Larvas, baratas e mofo: conheça o cardápio do aeroporto de Los Angeles

Denúncias revelam condições insalubres em serviço de catering do LAX, colocando em risco a saúde dos passageiros.
Redação NC News
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Funcionários da Flying Food Group, gigante do catering aéreo que atende o Aeroporto Internacional de Los Angeles (LAX), denunciam hoje condições insalubres graves na unidade que prepara refeições para voos comerciais. As queixas incluem alimentos mofados e com larvas, presença de baratas e falta de itens básicos de higiene.

O caso envolve uma empresa que produz cerca de 120 milhões de refeições por ano para mais de 75 companhias aéreas, o que amplia o alcance potencial do problema e pressiona autoridades de saúde e o setor aéreo a reagir.

Carrinhos fechados, comida podre e ordem para reutilizar

A denúncia ganha força depois de um episódio no fim de junho, descrito por uma funcionária da unidade próxima ao LAX. Ela relata ter aberto carrinhos de louça que estavam fechados havia muito tempo e encontrado um cenário de decomposição avançada.

Segundo o relato formalizado pelo sindicato Unite Here Local 11, “uma funcionária abriu, no fim de junho, carrinhos de louça que permaneciam fechados havia um longo período e encontrou alimentos em decomposição, aparentemente cobertos por mofo, larvas e moscas”. A trabalhadora teria sugerido descartar todo o material para evitar riscos sanitários.

O relato aponta que a recomendação foi ignorada.

“Um supervisor ordenou a limpeza e a reutilização do material em um voo, sem fornecer equipamento de proteção”, afirma a denúncia encaminhada ao órgão regulador estadual.

O procedimento, se confirmado, contraria boas práticas básicas de segurança alimentar e proteção ao trabalhador.

Sindicato leva fotos e vídeos a órgão regulador

Diante do episódio, o Unite Here Local 11 decidiu acionar a Cal/OSHA, agência da Califórnia responsável por fiscalizar saúde e segurança no trabalho. O sindicato diz ter entregue fotos, vídeos e depoimentos que, segundo a entidade, comprovam a presença de mofo, larvas, moscas e outras pragas na unidade.

Os trabalhadores relatam que o problema não se restringe àqueles carrinhos esquecidos. Depoimentos citam baratas em áreas de preparo de alimentos, o que indica falhas estruturais de limpeza e controle de pragas. A queixa menciona ainda falta frequente de sabão e papel-toalha em pias utilizadas para higienização das mãos.

Veja o vídeo da denúncia:

Funcionários também apontam temperaturas elevadas na área de higienização de louças e utensílios. O calor excessivo, somado à ausência de proteção adequada, cria, segundo eles, um ambiente de trabalho degradado e aumenta o risco de contaminação cruzada, já que a exaustão física tende a reduzir o cuidado em processos repetitivos e delicados.

Empresa admite investigação e mantém operações até 2026

A Flying Food Group, que opera em diversos aeroportos dos Estados Unidos, confirma que está sob escrutínio.

Em resposta às denúncias, “a Flying Food Group afirmou à CNN que analisa as acusações e coopera com as autoridades”.

A companhia não detalha, por enquanto, medidas corretivas específicas nem reconhece falhas estruturais.

A pressão aumenta porque a empresa recebeu recentemente a prorrogação da licença para operar a unidade próxima ao LAX até o fim de 2026. O documento garante a continuidade das atividades por mais de dois anos, enquanto as queixas expõem problemas graves na linha de produção que alimenta passageiros de dezenas de companhias.

Advogados trabalhistas e especialistas em segurança alimentar ouvidos por entidades sindicais destacam que a manutenção da licença, sem correções rápidas e verificáveis, pode expor passageiros e trabalhadores a riscos desnecessários. O caso também desperta atenção em outros hubs, como o aeroporto de Las Vegas e o aeroporto internacional O’Hare, em Chicago, que dependem de empresas de catering similares para manter o fluxo de chegadas e partidas.

Risco sanitário em escala e impacto na confiança do passageiro

O impacto econômico e de imagem preocupa o setor aéreo. Refeições de bordo são parte importante da experiência de quem acompanha ao vivo as chegadas e partidas no Aeroporto Internacional de Los Angeles, principal porta de entrada da cidade. A suspeita de falhas graves de higiene joga luz sobre a etapa menos visível da operação: as cozinhas industriais que abastecem os voos.

Quando um fornecedor preparado para 120 milhões de refeições por ano lida com comida mofada e carrinhos contaminados, o risco deixa de ser pontual e se torna sistêmico. Passageiros podem estar sujeitos a intoxicações alimentares, infecções gastrointestinais e reações alérgicas provocadas por fungos e bactérias presentes em alimentos deteriorados.

Para as companhias aéreas, o problema é duplo. A curto prazo, cresce a chance de atrasos e cancelamentos na oferta de refeições a bordo, especialmente em rotas internacionais que saem do Aeroporto de Los Angeles. Em paralelo, qualquer surto ligado a refeições servidas em voos pode atingir diretamente a reputação dessas empresas, mesmo que a responsabilidade imediata recaia sobre o fornecedor.

A gestão do próprio aeroporto também entra na linha de frente. Embora o LAX não produza as refeições, ele é o endereço que aparece nas buscas de passageiros por “Aeroporto Internacional de Los Angeles fotos” ou por “Aeroporto de Los Angeles chegadas e partidas”. Problemas na cadeia de catering facilmente se confundem, na percepção pública, com falhas da infraestrutura aeroportuária.

Cal/OSHA sob holofotes e próximos passos

A Cal/OSHA agora precisa decidir até onde irá na investigação. A agência pode aplicar multas, impor um cronograma de correções, exigir mudanças estruturais na unidade e, em último caso, suspender operações em áreas específicas. Cada decisão terá reflexo direto na rotina de voos que saem do Aeroporto de Los Angeles e de outros grandes hubs que replicam modelos semelhantes de terceirização.

Trabalhadores relatam que o caso fortalece a mobilização por melhores condições, com mais equipamentos de proteção, controle rigoroso de pragas e descarte imediato de qualquer lote suspeito de contaminação. O sindicato promete pressionar para que inspeções sejam frequentes, não apenas reativas a denúncias pontuais.

Aeroporto de Los Angeles (LAX)

A longo prazo, o episódio pode levar companhias aéreas a rever contratos e exigir cláusulas mais duras de auditoria sanitária, inclusive com inspeções surpresa nas cozinhas de fornecedores. Passageiros, por sua vez, tendem a cobrar mais transparência sobre a origem e o manuseio das refeições servidas em voos que partem do LAX e de outros terminais movimentados. A forma como Flying Food Group e autoridades respondem nos próximos meses ajudará a definir se o episódio será um ponto de inflexão na regulação do catering aéreo ou mais um alerta ignorado na cadeia da aviação comercial.

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