Thiago Mendes entra em campo como protagonista duplo no Vasco. O volante e capitão recusa o cumprimento de Neymar antes de Vasco x Santos e, dias antes, lidera o time em empate frustrante contra o Olimpia pela Copa Sul-Americana.
Atrito à vista das câmeras e cobrança por postura de capitão
O clima em São Januário pesa desde o apito inicial contra o Santos. No protocolo oficial, Neymar estende a mão, mas Thiago Mendes opta por não cumprimentar o camisa 10 santista. A cena corre o país em poucos segundos.
Durante a transmissão, Roger Flores não poupa o capitão vascaíno. O comentarista cobra profissionalismo e lembra que, naquele momento, Mendes representa mais que um ressentimento antigo. “Eu acho que como capitão o Thiago Mendes tá ali levando o Vasco da Gama. Um cumprimento, não precisa falar, não precisa abraçar, mas acho que cumprimentar faz parte. Ali não é pessoal, ali você tá representando um gigante como o Vasco da Gama, e o Neymar um gigante como o Santos. Então, um cumprimento valia a pena, não precisa abraçar. Porém, independente do problema pessoal dos dois, a camisa dos dois clubes é muito maior que eles dois”, afirma.
O episódio resgata uma ferida antiga. Em duelo do Campeonato Francês, quando defendia o Lyon e Neymar atuava pelo Paris Saint-Germain, Thiago Mendes acerta uma falta dura que provoca entorse no tornozelo e contusão óssea no brasileiro. O atacante fica três semanas afastado, e o lance passa a marcar a relação entre os dois.
O reencontro em São Januário reacende a tensão. A atitude do capitão vascaíno alimenta debates sobre limites entre questões pessoais e representação profissional em jogos de alta visibilidade. Para parte da torcida, o gesto soa como fidelidade a uma mágoa antiga; para outra, é sinal de imaturidade num time em crise.
Derrota pesada no Brasileirão e pressão crescente
Enquanto a discussão sobre o aperto de mão se espalha, o campo expõe um problema mais concreto. O Santos vence o Vasco por 3 a 0, em plena 23ª rodada do Campeonato Brasileiro, e aprofunda a crise cruz-maltina. O time carioca segue na zona de rebaixamento, estacionado nos 22 pontos, na 19ª colocação.
O placar elástico em casa aumenta o ruído em torno de Thiago Mendes. Como capitão, ele é cobrado por equilíbrio emocional, poder de liderança e capacidade de blindar o elenco em momentos de instabilidade. A recusa ao cumprimento de Neymar vira símbolo instantâneo do que muitos enxergam como desvio de foco em um momento em que o Vasco não pode se dar ao luxo de perder energia fora das quatro linhas.
Setores internos do clube, sobretudo comunicação e gestão de imagem, monitoram a repercussão. O temor é que a narrativa sobre o atrito com Neymar ultrapasse a análise de desempenho em campo e consolide a figura de Thiago Mendes como um personagem polêmico, justamente quando o Vasco tenta reconstruir credibilidade esportiva e institucional.
Entrevista firme após o 0 a 0 e confiança na Sul-Americana
O mesmo Thiago Mendes criticado por Roger Flores é o líder que sai do empate por 0 a 0 contra o Olimpia, pela ida das oitavas de final da Copa Sul-Americana, defendendo o desempenho do time. Na última quinta-feira, em São Januário, o Vasco domina o adversário, mas sai de campo sem a vantagem desejada.
Os números ajudam a contar a história. O Vasco registra mais de 75% de posse de bola, finaliza 21 vezes e cria cinco chances claras. O Olimpia, retraído, tenta pouco: são apenas duas finalizações, nenhuma que realmente ameace o goleiro Léo Jardim. A frustração, porém, vem do placar zerado.
