O incêndio que atingiu um prédio abandonado da Oi, na Avenida Prudente de Morais, em Belo Horizonte, deve levar a empresa novamente à Justiça. O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) pretende cobrar medidas para garantir a segurança no imóvel, que, segundo o Corpo de Bombeiros, é ocupado por pessoas em situação de rua.
O fogo começou no fim da tarde deste domingo (9), no bairro Santo Antônio, na Região Centro-Sul da capital. Uma mulher foi retirada da edificação e encaminhada ao Hospital João XXIII em estado grave após inalar fumaça.
O procurador-geral de Justiça de Minas Gerais, Paulo de Tarso, afirmou que o Ministério Público vai levar a situação ao processo de recuperação judicial da companhia.
“Já vamos oficiar no processo de recuperação judicial da Oi para que o administrador judicial adote providências”, afirmou.
A intenção do MP é fazer com que o administrador judicial responsável pelo processo cobre da empresa providências relacionadas ao imóvel.

Local virou ponto de ocupação e furtos
O prédio está abandonado e, conforme informações repassadas às autoridades, passou a ser ocupado por pessoas em situação de rua. O local também vem sendo alvo de furtos de fios e equipamentos eletrônicos.
A situação aumenta a preocupação de moradores e comerciantes da região devido ao risco de novos incêndios e à possibilidade de acidentes dentro da estrutura.
A Oi está em recuperação judicial desde 2023. A companhia chegou a ter a falência decretada em 2025, mas a decisão foi suspensa posteriormente pela Justiça. Desde então, a empresa segue em processo de reestruturação e negociação de ativos.
Bombeiros encontraram pessoas dentro do prédio
As equipes do Corpo de Bombeiros foram chamadas às 16h45. Sete viaturas e 25 militares participaram do atendimento.
Quando chegaram ao imóvel, os bombeiros encontraram pessoas no interior da edificação. Durante a ação, algumas tentaram deixar o prédio pela janela e receberam auxílio das equipes.
O capitão Sérgio Magalhães afirmou que uma das hipóteses é de que o fogo tenha começado durante uma tentativa de retirar cobre de fios por meio da queima do material.
“A gente imagina que o fogo tenha se iniciado por conta de uma incineração de cobre. Quando a gente chegou, conseguiu visualizar que tinha algumas pessoas fazendo barulho no interior da edificação. Por conta disso, a gente precisou romper a porta para poder adentrar. A gente visualizou algumas pessoas tentando sair pela janela e deu o apoio necessário.”
A suspeita é de que as chamas tenham começado em um colchão. A ocorrência foi controlada por volta das 19h15.
Fumaça atinge prédio vizinho
A intensidade do incêndio provocou uma grande quantidade de fumaça preta, que se espalhou pelos arredores do imóvel.
Por precaução, um prédio residencial vizinho, com seis apartamentos, precisou ser esvaziado temporariamente. Os bombeiros recomendaram que os moradores não permanecessem no local durante a noite.
O caso agora deve ser acompanhado pelo Ministério Público dentro do processo de recuperação judicial da Oi, que poderá ser cobrada a adotar medidas para evitar que o imóvel continue oferecendo riscos à população.
Defesa Civil vai avaliar segurança do imóvel
Após o incêndio, a Defesa Civil de Belo Horizonte informou que uma equipe deverá avaliar as condições de segurança do prédio. A vistoria, no entanto, depende de condições adequadas para o acesso ao interior da edificação.
Segundo o órgão, a presença de fumaça, a baixa visibilidade e a temperatura elevada provocada pelo incêndio podem impedir a entrada dos técnicos neste primeiro momento.
Caso não seja possível realizar a vistoria imediatamente, a avaliação será programada para quando o imóvel apresentar condições seguras de acesso.