Disputa no TSE trava R$ 2,3 bilhões do Fundo Eleitoral às vésperas da campanha

Julgamento sobre pedido do PT foi interrompido após pedido de vista e deixou todas as legendas à espera da definição sobre uma fatia equivalente a 48% dos recursos distribuídos conforme o tamanho das bancadas na Câmara.
Redação NC News
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Cerca de R$ 2,3 bilhões destinados ao financiamento das campanhas eleitorais de 2026 estão temporariamente travados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A liberação do dinheiro depende do desfecho de uma disputa iniciada pelo PT sobre o cálculo usado para dividir parte do Fundo Eleitoral entre os partidos.

O impasse ganhou ainda mais peso porque acontece às vésperas do início oficial da campanha eleitoral, marcado para domingo (16). Nesta quinta-feira (13), o ministro Kassio Nunes Marques votou contra o pedido apresentado pelo PT, mas a análise foi interrompida depois que a ministra Estela Aranha pediu vista do processo.

Por que R$ 2,3 bilhões ficaram travados?

A disputa envolve uma das principais regras usadas para dividir o Fundo Especial de Financiamento de Campanha.

O Fundo Eleitoral de 2026 soma R$ 4,96 bilhões em recursos públicos. Desse total, 48% são distribuídos proporcionalmente ao número de representantes de cada partido na Câmara dos Deputados.

É justamente essa parcela, equivalente a aproximadamente R$ 2,3 bilhões, que ficou temporariamente sem distribuição.

Isso acontece porque o PT questionou o número de deputados de sua bancada considerado pelo TSE. Como uma eventual mudança nesse cálculo interfere também no valor destinado às demais legendas, a definição dessa parcela depende do resultado do julgamento.

O que o PT quer mudar?

O ponto central da disputa parece pequeno: uma cadeira na Câmara dos Deputados. Mas essa diferença pode alterar a divisão de milhões de reais.

O cálculo utilizado atualmente considera que o PT tinha 68 deputados na data usada como referência para a distribuição. O partido argumenta que deveriam ser considerados 69 parlamentares.

A controvérsia envolve o deputado Paulão (PT-AL) e os efeitos de uma retotalização dos votos em Alagoas.

O PT sustenta que uma decisão judicial relacionada ao mandato do parlamentar deveria fazer com que ele fosse contabilizado na bancada utilizada para definir a divisão do Fundo Eleitoral.

Se a tese for aceita, o partido pode receber cerca de R$ 5 milhões adicionais, elevando sua fatia para aproximadamente R$ 620 milhões.

O que decidiu Nunes Marques?

Kassio Nunes Marques votou nesta quinta-feira para rejeitar o pedido apresentado pelo PT.

No entendimento do ministro, a decisão judicial que suspendeu o processo relacionado à perda do mandato de Paulão não determinou que a retotalização dos votos fosse desfeita.

O julgamento, porém, não terminou.

A ministra Estela Aranha pediu vista, ou seja, solicitou mais tempo para analisar o processo antes de apresentar seu posicionamento. Com isso, a conclusão ficou suspensa.

Como uma disputa de R$ 5 milhões trava R$ 2,3 bilhões?

Esse é o principal ponto do caso. O PT busca uma diferença de aproximadamente R$ 5 milhões para sua própria cota, mas o cálculo questionado é usado para dividir dinheiro entre todos os partidos.

Na prática, se o TSE mudar o número de deputados considerado para o PT, será necessário recalcular a distribuição proporcional dessa fatia do fundo.

Por isso, o impacto não fica restrito à legenda.

Enquanto o tribunal não concluir qual cálculo deve prevalecer, os 48% do Fundo Eleitoral vinculados à representação dos partidos na Câmara permanecem sem distribuição.

Quanto os partidos devem receber?

O Fundo Eleitoral destinado às eleições de 2026 tem valor total de R$ 4.961.519.777.

Na distribuição divulgada anteriormente pelo TSE, o PL aparece com a maior fatia, de aproximadamente R$ 881,7 milhões.

O PT aparece em seguida, com aproximadamente R$ 615,4 milhões, enquanto o União Brasil tem cerca de R$ 526,2 milhões. Juntas, as três legendas concentram aproximadamente 40% dos recursos.

Por que a decisão é importante agora?

O momento do julgamento aumenta a pressão por uma definição.

A campanha eleitoral começa oficialmente neste domingo (16), quando candidatas e candidatos entram na fase em que a propaganda eleitoral passa a ser permitida.

Os recursos do Fundo Eleitoral são usados pelos partidos para financiar despesas das campanhas. Por isso, a indefinição sobre uma parcela bilionária ocorre justamente quando as estruturas eleitorais começam a ganhar as ruas.

O que acontece agora?

O processo continuará pendente enquanto durar o pedido de vista.

Depois que a ministra Estela Aranha devolver o caso, o julgamento poderá ser retomado e os demais integrantes do TSE poderão apresentar seus votos.

Até que exista uma definição sobre o cálculo, a parcela correspondente a 48% do Fundo Eleitoral permanece travada.

ENTENDA O CONTEXTO

O Fundo Especial de Financiamento de Campanha é formado por dinheiro público destinado ao financiamento das campanhas eleitorais.

Para as eleições de 2026, o fundo soma pouco mais de R$ 4,96 bilhões. A legislação estabelece diferentes critérios para dividir esse dinheiro entre os partidos.

Uma das maiores parcelas depende diretamente do tamanho das bancadas partidárias na Câmara dos Deputados.

É nesse ponto que surgiu a disputa do PT. O partido considera que deveria ter um deputado a mais contabilizado no cálculo e, consequentemente, receber uma parcela maior.

O julgamento começou, mas o pedido de vista interrompeu a definição. Agora, partidos aguardam o TSE decidir qual cálculo deverá ser usado — uma decisão que vai determinar como aproximadamente R$ 2,3 bilhões serão divididos.

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