Lixão de Iranduba pega fogo e espalha fumaça tóxica, veja vídeo

Fogo em lixão a céu aberto no Ramal do Janauari causa preocupação ambiental e social em Iranduba.
Redação NC News
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Um incêndio atinge o lixão a céu aberto do Ramal do Janauari, em Iranduba, e espalha fumaça tóxica pelas comunidades vizinhas. A área recebe praticamente todo o lixo do município e acumula denúncias de riscos ambientais e à saúde.

O fogo começa no fim da tarde de quinta-feira, 13 de agosto, e ainda não tem causa conhecida. Moradores relatam uma nuvem densa de fumaça sobre o ramal e temem novos desdobramentos em uma área onde já foram identificados bolsões de gás com potencial de explosão.

Fumaça, bolsões de gás e falta de resposta

O lixão do Janauari funciona colado a comunidades rurais e ribeirinhas, o que amplia o impacto do incêndio. A queima de resíduos libera gases tóxicos e partículas finas que agravam problemas respiratórios, sobretudo em crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas.

Apesar da gravidade, até esta sexta-feira não há informações oficiais sobre a extensão dos danos, o atendimento à população afetada ou as medidas adotadas para controlar as chamas. Também não há laudo técnico sobre a origem do fogo.

A área vinha sendo monitorada por órgãos públicos desde o início do ano. Em fevereiro de 2026, a Defensoria Pública do Amazonas coordena uma vistoria no lixão após receber uma série de denúncias de moradores sobre fumaça constante, mau cheiro e descarte desordenado.

Na inspeção, representantes de órgãos ambientais constatam a expansão da área usada para despejo de lixo, sem estrutura mínima de confinamento ou tratamento dos resíduos. Apontam riscos para o solo, o ar e os recursos hídricos próximos, entre igarapés e nascentes que fazem parte da bacia do Rio Negro.

Laudos, alertas e incêndios que se repetem

Dois meses depois da vistoria, em abril de 2026, a Defensoria reúne moradores, integrantes do poder público municipal e técnicos ambientais para discutir o futuro do lixão. Na ocasião, um documento preliminar coloca no papel o que a população já sente na pele.

“Durante o encontro, foi apresentado um laudo preliminar que apontou riscos ambientais e à população. Entre os pontos citados estava a presença de bolsões de gás na área de descarte, com possibilidade de explosão”, registra o texto debatido à época.

Moradores aproveitam a reunião para relatar uma sequência de episódios de fogo no lixão, alguns de longa duração.

“Moradores relataram a ocorrência de incêndios anteriores no lixão. Segundo os relatos apresentados durante a reunião, alguns episódios teriam permanecido por vários dias, provocando fumaça e mau cheiro nas comunidades próximas”, descreve outro trecho.

O incêndio desta semana, portanto, não é um acidente isolado, mas o desfecho previsível de uma combinação de má gestão, acúmulo de resíduos, formação de gases e ausência de infraestrutura adequada. A queima do lixo tende a ser alimentada por camadas profundas de material orgânico e plástico, o que dificulta o controle total das chamas.

Lixão já era alvo de críticas e denúncias da comunidade

Pressão sobre Prefeitura e Câmara cresce

A crise no Ramal do Janauari se soma a outros pontos de descarte irregular de Iranduba. Denúncias anteriores apontam problemas em áreas como o Ramal Dona Creuza e o Residencial Dom Lopes, onde o lixo também é depositado de forma precária, perto de casas e cursos d’água.

Desde 2023, a Defensoria acompanha reclamações sobre o ramal Dona Creuza. Neste ano, a Câmara Municipal de Iranduba apresenta requerimentos cobrando informações e providências sobre esses locais, inclusive em sessão de abril. Vereadores pedem explicações sobre a política de resíduos sólidos e criticam a falta de alternativa ao lixão.

O incêndio no Janauari intensifica essa pressão. A gestão municipal passa a ser cobrada por respostas simultâneas em três frentes: controlar o fogo e a fumaça, garantir atendimento de saúde aos moradores expostos e apresentar um plano concreto para encerrar o lixão e implantar um sistema adequado de destinação do lixo.

Na prática, isso significa discutir a implantação de um aterro sanitário ou soluções consorciadas com municípios vizinhos, além de medidas imediatas de mitigação, como isolamento da área mais crítica, monitoramento contínuo de gases e recuperação ambiental do entorno.

Risco diário para saúde e meio ambiente

O incêndio expõe de forma dramática um problema que, para quem vive perto do lixão, é diário. Fumaça intermitente, mau cheiro forte, presença de urubus, proliferação de vetores de doenças e contaminação de água de igarapés usados por famílias são parte da rotina das comunidades no ramal.

A literatura ambiental indica que lixões a céu aberto liberam metano e outros gases inflamáveis. Em contato com faíscas, altas temperaturas ou até a queima de resíduos pelos próprios usuários da área, esses gases podem deflagrar incêndios rápidos e difíceis de conter, com chamas que reaparecem mesmo após ações pontuais de combate.

Setores como saúde pública, meio ambiente e assistência social devem sentir o impacto imediato. Postos de saúde da região tendem a registrar aumento de queixas respiratórias, enquanto órgãos ambientais precisarão avaliar possíveis danos a cursos d’água, solo e fauna locais.

Sem um plano estruturado para substituir o lixão por alternativas mais seguras, o risco é que o episódio desta semana se repita com intensidade ainda maior, agravando a crise ambiental e aprofundando a desconfiança da população em relação às autoridades.

A forma como a Prefeitura, a Câmara Municipal, a Defensoria e órgãos ambientais reagem nos próximos dias pode definir se o incêndio do Janauari se torna um ponto de virada na gestão do lixo de Iranduba ou apenas mais um capítulo em uma série de alertas ignorados.

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