O clima de bandeira branca foi hasteado no clã Bolsonaro, mas as cicatrizes das disputas internas continuam expostas. Nesta terça-feira (11), a ex-primeira-dama e candidata ao Senado pelo Distrito Federal, Michelle Bolsonaro (PL), gravou vídeos de campanha ao lado do enteado e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL). Em conversa com jornalistas logo após as gravações, ela confirmou a reaproximação pública, mas não fugiu de temas espinhosos como os atritos familiares, a aliança polêmica com Ciro Gomes no Ceará e sua saída do PL Mulher.
Ao ser questionada sobre como foi o encontro nos estúdios com Flávio, Michelle adotou um tom de superação e união em torno do projeto nacional.
“Foi ótimo. Todo mundo muito empolgado, todo mundo no mesmo espírito de união. Colocamos a pedra. A desavença existe. Qual família que não é perfeita, né? […] Mas, graças a Deus, nós conversamos, nos unimos em prol de algo muito maior para a nossa nação.”
“O atrito é antigo”: A verdade sobre o PL Mulher e Ciro Gomes
Apesar de falar em “página virada”, Michelle abriu o jogo e revelou detalhes inéditos sobre o rompimento que levou à sua saída do comando nacional do PL Mulher. Segundo ela, o estopim da crise familiar e partidária não aconteceu recentemente, mas sim em novembro do ano anterior.
A ex-primeira-dama explicou que entrou no PL Mulher com a promessa de total autonomia para formar lideranças femininas e indicar até 17 candidatas. Ela concentrou seus esforços em garantir espaço para nomes como Celina Leão, Bia Kicis, Carol de Toni e a vereadora cearense Priscila Costa — que acabou perdendo a vaga ao Senado no Ceará devido aos acordos partidários.
O principal ponto de ruptura foi a aproximação do diretório do PL no Ceará com o ex-ministro Ciro Gomes:
- Rejeição visceral: Michelle reafirmou que é totalmente contra a aliança do partido com Ciro Gomes, lembrando que o partido do político cearense atuou diretamente nas ações que deixaram Jair Bolsonaro inelegível.
- Pedido de demissão abafado: Ela revelou que, diante do desgaste e do cansaço, tentou entregar a presidência do PL Mulher em novembro, mas a cúpula do partido recusou o pedido na época e sugeriu apenas que ela tirasse uma licença.
- Falta de autonomia: Michelle lamentou não ter sido respeitada na autonomia que lhe foi prometida para lançar Priscila Costa ao Senado, classificando o desgaste público gerado nos meses seguintes como “desnecessário”.
Foco na campanha e agendas moderadas
Agora focada em sua própria pré-campanha ao Senado pelo Distrito Federal e em apoiar a candidatura de Celina Leão, Michelle explicou que sua participação em viagens pelo Brasil será dosada.
Ela destacou o desafio pessoal de conciliar a rotina de campanha com os cuidados domésticos e o acompanhamento de Jair Bolsonaro em casa. A candidata adiantou que o trabalho de base com o eleitorado feminino já foi consolidado ao longo do último ano e que seu principal foco de apoio aos candidatos da sigla, incluindo Flávio, se dará de forma intensa através das redes sociais e do trabalho das lideranças estaduais.