Na saída do gramado, Thiago Mendes escolhe o discurso de confiança. “Fizemos um jogo bom. Não sofremos pressão. Sabíamos que eles jogariam fechados para explorar o contra-ataque, mas não conseguiram. Mantivemos nosso ritmo, mas não conseguimos abrir o placar. Não tem nada decidido ainda e vamos buscar a classificação”, afirma.
O compromisso seguinte, marcado para quinta-feira, 20 de agosto, às 19h, no Defensores del Chaco, em Assunção, ganha contornos de decisão esportiva e política. A classificação às quartas de final vale dinheiro, calendário e, sobretudo, moral para um elenco que convive com o risco real de queda no Brasileirão.
Thiago Mendes afirma que o caminho passa por repetir a intensidade apresentada em casa, mesmo longe da torcida. “Temos que jogar da mesma forma que jogamos dentro de casa, pressionando o adversário o tempo todo. Sabemos da dificuldade que vamos enfrentar, mas temos que jogar com sabedoria. Vai ser um jogo difícil, mas não impossível”, diz o capitão.
Imagem em xeque, vestiário sob teste e temporada em aberto
Os dois episódios da semana — o protocolo frio com Neymar e a entrevista ponderada após o empate com o Olimpia — expõem as duas faces de Thiago Mendes no Vasco. De um lado, o jogador que carrega um histórico de atrito pessoal com uma das maiores estrelas do futebol brasileiro. De outro, o líder que fala em “buscar a classificação” e defende o trabalho coletivo em meio à pressão.
No cotidiano do clube, essa dualidade tem efeito direto. A comissão técnica precisa preservar o peso da braçadeira e, ao mesmo tempo, evitar que a polêmica desvie o foco da preparação para o jogo no Paraguai. Em campo, o elenco depende da serenidade do capitão para enfrentar um Olimpia mais agressivo diante da própria torcida, com a vaga em aberto e a decisão de pênaltis como possibilidade real em caso de novo empate.
Entre torcedores, a imagem de Thiago Mendes ainda está em construção. A forma como ele lida com a rivalidade com Neymar, a capacidade de reagir à goleada sofrida para o Santos e o desempenho no duelo decisivo pela Sul-Americana tendem a definir, nas próximas semanas, se o volante será lembrado como líder resiliente em tempos turbulentos ou como um personagem que ajudou a ampliar a crise.
Os próximos capítulos passam por Assunção e pelo Brasileirão. Se o Vasco avançar na competição continental, Thiago Mendes ganha fôlego e argumentos para sustentar seu papel de referência no elenco. Em caso de eliminação e manutenção do time na parte mais baixa da tabela, a pressão sobre o capitão, o técnico e a diretoria promete subir mais alguns graus em São Januário.
Qual foi a atitude de Thiago Mendes com Neymar que Roger Flores criticou?
Thiago Mendes, capitão do Vasco, se recusa a cumprimentar Neymar no protocolo oficial antes de Vasco x Santos em São Januário, gesto que Roger Flores critica duramente na transmissão ao cobrar postura profissional e respeito às camisas de Vasco e Santos acima de qualquer desentendimento pessoal entre os dois jogadores.
O que Thiago Mendes declarou após o tropeço do Vasco na Sul-Americana?
Thiago Mendes afirma, após o 0 a 0 com o Olimpia em São Januário, que o Vasco “fez um jogo bom”, não sofreu pressão, dominou as ações ofensivas, mas falhou em converter as chances criadas, ressaltando que “não tem nada decidido ainda” e que o time vai ao Paraguai para “buscar a classificação” às quartas de final.
Como tem sido a atuação de Thiago Mendes no Vasco recentemente?
Thiago Mendes assume papel central no Vasco, atuando como volante e capitão em meio à luta contra o rebaixamento no Brasileirão e à disputa da Copa Sul-Americana, combinando boa participação em jogos como o empate dominante contra o Olimpia com polêmicas extracampo, como a recusa em cumprimentar Neymar antes de Vasco x Santos.