A patente da polilaminina no exterior acabou sendo perdida pelo Brasil após cortes orçamentários que atingiram a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), segundo afirmou a pesquisadora Tatiana Coelho de Sampaio, responsável pelo desenvolvimento da substância experimental.
A declaração foi feita em entrevista ao programa Conversas com Hildgard Angel, da TV 247. De acordo com a cientista, a falta de recursos entre 2015 e 2016 impediu o pagamento das taxas internacionais necessárias para manter o registro da tecnologia fora do país.
Falta de verba levou à perda da patente da polilaminina
Segundo Tatiana, os cortes no orçamento da universidade inviabilizaram a manutenção da proteção intelectual no exterior. Sem o pagamento das anuidades, o registro internacional foi automaticamente cancelado.
A pesquisadora relatou que, naquele período, não havia recursos disponíveis para cumprir as exigências financeiras do processo. Com isso, o Brasil permaneceu apenas com a proteção nacional da tecnologia.
Patente nacional foi mantida com recursos próprios
Para evitar a perda total da patente da polilaminina, Tatiana afirmou que precisou arcar pessoalmente com custos relacionados ao registro no Brasil.
O pedido original havia sido feito em 2007, quando a pesquisa ainda estava em estágio inicial. A concessão da patente nacional ocorreu somente em 2025, após cerca de 18 anos de tramitação.
Segundo a cientista, como a validade de uma patente é limitada a 20 anos, o tempo de proteção restante é reduzido.
Impacto para a ciência brasileira
Na avaliação da pesquisadora, a perda da patente internacional representa prejuízo científico e econômico para o país. Isso porque a ausência de proteção fora do Brasil pode permitir que a tecnologia seja reproduzida livremente em outros mercados.
A polilaminina é fruto de décadas de pesquisa conduzida na UFRJ e vem sendo estudada como possível tratamento para lesões medulares, ainda em fase experimental.
Alerta sobre cortes em pesquisa
Ao comentar o episódio, Tatiana fez um alerta sobre os efeitos do contingenciamento de verbas na área científica. Para ela, a redução de investimentos pode comprometer avanços estratégicos desenvolvidos por universidades públicas.
As pesquisas com a polilaminina seguem em andamento e ainda passam por etapas de avaliação de segurança e eficácia.