“O que é polilaminina” virou uma das perguntas mais buscadas nos últimos dias após a substância ganhar repercussão nas redes sociais com relatos de pacientes em reabilitação que teriam recuperado parte dos movimentos com o tratamento experimental.
Apesar da visibilidade, especialistas alertam que o produto ainda está em fase inicial de estudos e não possui eficácia comprovada.
O que é polilaminina
A polilaminina é um composto desenvolvido a partir da laminina, proteína naturalmente presente no corpo humano e essencial para a organização dos tecidos e o crescimento celular.
O medicamento experimental foi criado por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sob coordenação da bióloga Tatiana Coelho Sampaio. A proposta é estimular a regeneração de células nervosas lesionadas na medula espinhal.
Como a substância atua no organismo
A expectativa dos pesquisadores é que a polilaminina favoreça a recuperação de pessoas com trauma raquimedular ao incentivar a reconstrução das conexões nervosas.
O produto é preparado a partir de proteína extraída da placenta humana e aplicado diretamente na região afetada da medula, normalmente em dose única. Após a aplicação, o paciente passa por um processo intensivo de fisioterapia para auxiliar na reabilitação motora.
Estudo clínico ainda está em fase inicial
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou recentemente o início da fase 1 dos ensaios clínicos. Nesta etapa, o foco principal é avaliar a segurança do método, monitorar possíveis efeitos adversos e verificar se o tratamento pode avançar para fases posteriores.
Isso significa que, por enquanto, não há comprovação científica de eficácia.
Quem pode participar dos testes
Os critérios definidos para os estudos incluem:
- Pacientes entre 18 e 72 anos
- Lesão medular torácica recente
- Trauma ocorrido há menos de 72 horas
- Indicação cirúrgica
Após receber a substância, os participantes passam por acompanhamento médico e fisioterapia como parte do protocolo.
Resultados preliminares e cautela
Testes iniciais em laboratório, incluindo estudos com animais e um grupo restrito de pacientes, apontaram recuperação de movimentos em alguns casos. Esses dados motivaram o avanço das pesquisas.
No entanto, especialistas reforçam que ainda não é possível afirmar que as melhoras observadas foram causadas pela polilaminina. A confirmação depende das próximas fases clínicas e da análise dos órgãos reguladores.