As novas tarifas impostas pelos Estados Unidos estão acelerando uma estratégia de diversificação dos mercados de exportação brasileiros. Para o agronegócio, a movimentação é especialmente relevante, já que diferentes cadeias têm os Estados Unidos entre seus principais destinos.
A ApexBrasil anunciou um plano de R$ 130 milhões, em parceria com 57 entidades do setor produtivo, para ampliar a presença de empresas brasileiras em outros mercados. A iniciativa reúne ações de inteligência comercial, promoção de produtos e aproximação com compradores internacionais.
Produtos mais expostos
A Agência identificou 195 produtos altamente expostos ao mercado norte-americano e está cruzando essas informações com oportunidades em outros países.
A estratégia considera produto por produto e estado por estado, buscando identificar onde existe demanda potencial para mercadorias brasileiras que podem enfrentar maior dificuldade de acesso aos Estados Unidos.
Segundo a ApexBrasil, 72% das cerca de 2.400 empresas apoiadas pela Agência que exportavam para os Estados Unidos passaram também a vender para pelo menos um novo mercado entre junho de 2025 e maio de 2026.
Qual é o papel da ApexBrasil?
A Agência não atua como instituição de crédito. Enquanto o Plano Brasil Soberano oferece mecanismos de financiamento para empresas afetadas pelo cenário comercial, a ApexBrasil trabalha na frente de abertura e diversificação de mercados.
Entre as ações estão estudos de inteligência comercial, participação em feiras e missões internacionais, rodadas de negócios e aproximação entre empresas brasileiras e compradores estrangeiros.
A Agência também disponibiliza ferramentas para que os exportadores possam avaliar a exposição de seus produtos às tarifas americanas e identificar possíveis mercados alternativos.
Estratégia vai além do tarifaço
A diversificação não significa abandonar o mercado dos Estados Unidos. A ApexBrasil também trabalha para ampliar a lista de produtos brasileiros com melhores condições de acesso ao mercado americano.
A ideia é reduzir a concentração de risco: manter os Estados Unidos como destino importante, mas ampliar a presença brasileira em mercados da Ásia, Europa, Oriente Médio, África e América Latina.
Para o agronegócio, a estratégia pode representar novas oportunidades para alimentos, bebidas, produtos agropecuários e outras cadeias exportadoras, especialmente para empresas que hoje dependem de poucos mercados.
O desafio, agora, é transformar a inteligência comercial em negócios: identificar onde existe demanda, adequar os produtos às exigências de cada mercado e conectar o exportador brasileiro ao comprador internacional.
Fontes: ApexBrasil e Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).