O primeiro bloco do debate da Band Minas foi marcado pela discussão sobre a dívida de Minas Gerais com a União e pelos primeiros confrontos diretos entre os candidatos ao Governo do Estado.
Na abertura, cada candidato teve 1 minuto e 30 segundos para responder a uma pergunta feita pelo mediador, o jornalista Lucas Catta-Prêta. O tema escolhido foi a situação da dívida de Minas Gerais com o governo federal. A ordem de participação foi definida por sorteio.
Depois das respostas, começou a rodada de confrontos diretos. Entre os assuntos colocados na mesa pelos candidatos estiveram acordos políticos, dívida do Estado, feminicídio, hospitais regionais, isenções fiscais, mineração, população carcerária, privatização da Cemig, rodovias estaduais e salário do funcionalismo público.
Kalil questiona Mateus Simões
O primeiro confronto direto foi entre o atual governador, Mateus Simões (PSD), e o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT).
Durante o embate, Kalil fez uma crítica à atuação do governador e questionou diretamente Simões:
“Você está em Nárnia?”, disse Kalil
A troca abriu a sequência de confrontos do debate e colocou frente a frente dois candidatos com trajetórias distintas na administração pública.
Feminicídio também entrou no debate
O tema da violência contra a mulher apareceu em um dos confrontos entre Kalil e Mateus Simões.
Ao responder sobre feminicídio, Alexandre Kalil afirmou que o enfrentamento da violência doméstica é uma responsabilidade do governo estadual. O candidato relembrou ainda uma declaração feita em 2022, quando era prefeito de Belo Horizonte, durante a campanha eleitoral daquele ano.
Na ocasião, Kalil havia afirmado que a questão da violência doméstica não estava sob responsabilidade da Prefeitura. Mateus Simões aproveitou a declaração para questionar o ex-prefeito sobre a posição adotada naquele período.
Kalil confronta Cleitinho sobre a dívida
A dívida de Minas Gerais com a União voltou ao centro do debate quando Alexandre Kalil confrontou o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos).
Kalil afirmou que Cleitinho teve participação na aprovação do Propag, programa de renegociação das dívidas dos estados com a União, e questionou o senador sobre a responsabilidade dele diante da situação fiscal de Minas.
O tema é um dos principais desafios apresentados pelos candidatos durante a campanha e deve continuar sendo explorado ao longo do debate.
Cleitinho questiona Gabriel Azevedo sobre a Cemig
Na sequência, Cleitinho Azevedo confrontou Gabriel Azevedo (MDB) sobre a possibilidade de privatização da Cemig.
O senador perguntou ao ex-vereador de Belo Horizonte se ele considera a privatização da estatal de energia uma medida positiva ou negativa.
Gabriel Azevedo respondeu que, caso seja eleito governador, não pretende privatizar a Cemig.
A empresa é uma das principais estatais de Minas e a possibilidade de privatização também é um dos temas que divide os candidatos ao Governo do Estado.
Mineração e Serra do Curral provocam novo confronto
Outro tema que ganhou espaço no primeiro bloco foi a mineração. Gabriel Azevedo questionou Flávio Roscoe (PL) sobre a posição dele em relação à atividade minerária na Serra do Curral.
O questionamento ocorreu em meio à discussão sobre a exploração mineral na região e sobre atividades consideradas irregulares em Belo Horizonte.
Roscoe defendeu a mineração dentro das regras estabelecidas pela legislação e afirmou que nunca apoiou atividades irregulares.
“Tudo o que nós utilizamos no nosso dia a dia vem da mineração. Sempre defendi a mineração saudável. Nunca defendi e nunca vou defender a mineração irregular.”, disse
O candidato do PL também defendeu a preservação da Serra do Curral e afirmou que o patrimônio deve ser protegido.
“A Serra do Curral é patrimônio dos mineiros, é tombada e deve ser preservada.”, defende
Ao mesmo tempo, Roscoe destacou a importância econômica do setor mineral para Minas Gerais e afirmou que acredita no potencial da atividade.
“Eu acredito no poder da transformação da mineração e defendo que aqueles que não cumprem a lei sejam punidos no rigor da lei.”, diz
Primeiro bloco teve foco na gestão de Minas
Com a dívida estadual como tema de abertura, o primeiro bloco acabou concentrando boa parte das discussões em questões diretamente relacionadas à administração pública e às contas de Minas.
Além da situação fiscal, os candidatos aproveitaram os confrontos para apresentar posições sobre segurança, violência contra a mulher, empresas estatais e mineração.
O formato também permitiu os primeiros ataques diretos entre os concorrentes, indicando que a atuação do atual governo e as propostas para enfrentar os problemas financeiros do Estado devem estar entre os principais assuntos da disputa pelo Palácio Tiradentes.