Câmeras não mostram abordagem da PM ao carro de Haddad, mas caso ainda está sob investigação em SP

SSP analisou imagens de cerca de 40 câmeras e não encontrou, até agora, interação entre policiais e a equipe do candidato; Haddad contesta resultado e cobra novas imagens
Redação NC News
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A história envolvendo Fernando Haddad e uma viatura da Polícia Militar ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (13). Depois de o candidato ao governo de São Paulo relatar que o carro que o levava para casa teria sido seguido de maneira ostensiva por policiais, a Secretaria da Segurança Pública informou que as imagens analisadas até agora não mostram uma abordagem nem procedimento irregular.

Segundo a SSP, cerca de 40 câmeras privadas instaladas em residências e estabelecimentos comerciais foram verificadas ao longo do trajeto indicado pelo motorista. A pasta também informou que a localização e o percurso das viaturas foram conferidos por meio do sistema de geolocalização dos veículos.

Mesmo assim, a apuração não está encerrada. A Polícia Civil deverá investigar o episódio, e o motorista de Haddad será chamado para prestar esclarecimentos formalmente.

O que Haddad e o motorista disseram?

O episódio aconteceu na noite de terça-feira (11), na zona sul de São Paulo, depois que Haddad foi deixado em casa após uma agenda de campanha.

Segundo o relato apresentado pelo candidato, o motorista teria sido acompanhado por uma viatura durante vários minutos. A versão inclui aproximação do carro policial, perseguição e uma suposta parada para tentar entender o motivo da ação.

Haddad classificou o episódio como “intimidador e agressivo” e afirmou que precisava de explicações sobre o comportamento dos policiais.

O motorista também relatou que teria parado em um hotel para questionar os agentes sobre o que estava acontecendo.

O que as câmeras mostraram?

É justamente nesse ponto que surgiu a principal divergência da história.

A SSP afirma que analisou aproximadamente 40 câmeras ao longo do percurso informado pelo motorista e não encontrou registros que confirmassem uma abordagem ou uma interação irregular entre policiais e integrantes da equipe de Haddad.

A análise também teria encontrado divergências entre alguns pontos indicados pelo motorista e as imagens disponíveis.

Em um dos locais mencionados, por exemplo, a apuração não teria identificado a parada do veículo conforme havia sido relatado inicialmente. Segundo informações divulgadas sobre a investigação, o motorista posteriormente indicou outro ponto para análise, mas as imagens também não teriam confirmado a abordagem descrita.

Isso, porém, não significa que o caso esteja definitivamente esclarecido.

Haddad contesta a versão da Segurança Pública

O candidato petista questionou o resultado da análise preliminar.

Haddad afirmou que outras imagens ainda precisam ser verificadas e citou, inclusive, equipamentos públicos que poderiam ajudar a esclarecer o trajeto.

Entre eles estão câmeras do sistema Smart Sampa, da Prefeitura de São Paulo.

Na avaliação do candidato, a existência de outros registros permitiria reconstruir com maior precisão o caminho percorrido pelo veículo e entender o que aconteceu naquela noite.

A disputa sobre as imagens transformou o episódio em mais um ponto de tensão entre Haddad e a administração do governador Tarcísio de Freitas, que também é candidato à reeleição.

Tarcísio promete apuração

Tarcísio afirmou que o caso será tratado tecnicamente e que todas as informações precisam ser verificadas.

O governador disse que a polícia já havia analisado imagens e que o motorista seria chamado para prestar esclarecimentos oficiais.

A Polícia Civil deverá apurar se houve algum acompanhamento irregular da viatura ou qualquer outro desvio de conduta durante o episódio.

A SSP informou que, caso surjam indícios de irregularidade durante as diligências, o procedimento poderá avançar para uma investigação mais ampla.

Por que o caso ganhou dimensão política?
O episódio acontece em um momento particularmente sensível: a disputa pelo governo de São Paulo em 2026.

Haddad é candidato pelo PT e tem Tarcísio como um dos principais adversários na corrida eleitoral. Por isso, qualquer ocorrência envolvendo a segurança do candidato e a Polícia Militar ganha uma dimensão que vai além de um episódio de trânsito ou de patrulhamento.

O próprio Haddad levantou dúvidas sobre a motivação da ação e cobrou esclarecimentos.

Ao mesmo tempo, a SSP sustenta que, até o momento, as imagens analisadas não apontam para uma abordagem irregular.

É justamente essa diferença entre o relato do motorista e o que aparece nas imagens que deverá ser esclarecida pela investigação.

Ouvidoria pede investigação mais profunda

O caso também provocou reação dentro das próprias estruturas de controle da Polícia Militar.

O ouvidor da Polícia de São Paulo, Mauro Caseri, defendeu uma apuração mais aprofundada e afirmou que considera necessário ouvir o motorista e outros envolvidos, além de analisar imagens de segurança e o funcionamento das câmeras corporais dos policiais.

A manifestação mostra que, mesmo sem uma confirmação de irregularidade nas imagens analisadas até agora, ainda existem perguntas em aberto.

Entre elas está justamente a razão pela qual a viatura acompanhou o veículo, caso seja confirmado que houve acompanhamento.

O que ainda precisa ser esclarecido?

A investigação terá de responder algumas perguntas importantes:

Por que a viatura estava na região?
Qual era a ocorrência ou diligência realizada naquele momento?
O veículo de Haddad foi efetivamente acompanhado pelos policiais?
Por quanto tempo?
Houve alguma tentativa de abordagem?
O que mostram as demais câmeras públicas e privadas?
As câmeras corporais dos agentes registraram alguma interação?
O motorista parou em algum momento durante o trajeto?
Qual foi a razão para a viatura permanecer próxima ao veículo?
Segundo a SSP, a apuração continua.

Por isso, a conclusão neste momento deve ser tratada como preliminar.

O que acontece agora?

O motorista deverá prestar depoimento e novas informações poderão ser incorporadas à investigação.

A análise de outras câmeras também pode ajudar a reconstruir o trajeto e esclarecer as divergências entre os relatos e os registros já encontrados.

Enquanto isso, Haddad mantém a cobrança por explicações, e o governo estadual sustenta que o caso será investigado tecnicamente.

O ponto central agora é separar o que foi relatado do que pode ser comprovado pelas imagens, registros das viaturas e demais elementos da investigação.

Entenda o contexto

O caso começou depois que Fernando Haddad relatou que o carro que o levava para casa teria sido acompanhado de forma ostensiva por uma viatura da Polícia Militar, após uma agenda de campanha.

A denúncia provocou reação política e levou a Secretaria da Segurança Pública a iniciar uma apuração.

Até agora, cerca de 40 câmeras privadas foram analisadas e, segundo a SSP, não foram encontrados indícios de abordagem ou procedimento irregular envolvendo policiais e a equipe do candidato.

Haddad contesta a conclusão e afirma que outras câmeras, incluindo equipamentos públicos, precisam ser verificadas.

A investigação continua e deverá ouvir o motorista oficialmente.

Portanto, não há, neste momento, confirmação de que tenha ocorrido uma abordagem irregular ou uma tentativa de intimidação contra Haddad. O que existe é uma divergência entre o relato apresentado pela campanha e os elementos encontrados na apuração preliminar.

O próximo passo será descobrir o que as imagens restantes, os registros das viaturas e os depoimentos podem revelar sobre aquela noite.

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