Apostador pediu para ser bloqueado, mas conta continuou ativa. Plataforma deve devolver R$ 81 mi

Usuário havia recorrido ao sistema de autoexclusão do Gov.br por causa de ludopatia grave; Justiça determinou que plataforma devolva o dinheiro e pague indenização
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usuário tomou uma decisão para tentar interromper o vício em apostas: pediu o bloqueio da própria conta. O problema é que, mesmo depois da solicitação de autoexclusão, o acesso continuou disponível.

O apostador voltou a movimentar a conta, fez novos depósitos e perdeu R$ 81 mil. O caso acabou na Justiça e agora coloca uma pergunta no centro da discussão: quem deve responder quando uma ferramenta criada para impedir novas apostas não funciona como deveria?

A resposta dada pela Justiça de São Paulo foi favorável ao consumidor.

O pedido que deveria impedir novas apostas

Segundo o processo, o homem apresentava ludopatia grave, condição associada à dificuldade de controlar o comportamento de apostar.

Diante da situação, ele utilizou o sistema de autoexclusão centralizada, disponível por meio do Gov.br, para tentar impedir novos acessos às plataformas.

A intenção era justamente interromper o ciclo de apostas.

Mas a conta continuou funcionando.

O detalhe que mudou o rumo do caso

De acordo com a decisão da 4ª Vara Cível de Indaiatuba, o usuário conseguiu continuar acessando a conta, realizando depósitos e fazendo apostas mesmo depois de solicitar a autoexclusão.

O prejuízo chegou a R$ 81 mil.

Para a Justiça, o ponto central não foi simplesmente o dinheiro perdido nas apostas. O que pesou foi a situação de vulnerabilidade do consumidor e o fato de ele ter tomado uma medida explícita para tentar impedir que continuasse apostando.

Justiça manda devolver todo o valor

O juiz Vinicius Garcia Ferraz determinou que a plataforma restitua os R$ 81 mil perdidos pelo apostador.

Além disso, a empresa terá de pagar outros R$ 10 mil por danos morais.

Na avaliação do magistrado, permitir novas apostas depois do pedido de autoexclusão representou falha no dever de segurança e nas regras de jogo responsável.

A decisão também considerou a condição de hipervulnerabilidade do consumidor, diante do quadro grave de ludopatia.

Por que a autoexclusão é tão importante?

O mecanismo de autoexclusão existe justamente para quem deseja interromper o acesso às apostas.

Na prática, o usuário manifesta a intenção de não participar mais desse tipo de atividade e solicita o bloqueio.

Por isso, o caso analisado pelo TJSP vai além de uma discussão sobre perdas financeiras.

Ele coloca em debate a responsabilidade das plataformas diante de consumidores que pedem expressamente para não continuar apostando.

O que acontece agora?

A sentença foi dada pela 4ª Vara Cível de Indaiatuba e ainda pode ser contestada por recurso.

A decisão não significa que toda perda em apostas deverá ser automaticamente devolvida. O entendimento está relacionado às circunstâncias específicas analisadas no processo, principalmente ao pedido de autoexclusão e à condição de vulnerabilidade do usuário.

Entenda o contexto

O caso abre uma discussão cada vez mais importante com a expansão das apostas online no Brasil: até onde vai a responsabilidade das plataformas quando o próprio usuário reconhece que precisa parar e pede ajuda para bloquear o acesso?

Neste processo, a Justiça entendeu que a manutenção da conta ativa, mesmo após o pedido de autoexclusão, contribuiu para o agravamento da situação e determinou a devolução dos R$ 81 mil, além do pagamento de R$ 10 mil por danos morais.

A decisão, no entanto, ainda não é definitiva e pode ser objeto de recurso.

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