A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) iniciou uma avaliação dos regulamentos que disciplinam os serviços aéreos no Rio de Janeiro após uma sequência de acidentes envolvendo helicópteros na cidade. A medida pode resultar em mudanças nas regras de operação e em uma fiscalização mais rigorosa do setor.
O caso mais recente aconteceu no último dia 8, na região da Vista Chinesa, no Alto da Boa Vista. Diante da sucessão de ocorrências, a agência informou que já começou a revisar os procedimentos adotados no município.
“Já foi iniciada uma avaliação dos regulamentos do setor, além da intensificação da fiscalização no Rio de Janeiro”, afirmou a Anac em nota.
A iniciativa terá como foco principalmente as empresas que atuam no segmento de Serviços Aéreos Especializados (SAE), além das condições das aeronaves e da qualificação dos pilotos.
Fiscalização será reforçada
Segundo a Anac, a fiscalização deverá verificar as condições de segurança das aeronaves, os procedimentos adotados pelas empresas e a atuação dos pilotos.
Entre as operações que receberão atenção especial estão os voos panorâmicos, modalidade bastante utilizada por turistas para sobrevoar pontos turísticos do Rio de Janeiro.
A preocupação aumenta diante do volume de voos realizados diariamente na cidade.
De acordo com levantamento do Ministério Público Federal, o Rio registra, em média, 68 voos turísticos de helicóptero por dia.
O número coloca a cidade entre os principais mercados do país para esse tipo de serviço e aumenta a necessidade de controle sobre as operações, especialmente em áreas de grande circulação de aeronaves.
Infrações abaixo da altitude mínima
Dados da Aeronáutica também apontam problemas relacionados à altitude dos voos.
Entre outubro de 2025 e abril de 2026, 28% das operações realizadas a partir do Aeroporto de Jacarepaguá ocorreram abaixo do limite de 500 pés, equivalente a aproximadamente 150 metros.
Os helicópteros representaram 65% das infrações registradas nesse período.
A altitude mínima tem papel importante na segurança da aviação porque garante uma margem maior para que pilotos reajam diante de falhas mecânicas, mudanças climáticas ou outros imprevistos durante o voo.
Sequência de acidentes acendeu alerta
A avaliação da Anac ocorre depois de uma sequência de acidentes envolvendo helicópteros no Rio de Janeiro.
O episódio mais recente ocorreu no dia 8, na região da Vista Chinesa, no Alto da Boa Vista, área conhecida pela intensa movimentação de aeronaves e pelos voos turísticos.
A sucessão de ocorrências colocou novamente em discussão os limites para voos panorâmicos, a fiscalização das empresas e o cumprimento das regras de altitude e segurança.
A agência, entretanto, ainda não anunciou quais normas poderão ser alteradas nem estabeleceu um prazo para conclusão da avaliação.
O que pode mudar
Neste momento, a Anac não detalhou quais alterações regulatórias poderão ser adotadas. A revisão anunciada pode envolver os procedimentos de fiscalização e os critérios de operação dos serviços aéreos especializados.
A prioridade declarada é aumentar o controle sobre os voos panorâmicos, verificando se empresas, aeronaves e pilotos cumprem as exigências estabelecidas pela regulamentação.
Qualquer mudança nas regras deverá ser anunciada pela própria agência após a conclusão da avaliação.
Entenda o contexto
O Rio de Janeiro possui um dos mercados mais movimentados do país para voos turísticos de helicóptero, impulsionado pela procura por passeios panorâmicos sobre pontos como praias, montanhas e áreas turísticas.
O aumento da fiscalização ocorre em meio a uma sequência de acidentes e à identificação de operações abaixo da altitude mínima prevista para determinadas situações.
Segundo dados citados pelo Ministério Público Federal, são cerca de 68 voos turísticos de helicóptero por dia na cidade. Já levantamentos da Aeronáutica apontaram que mais de um quarto das operações realizadas a partir de Jacarepaguá ocorreu abaixo de 500 pés entre outubro de 2025 e abril de 2026.
Agora, a Anac avalia se as regras atuais são suficientes para garantir a segurança das operações no Rio e quais medidas poderão ser adotadas para reduzir os riscos.