Ciro Nogueira barrou Tereza Cristina de ser vice de Flávio

Ciro Nogueira muda estratégia do Progressistas ao retirar apoio a Tereza Cristina na disputa presidencial.
Redação NC News
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Tereza Cristina deixa de ser opção de vice na chapa de Flávio Bolsonaro depois que Ciro Nogueira, presidente do Progressistas, decide retirar o apoio interno à senadora. A manobra neutraliza o partido na corrida presidencial e reduz o espaço da direita para atrair o voto feminino.

Investigações travam projeto de vice

A mudança ocorre em meio ao avanço de investigações da Polícia Federal e da Polícia Civil sobre Ciro Nogueira e seus aliados, com foco no escândalo do Banco Master e no banqueiro Daniel Vorcaro.

As apurações expõem o presidente do Progressistas a suspeitas de ter vinculado seu mandato a interesses privados, o que alimenta o temor de constrangimentos políticos em plena fase pré-eleitoral.

Em um primeiro momento, Ciro autoriza Tereza Cristina a buscar apoio entre os diretórios estaduais do PP para se cacifar como vice de Flávio Bolsonaro. A senadora é tratada como ativo da direita, sobretudo pela capacidade de dialogar com o eleitorado feminino e com o agronegócio, base que impulsiona sua trajetória desde a passagem pelo ministério da Agricultura.

A estratégia muda quando operações policiais recentes atingem auxiliares próximos de Ciro. Uma ação da Polícia Civil do Piauí, no final do ano passado, mira um ex-assessor do senador por suspeita de lavagem de dinheiro ligada a postos de gasolina.

Nos bastidores, aliados interpretam a ofensiva como uma tentativa de chegar ao núcleo político do Progressistas e, a partir daí, acionar a Polícia Federal em Brasília.

Do aval ao freio de mão puxado

Com o cerco policial se estreitando, Ciro Nogueira abandona o plano de usar a vice na chapa de Bolsonaro como vitrine de influência. Em vez de reforçar o nome de Tereza Cristina, atua para desmontar o apoio que ela havia costurado dentro da sigla.

“Depois de ter dado aval para que a senadora Tereza Cristina buscasse apoio de seções estaduais do partido para ser candidata a vice, ele próprio foi a campo para que os diretórios retirassem o endosso ao nome da parlamentar”, relata reportagem da revista Veja.

O recuo está diretamente ligado ao temor de que a projeção nacional da chapa amplifique o desgaste provocado pelas investigações sobre o presidente do PP.

Segundo a mesma reportagem, “Ciro Nogueira é investigado por indícios de ter colocado o mandato a serviço de interesses de Daniel Vorcaro, de ter apresentado uma proposta que quadruplicaria o saldo que o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) cobriria em caso de falcatruas como as do Master e de ter recebido, entre outras benesses, pagamentos mensais do banqueiro, viagens e uso ilimitado de um imóvel de luxo”. Procurado pela publicação, o senador não se manifesta.

Nos cálculos internos, manter o Progressistas distante da cabeça de chapa de Bolsonaro reduz a exposição do partido em um momento de vulnerabilidade jurídica. Ciro, que tenta preservar o próprio mandato no Senado, prefere evitar qualquer movimento que possa ser interpretado como desafio frontal às autoridades responsáveis pelas investigações.

PP neutro e efeito na campanha

A decisão de puxar o freio de mão sobre Tereza Cristina tem efeito imediato: o Progressistas se mantém formalmente neutro na disputa presidencial. A sigla, que integra uma federação com 109 deputados federais, deixa de ofertar um pacote estruturado de tempo de TV, palanques regionais e capilaridade municipal a Flávio Bolsonaro.

Para a campanha do ex-presidente, o recado é claro. Sem o selo institucional do PP e sem a presença de Tereza Cristina na chapa, a busca por votos no Centro-Oeste, no interior do Sudeste e em redutos do agronegócio fica mais difícil. Aliados de Bolsonaro perdem a possibilidade de vender uma vice mulher, com trânsito entre ruralistas, como símbolo de moderação a eleitores indecisos.

Dentro do Progressistas, a intervenção de Ciro é apresentada como medida de sobrevivência. Dirigentes estaduais, que antes encorajavam a articulação de Tereza, passam a repetir a linha oficial da neutralidade. O objetivo é blindar vereadores, prefeitos e deputados do desgaste associado às suspeitas de corrupção que rondam a cúpula da legenda.

Recuo calculado e batalha em aberto

A própria Tereza Cristina se vê empurrada para um reposicionamento. Sem a vitrine da vice-presidência, a senadora volta o foco ao mandato e aos temas caros ao seu eleitorado, como defesa do agronegócio e infraestrutura para escoamento da produção. O recuo, porém, não apaga o fato de que o seu nome circula com força entre apoiadores de Bolsonaro, alimentando especulações sobre futuros papéis em eventuais governos ou coligações.

No campo jurídico, as investigações sobre Ciro Nogueira e a relação com Daniel Vorcaro permanecem em curso. O desfecho pode redefinir o peso do Progressistas na política nacional e influenciar a própria sobrevivência do grupo comandado pelo senador no comando da sigla. A cada nova diligência policial, lideranças do partido reavaliam o grau de exposição que estão dispostas a assumir.

Entre adversários, o episódio reforça a leitura de que operações policiais se tornam fator determinante na montagem das chapas presidenciais. A forma como Ciro reorganiza o tabuleiro, ao retirar Tereza Cristina do páreo, é vista como tentativa de ganhar tempo e negociar apoios caso o cenário mude até o registro definitivo das candidaturas.

A corrida presidencial segue com menos uma protagonista de peso na vice e com um dos maiores partidos do Congresso em posição de espera. A pergunta, agora, é quanto tempo o Progressistas consegue se manter neutro enquanto investigações avançam, alianças se rearranjam e campanhas pressionam por definições.

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