A disputa pelo governo de Minas Gerais pode ter dois candidatos do campo da direita concorrendo pela mesma parcela do eleitorado, mas uma articulação nos bastidores tenta impedir que essa divisão se transforme em uma guerra durante a campanha.
O PL e integrantes do Republicanos discutem um pacto de não agressão entre Flávio Roscoe (PL) e o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos). A proposta é que os dois evitem ataques entre si no primeiro turno e concentrem a estratégia eleitoral contra Patrus Ananias (PT).
O acordo, porém, ainda não foi fechado. A negociação ocorre depois de uma sequência de indefinições que provocou incômodo entre integrantes do PL.
Como funcionaria o pacto?
A estratégia discutida prevê uma espécie de trégua eleitoral.
Mesmo disputando o Palácio Tiradentes, Roscoe e Cleitinho evitariam concentrar ataques um contra o outro. A intenção seria direcionar a campanha principalmente contra Patrus Ananias.
Existe ainda uma segunda parte do acordo: se Roscoe ou Cleitinho chegar ao segundo turno contra Patrus, o outro apoiaria o candidato da direita que avançasse.

Por que Patrus está no centro da estratégia?
Nos bastidores dos partidos envolvidos na articulação, existe uma avaliação de que Patrus pode crescer durante a campanha por contar com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A leitura ajuda a explicar por que integrantes do PL e do Republicanos avaliam que um confronto intenso entre Roscoe e Cleitinho poderia desgastar os dois candidatos e favorecer o adversário petista.
A tentativa, portanto, é transformar a existência de duas candidaturas da direita em uma disputa menos agressiva.
Mas por que o acordo ainda não saiu?
Existe um obstáculo importante: o PL ainda guarda ressentimentos pela forma como Cleitinho entrou na disputa.
Inicialmente, o partido considerava apoiar o senador para o governo de Minas. Diante da indefinição sobre a candidatura de Cleitinho, porém, o PL decidiu não esperar e lançou Flávio Roscoe.
Cleitinho confirmou sua candidatura na última sexta-feira (7), depois de uma série de idas e vindas.
O lançamento foi interpretado por integrantes do PL como um movimento capaz de dividir a direita e enfraquecer o palanque presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) em Minas. A direção do Republicanos rejeita essa interpretação.
Minas terá dois palanques para Flávio Bolsonaro?
Essa é outra parte importante da negociação.
Pela estratégia discutida, Roscoe funcionaria como o palanque formal de Flávio Bolsonaro em Minas, enquanto Cleitinho poderia funcionar como um palanque informal para o candidato presidencial do PL.
Minas tem peso especial nessa articulação por ser o segundo maior colégio eleitoral do Brasil.

Tensão entre PL e Cleitinho continua
Apesar das conversas por uma trégua, as divergências ainda estão presentes.
Nesta quarta-feira (12), o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) afirmou que o partido esperou Cleitinho “até o limite” antes de decidir pela candidatura de Roscoe. Segundo o parlamentar, uma composição com o senador seria considerada positiva, mas a demora na definição teria prejudicado as articulações do grupo em Minas.
A declaração mostra que a tentativa de construir um pacto acontece enquanto os dois lados ainda administram as consequências das negociações anteriores.
O que acontece agora?
PL e Republicanos ainda precisam transformar as conversas de bastidores em um compromisso político efetivo.
Caso o pacto seja fechado, Minas poderá ter uma situação incomum durante a campanha: dois adversários disputando o mesmo governo estadual, mas tentando preservar uma relação que permita uma aliança no segundo turno.
Se as negociações fracassarem, Roscoe e Cleitinho poderão entrar em confronto direto pelo eleitorado da direita, aumentando a divisão desse campo político.
ENTENDA O CONTEXTO
O PL inicialmente avaliava apoiar Cleitinho para o governo de Minas, mas a demora do senador em confirmar sua candidatura levou o partido a lançar Flávio Roscoe. Cleitinho acabou entrando oficialmente na corrida depois, pelo Republicanos.
Agora, com os dois na disputa, dirigentes procuram uma maneira de evitar que a competição provoque um desgaste interno.
A solução discutida é um pacto de não agressão: cada candidato mantém sua campanha, mas evita ataques ao outro e deixa aberta a possibilidade de apoio mútuo em um eventual segundo turno contra Patrus Ananias.
A negociação ainda está em andamento e, até o momento, não existe acordo formal anunciado.