveis dessa equação. Por ser um item popular e de consumo frequente, qualquer reajuste pode ser percebido rapidamente no orçamento das famílias.

Entenda o contexto 

O trigo é uma das principais matérias-primas utilizadas pela indústria de panificação. A farinha, produzida a partir do cereal, está presente em grande parte dos produtos vendidos pelas padarias.

De acordo com a estimativa apresentada por Alex Martins, presidente da Abip, o preço do trigo subiu entre 12% e 15% neste ano, acima dos reajustes de aproximadamente 5% considerados normais em períodos anteriores.

Nas padarias, a farinha representa entre 20% e 30% dos custos, dependendo dos produtos comercializados. No caso do pão francês, o ingrediente chega a representar cerca de 70% da receita.

Por isso, a evolução do preço do trigo pode influenciar diretamente os custos de produção e, consequentemente, o valor pago pelo consumidor.

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