Uma sessão da Câmara Municipal de Patos de Minas, no Alto Paranaíba, terminou em bate-boca entre vereadores nesta quianta-feira (13). O motivo da discussão foi um projeto que pretende homenagear Matheus Augusto Azevedo, irmão do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), dando o nome dele a uma rua da cidade.
A proposta ainda nem tinha sido votada quando a discussão começou. O vereador Mauri Sérgio (PL) pediu vista do projeto, adiando a análise. Ele afirmou que precisava de mais tempo para conversar com um eleitor que havia questionado a homenagem.
O pedido provocou reação da autora da proposta, vereadora Brenda Evellyn Santos (Novo), e a sessão ficou marcada por uma troca de acusações e declarações exaltadas.
Tudo começou com o pedido de vista
O projeto prevê que a atual Rua A-20, no bairro Residencial Barreiro, passe a se chamar Matheus Augusto Azevedo.
Durante a discussão, Mauri Sérgio afirmou que não era contra a proposta nem tinha intenção de fazer uma crítica pessoal à vereadora.
Segundo ele, o pedido de vista servia para que pudesse prestar esclarecimentos a um eleitor que havia procurado o parlamentar. A discussão, porém, tomou outro rumo. Assita:
Che Guevara entrou na discussão
Na tentativa de defender a homenagem, Brenda Evellyn lembrou que a própria Câmara de Patos de Minas já aprovou, em 2014, uma rua com o nome do revolucionário argentino Che Guevara.
A vereadora questionou por que uma homenagem a Matheus estava provocando críticas, enquanto a homenagem feita a Che Guevara havia sido aprovada pelo Legislativo municipal.
Ela destacou ainda que Matheus passou anos enfrentando uma doença grave e que sua história poderia servir como exemplo para outras pessoas.
“A rua Che Guevara fica no bairro Coração Eucarístico. E aí, Rádio Clube e vereadores estão preocupados com o nome de uma pessoa que lutou contra o câncer por 18 anos e que serve de exemplo para toda a população. Mas Che Guevara pode”, afirmou.
A fala aumentou a tensão no plenário.
Vereador usa palavrão durante bate-boca
Mauri Sérgio voltou a se manifestar e reforçou que o pedido de vista não tinha relação com a autora do projeto. Na sequência, ao rebater a discussão, o vereador usou um palavrão.
“Eu não pedi vista aqui incriminando vereador nenhum. Não sou contra o projeto nenhum. Estou pedindo para dar satisfação ao meu eleitor que me cobrou. Agora, não é nada pessoal contra o projeto da vereadora, contra Che Guevara. Põe o caralho que quiser aí”, afirmou.
A declaração provocou novas manifestações no plenário.
Outro parlamentar lembrou que a homenagem a Che Guevara ocorreu em 2014, mais de uma década antes da discussão atual.
“Isso foi em 2014, minha filha. Nós estamos em 2026. Beleza? Aí cada um tem a sua opinião”, disse.
Brenda voltou a defender que os vereadores têm autonomia para apresentar projetos que dão nomes a ruas e outros espaços públicos.
Presidente precisou interromper a discussão
Com a discussão se prolongando, o presidente da Câmara, Cabo Batista (PP), precisou intervir. A intenção foi evitar que o bate-boca aumentasse e permitir que a sessão continuasse.
“Senão vai virar uma confusão aqui. Vocês preparam a discussão para a próxima reunião. Cada um vem com o que quer falar aí”, afirmou.
Depois da intervenção, a discussão foi encerrada e o projeto ficou fora da votação.
Quem era Matheus Azevedo?
A homenagem é proposta em memória de Matheus Augusto Azevedo, que morreu em 18 de julho deste ano, aos 30 anos. Ele enfrentava uma leucemia e morreu em decorrência de complicações relacionadas à doença.
Matheus era irmão do senador Cleitinho Azevedo, do prefeito de Divinópolis, Gleidson Azevedo, e do deputado estadual Eduardo Azevedo (PL).
Durante a discussão do projeto, a autora destacou justamente a trajetória de Matheus no enfrentamento da doença.
Projeto ainda será votado
Com o pedido de vista, os vereadores de Patos de Minas não chegaram a decidir se a homenagem será aprovada. A proposta deverá voltar à pauta em uma próxima reunião da Câmara.
Até lá, os parlamentares devem discutir novamente a mudança do nome da Rua A-20 e decidir se o endereço passará oficialmente a se chamar Rua Matheus Augusto Azevedo.
Por enquanto, a homenagem ficou marcada não pela votação, mas pelo bate-boca que tomou conta do plenário.