Tabela da Bundesliga: Bayern firma Maycon e Hertha começa bem

Bayern aposta em jovem talento enquanto Hertha ganha destaque na segunda divisão da temporada 2026/27.
Redação NC News
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O Bayern de Munique aposta de vez em Maycon Cardozo, atacante brasileiro de 17 anos, enquanto Hertha Berlin embala na Bundesliga 2 e o RB Leipzig tenta administrar o fiasco Lutsharel Geertruida.

Maycon escolhe ficar e vira símbolo da nova aposta do Bayern

O plano de carreira de Maycon se desenha em Munique. Depois de uma pré-temporada com quatro partidas, gols, assistências e bom desempenho sob Vincent Kompany, o jovem recusa sondagens europeias e decide permanecer no Bayern para a temporada 2026/27.

O clube vê nele mais do que um talento precoce. Com 1,65 m, Maycon ocupa o lado esquerdo do ataque ou a faixa de meia-atacante, oferecendo criatividade, drible curto e leitura rápida de espaços. Na goleada por 15 a 0 sobre o Rottach-Egern, marcou dois gols e deu duas assistências, atuação que reforça a convicção interna de que está pronto para minutos reais na elite.

Jochen Sauer, diretor de desenvolvimento juvenil, trata o caso como vitrine do programa internacional do Bayern.

“Maycon ingressou em nossa equipe sub-17 no Campus há cerca de um ano, por meio do nosso programa juvenil internacional. Estamos felizes que ele dará seus próximos passos conosco e animados com seu desenvolvimento contínuo”, afirma.

A trajetória ajuda a explicar o cuidado do clube. Nascido em São Paulo e criado na Tailândia, Maycon passa por academias parceiras do Bayern, sobe gradualmente até o sub-19 e o time B e, agora, entra de vez no radar do elenco principal. Ainda não pode assinar contrato profissional, segue com bolsa de estudos, mas já disputa espaço num vestiário que volta a olhar com carinho para a base.

O movimento é estratégico. Em vez de empilhar contratações caras para completar elenco, o Bayern tenta extrair impacto imediato de jogadores formados ou lapidados em casa. Maycon, que tem também nacionalidade portuguesa e ainda avalia o futuro em seleções, vira peça-chave dessa guinada, ao lado de outros jovens em observação no Campus.

Hertha atropela Heidenheim e esquenta a briga na Bundesliga 2

Enquanto o Bayern redesenha o presente, a capital alemã volta a flertar com a elite. No Estádio Olímpico de Berlim, o Hertha vence o Heidenheim por 4 a 1 e chega a 6 pontos em duas rodadas da Bundesliga 2, igualando a pontuação do 1. FC Nürnberg, que leva vantagem no saldo de gols.

A vitória tem protagonista claro. Marten Winkler participa diretamente de três gols, com duas assistências e um chute forte de fora da área. O meio-campo de Stefan Leitl domina o jogo desde o início e estrangula a saída de bola do Heidenheim, que desce da primeira divisão e tenta se reencontrar. “O Hertha não quis tomar conhecimento da equipe de Frank Schmidt”, resume a análise da partida.

O roteiro do primeiro tempo mostra a diferença entre os projetos. Sebastian Grønning abre o placar em cobrança de falta trabalhada por Winkler, que depois amplia em transição rápida e encontra Deyovaisio Zeefuik infiltrando entre os zagueiros para fazer o terceiro. O Heidenheim reage apenas após o intervalo, quando Frank Schmidt mexe quatro vezes, mas o ajuste tático vem tarde.

A goleada é também recado ao restante da divisão. O Hertha, que conviveu com crises esportivas e financeiras recentes, agora expõe um plano mais nítido: retomar a Bundesliga com um jogo propositivo, organizado e apoiado em jovens em ascensão. A consistência defensiva no primeiro tempo e a capacidade de matar o jogo em contra-ataque, com o 4 a 1 já nos acréscimos, reforçam a ideia de um time pronto para brigar no topo da tabela.

O Heidenheim, por sua vez, deixa Berlim com o alerta ligado. A derrota, somada ao desempenho frágil antes do intervalo, indica que a simples queda de divisão não garante protagonismo imediato. Sem ajustar a saída de bola e o encaixe da pressão rival, a equipe corre risco de estacionar no meio da tabela.

Flop Geertruida expõe rachaduras no modelo do RB Leipzig

O outro lado da moeda da aposta em juventude aparece em Leipzig. Lutsharel Geertruida, defensor de 26 anos contratado por 20 milhões de euros após se destacar no Feyenoord, vira exemplo de negócio caro e mal planejado. O jogador, elogiado pela versatilidade e leitura defensiva, nunca se encaixa de fato no modelo do clube.

No auge da carreira, “no início de 2024, ainda com 23 anos, ele dominava praticamente toda a cartilha da arte de defender”, descreve uma análise sobre o zagueiro-lateral.

Parecia, então, o pacote perfeito: atuava como lateral, zagueiro e volante, oferecia saída de bola limpa e ajudava a adiantar a linha defensiva. Em Leipzig, porém, o casamento não acontece.

Sob diferentes comandos, de Marco Rose até Ole Werner, Geertruida alterna posições, mas não entrega regularidade. Entra e sai do time, comete erros em jogos grandes e vê a confiança desabar. A solução é o empréstimo ao Sunderland, onde disputa 30 partidas e mantém desempenho aceitável, porém longe de justificar a quantia investida ou atrair ofertas que cubram o investimento.

A frustração se resume em uma frase recorrente nos bastidores:

“A esperança de que as dificuldades de adaptação desapareceriam sozinhas com o passar do tempo foi em vão”.

O Leipzig acumula prejuízo esportivo e, possivelmente, financeiro, enquanto avalia novo empréstimo, agora para clubes como PSV Eindhoven e Ajax Amsterdam, na tentativa de reaquecer o mercado pelo jogador.

A situação afeta mais do que a conta bancária. O departamento de análise de desempenho, a área de scouting e o planejamento esportivo entram em revisão. A lógica que consagrou o Leipzig como comprador cirúrgico de talentos subutilizados se vê desafiada por um caso de alto custo, baixa integração tática e retorno limitado. O histórico interesse do Bayern, que cogita o jogador no passado e recua, hoje é reinterpretado como oportunidade perdida por alguns e decisão correta por outros, à luz do flop atual.

O contraste com Maycon, em Munique, e com o projeto em andamento no Hertha é evidente. A Alemanha acompanha, ao mesmo tempo, a consolidação de um atacante brasileiro que escolhe ficar, a arrancada de um gigante adormecido na Bundesliga 2 e o tropeço caro de um clube-modelo em gestão de elenco. O desfecho desses três casos ajuda a redesenhar não apenas a tabela da Bundesliga masculina e da Bundesliga 2, mas também a forma como os clubes alemães tratam talento, risco e planejamento no mercado de hoje.

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