A queda de Bashar al-Assad acaba de ganhar um dos capítulos mais dramáticos desde o fim de seu regime.
O ex-presidente da Síria foi condenado à morte nesta terça-feira (11) por uma corte síria, em uma decisão relacionada a crimes cometidos durante os anos de guerra civil que devastaram o país.
A condenação inclui acusações de crimes contra a humanidade, crimes de guerra, assassinatos, tortura e prisões arbitrárias.
O julgamento aconteceu à revelia, já que Assad não está na Síria. Desde a queda de seu governo, em dezembro de 2024, o ex-presidente permanece exilado na Rússia.
EX-DITADOR RECEBE A PENA MÁXIMA
A sentença representa um momento simbólico para a Síria, que tenta responsabilizar integrantes do antigo regime pelos crimes cometidos durante o conflito.
Assad governou o país por mais de duas décadas e permaneceu no poder durante praticamente todo o período da guerra civil, iniciada em 2011.
O conflito provocou uma das maiores crises humanitárias do século XXI, com centenas de milhares de mortos e milhões de pessoas deslocadas.
Agora, o antigo líder sírio passa a carregar oficialmente uma condenação à pena máxima em seu país.
ASSAD ESTÁ NA RÚSSIA
Apesar da condenação, Assad não está preso e não corre risco imediato de execução.
O motivo é simples: ele está fora do território sírio.
Após a queda de seu governo, o ex-presidente fugiu para a Rússia, onde recebeu proteção e permanece atualmente.
Isso transforma a condenação em uma questão que vai muito além dos tribunais sírios.
Para que a sentença seja efetivamente cumprida, Assad teria que ser localizado e entregue às autoridades sírias.
E é justamente aí que entra a Rússia.
MOSCOU PODE VIRAR O CENTRO DA DISPUTA
A presença de Assad em território russo cria um enorme obstáculo para o cumprimento da sentença.
A Síria poderá pressionar Moscou pela entrega do ex-presidente, mas uma eventual extradição dependeria de uma decisão política e diplomática extremamente delicada.
Por enquanto, a condenação não significa que Assad será executado.
O ex-presidente continua fora do alcance das autoridades que o condenaram.
IRMÃO E PRIMO TAMBÉM SÃO CONDENADOS
A decisão também atingiu pessoas próximas ao antigo presidente.
Maher al-Assad, irmão de Bashar e uma das figuras mais importantes das forças de segurança do antigo regime, também recebeu a pena de morte.
Outro condenado foi Atef Najib, primo de Bashar e ex-chefe da Segurança Política em Daraa.
Najib é apontado como uma das figuras envolvidas na repressão aos primeiros protestos contra o governo Assad, em 2011.

GUERRA DEIXOU MARCAS PROFUNDAS
A guerra civil síria começou após protestos contra o governo de Assad e rapidamente se transformou em um conflito envolvendo forças governamentais, grupos rebeldes, organizações extremistas e potências estrangeiras.
Ao longo de mais de uma década, milhares de civis foram mortos, cidades foram destruídas e milhões de sírios precisaram abandonar suas casas.
O regime de Assad foi acusado durante anos de graves violações de direitos humanos.
A condenação atual representa, portanto, uma tentativa do novo governo de responsabilizar antigos integrantes do regime pelos crimes cometidos durante o conflito.
UM JULGAMENTO QUE PODE TER REPERCUSSÃO INTERNACIONAL
A condenação de Assad deve provocar repercussão internacional justamente porque envolve um ex-chefe de Estado refugiado em outro país.
O caso coloca frente a frente a tentativa da nova Síria de buscar responsabilização pelos crimes do antigo regime e a proteção concedida pela Rússia ao ex-presidente.
Agora, uma das principais perguntas é:
A Rússia entregará Assad à Síria?
Por enquanto, não há indicação de que isso vá acontecer.
O que já está definido é que o antigo homem forte da Síria foi condenado à pena de morte por uma Justiça que agora tenta escrever um novo capítulo na história do país.