Fim da cera? Brasileirão ganha regras mais rígidas para acelerar os jogos

Clubes das Séries A e B aprovam mudanças para combater o antijogo e aumentar o tempo de bola rolando nas partidas.
Redação NC News
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O futebol brasileiro terá novas regras para combater a chamada “cera” e o antijogo. Clubes das Séries A e B aprovaram, nesta segunda-feira (10), um pacote de mudanças apresentado pela CBF com o objetivo de aumentar o tempo de bola rolando e tornar as partidas mais dinâmicas.

As novas normas começam a ser aplicadas já na 23ª rodada dos campeonatos. Algumas das medidas foram testadas durante a Copa do Mundo de 2026 e agora passam a fazer parte das competições nacionais.

A proposta é reduzir estratégias utilizadas para atrasar o reinício das partidas e recuperar minutos de jogo efetivo para o torcedor.

 Lateral e tiro de meta terão limite de cinco segundos

Uma das principais novidades está nas cobranças de lateral e tiro de meta.

Quando o árbitro identificar uma demora deliberada, poderá iniciar uma contagem visual de cinco segundos.

No lateral, se o jogador não realizar a cobrança dentro do período determinado, a posse passa para o adversário, que terá direito ao arremesso.

No tiro de meta, a punição será ainda mais pesada. Caso a cobrança não seja realizada dentro do tempo estabelecido, o adversário ganhará um escanteio.

 NOVA REGRA: CINCO SEGUNDOS PARA COBRANÇAS

A medida busca impedir que jogadores segurem a bola propositalmente para gastar tempo durante momentos importantes da partida.

 Jogador substituído terá apenas 10 segundos

As substituições também passam a ter uma regra específica para evitar que atletas caminhem lentamente até a saída do campo.

Depois que o quarto árbitro levantar a placa da substituição, o jogador terá 10 segundos para deixar o gramado.

Se ultrapassar o limite sem uma justificativa válida, o substituto terá que esperar um minuto para entrar em campo, deixando a equipe temporariamente com um jogador a menos.

Jogadores lesionados que comprovadamente não tenham condições de sair rapidamente são exceção.

 SUBSTITUIÇÃO AGORA TEM TEMPO PARA A SAÍDA

A intenção é evitar que substituições sejam utilizadas como uma estratégia para consumir minutos no fim das partidas.

 Atendimento médico também muda

Outra alteração importante envolve jogadores que recebem atendimento dentro de campo.

A partir da nova regra, quem precisar sair para atendimento médico deverá aguardar pelo menos 60 segundos antes de retornar.

A situação será ainda mais diferente quando o atendido for o goleiro. Nesse caso, um jogador de linha da mesma equipe também terá de deixar o campo durante um minuto.

Segundo a CBF, a medida busca impedir que atendimentos sejam utilizados como estratégia para interromper o jogo, ganhar tempo ou permitir que treinadores passem instruções aos jogadores.

 ATENDIMENTO MÉDICO: UM MINUTO FORA

A regra pretende reduzir as paralisações e impedir que supostas lesões sejam utilizadas para esfriar o ritmo da partida.

 “Lei Vini Jr.” também será aplicada

Outra novidade aprovada é o chamado “Protocolo Vini Jr.”, que prevê punição mais severa para determinadas provocações entre jogadores.

Um atleta, suplente ou jogador substituído poderá ser expulso caso cubra a boca ao se comunicar com um adversário de maneira considerada provocativa, depreciativa ou inflamatória.

A regra busca combater comportamentos antidesportivos e situações que possam aumentar a tensão durante as partidas.

 PROTOCOLO VINI JR. TERÁ PUNIÇÕES MAIS DURAS

A medida faz parte do pacote de mudanças voltadas ao comportamento dos jogadores dentro de campo.

 VAR terá novas possibilidades

As mudanças também atingem o uso do VAR.

A tecnologia poderá auxiliar a arbitragem em situações envolvendo aplicação equivocada de um segundo cartão amarelo que resulte em expulsão.

Além disso, está prevista uma ampliação das possibilidades de revisão relacionadas a escanteios. A partir de 2027, a revisão poderá ocorrer quando um escanteio marcado incorretamente tiver participação direta em um gol ou pênalti.

 VAR GANHA NOVAS POSSIBILIDADES DE REVISÃO

A mudança amplia a participação da tecnologia em lances que podem ter influência direta no resultado das partidas.

 CBF quer aumentar o tempo de bola rolando

A preocupação da CBF está diretamente ligada ao tempo efetivo das partidas.

Segundo levantamento apresentado aos clubes, o Brasileirão Série A registra atualmente média de 52 minutos e 54 segundos de bola rolando, enquanto a Série B tem média ainda menor: 51 minutos e 9 segundos.

A meta estabelecida pela entidade é chegar a aproximadamente 57 minutos de jogo efetivo.

A CBF estima que apenas a redução do tempo perdido com faltas, reposições, atendimentos médicos e utilização do VAR poderia recuperar 6 minutos e 22 segundos por partida.

A comparação apresentada mostra que o futebol brasileiro está atrás de várias das principais ligas internacionais nesse quesito. A MLS registra 57min12s de bola rolando, enquanto a Bundesliga tem 56min18s e a Premier League, 55min23s.

Com as novas medidas, a expectativa é que o jogo fique mais rápido, tenha menos interrupções e ofereça mais tempo efetivo de futebol ao torcedor.

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